Revista Elas nov. 2019 | Page 120

Imagem: Flávia Gasparini O céu não é o limite A história da mulher que ajudou a fundar um observatório astronômico reconhecido pela NASA Flávia Gasparini E ra quinta-feira quando encontrei Rosa no hall de entrada do Departamento de Física da Unesp de Bauru. Ela chegou apressada, pedindo desculpas pelo pequeno atraso. “Cheguei tarde como sempre”, riu. Sentadas no sofá e entre cumprimentos a pro- fessores, alunos e funcionários, conversamos por aproximadamente duas horas. Assim como uma em cada dez brasilei- ras (de acordo com levantamento realizado pelo IBGE em 2016), Rosa carrega “Maria” no nome: Rosa Maria. Igualmente a milhões de mulheres, de “Marias”, a bauruense possui uma história de luta e conquistas. Quem a observa pelos corredores da Unesp ou lecionando, nem imagina que o curso de licenciatura em física não fora sua primeira opção. Amante da exatas, sonhava em fazer engenharia química, mas o curso não possuía sede em Bauru. “Meus pais não tinham condições financeiras para me man- ter fora. Acabei ingressando em engenharia 1 20 Imagem: Reprodução / Pinterest elétrica aqui na cidade mesmo, mas como era um curso integral, eu não conseguia conciliar com uma rotina de trabalho”, relembra. Desse modo, Rosa precisou deixar de lado o sonho de ser engenheira e optar por uma graduação no período noturno. Por sem- pre ter se identificado com a física, prestou novamente o vestibular e ingressou no curso de licenciatura da Unesp de Bauru em 1984. Ela mal imaginava que o local se tornaria a sua segunda casa pelos próximos anos. “Hoje, passado tanto tempo, eu vejo que foi a melhor coisa. Não sei se eu teria me realizado tanto como engenheira”, conta. Segundo relatório divulgado pela Unesco (2018), por motivos de desigualdade de gênero, educação sexista, estereótipos de gênero no ambiente escolar, entre outros, as adolescentes não buscam as áreas de exatas na mesma proporção que os meninos. Durante a graduação em engenharia elétrica, por exemplo, dos 80 universitários