Imagem: Flávia Gasparini
O céu não
é o limite
A história da mulher que ajudou a
fundar um observatório astronômico
reconhecido pela NASA
Flávia Gasparini
E
ra quinta-feira quando encontrei Rosa
no hall de entrada do Departamento de
Física da Unesp de Bauru. Ela chegou
apressada, pedindo desculpas pelo pequeno
atraso. “Cheguei tarde como sempre”, riu.
Sentadas no sofá e entre cumprimentos a pro-
fessores, alunos e funcionários, conversamos
por aproximadamente duas horas.
Assim como uma em cada dez brasilei-
ras (de acordo com levantamento realizado
pelo IBGE em 2016), Rosa carrega “Maria”
no nome: Rosa Maria. Igualmente a milhões
de mulheres, de “Marias”, a bauruense possui
uma história de luta e conquistas.
Quem a observa pelos corredores da
Unesp ou lecionando, nem imagina que o
curso de licenciatura em física não fora sua
primeira opção. Amante da exatas, sonhava
em fazer engenharia química, mas o curso
não possuía sede em Bauru. “Meus pais não
tinham condições financeiras para me man-
ter fora. Acabei ingressando em engenharia
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Imagem: Reprodução / Pinterest
elétrica aqui na cidade mesmo, mas como era
um curso integral, eu não conseguia conciliar
com uma rotina de trabalho”, relembra.
Desse modo, Rosa precisou deixar de
lado o sonho de ser engenheira e optar por
uma graduação no período noturno. Por sem-
pre ter se identificado com a física, prestou
novamente o vestibular e ingressou no curso
de licenciatura da Unesp de Bauru em 1984.
Ela mal imaginava que o local se tornaria
a sua segunda casa pelos próximos anos.
“Hoje, passado tanto tempo, eu vejo que foi a
melhor coisa. Não sei se eu teria me realizado
tanto como engenheira”, conta.
Segundo relatório divulgado pela
Unesco (2018), por motivos de desigualdade
de gênero, educação sexista, estereótipos de
gênero no ambiente escolar, entre outros, as
adolescentes não buscam as áreas de exatas
na mesma proporção que os meninos.
Durante a graduação em engenharia
elétrica, por exemplo, dos 80 universitários