Caligrafia
Por NATÁLIA CARNEIRO
Fotos: Arquivo Pessoal
Seu processo criativo
se baseia em analisar
o Briefing e passar
algumas horas
olhando livros,
Pinterest e até
mesmo o Instagram,
que servem como
referência de
composição
Natália estuda caligrafia e lettering desde 2015 e começou
a trabalhar em 2016. Ela acha que o mercado em Brasília é
relativamente novo, então está bem aquecido para a inserção de
novos profissionais voltados para o trabalho com painéis de festas
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DUAS ASAS Brasília, segunda-feira, 10 de junho de 2019
Com uma inclinação para as artes desde a sua infância
e a paixão por desenho, hoje a designer Natália Carneiro,
de 27 anos, é uma das grandes inspirações no mercado de
Lettering. Com todo esse interesse e sem nenhuma dúvida
de qual curso superior escolher, entrou na UnB em 2009 no
curso de Artes Plásticas e após alguns anos, começou a pegar
matérias de Desenho Industrial. Durante esse período, per-
cebeu que havia diferença entre a Arte e o Design, notando
que eram divididos em “objetivo” e “subjetivo”; enquanto um
tinha uma função, o outro era uma forma de expressão, e,
ao observar que ambas se encontram em alguns campos da
indústria, decidiu qual das áreas mais gostava.
Depois de estagiar em várias agências de publicidade e
propaganda em Brasília e ficar durante anos em um ritmo
de trabalho massivo no computador com ferramentas como
Photoshop, Illustrator, entre outras, acabou se sentindo infe-
liz e frustrada pela falta do “fazer artístico” e sua parte manu-
al. Foi então em um Workshop que teve seu primeiro contato
com caligrafia e lettering, a oportunidade perfeita de inserir
essa técnica ao Design e a maneira de como trabalha, dando
início a sua jornada ao mundo das letras.
Natália estuda caligrafia e lettering desde 2015 e começou
a trabalhar em 2016. Ela acha que o mercado em Brasília é
relativamente novo, então está bem aquecido para a inserção
de novos profissionais voltados para o trabalho com painéis
de festas, casamentos ou então murais para restaurantes e ca-
sas, tendo possibilidades infinitas e abrindo espaço também
para a personalização de objetos, materiais virtuais como
convites, capas de revistas, propagandas, entre outros.
— “Acredito que sempre haverá mercado, e aqui em Bra-
sília o lettering está sendo mais difundido agora.”
Seu processo criativo se baseia em analisar o Briefing e
passar algumas horas olhando livros, Pinterest e até mesmo
o Instagram, que servem como referência de composição; o
próximo passo é esboçar suas primeiras ideias e refinar os
rascunhos, até chegar a um resultado que goste. É essencial
pra quem quer entrar na área do Design e atuar no Lettering,
investir em cursos e livros, ter contato com professores e
pessoas que querem aprender, estar sempre praticando e em
constante aprendizado. Ainda segundo ela, um lettering bem
executado e com base sólida depende da dedicação para o
estudo de caligrafia também. — “Outra dica é ter paciência,
porque o começo costuma ser difícil mesmo. Não vai ser em
um ou dois meses que a sua técnica vai ser impecável. Parece
que você nunca vai dar conta de fazer as letras do jeito que
você quer, mas uma hora sai. Prática, prática e prática.”
Mesmo após todo esse processo de aprendizagem, os
novos profissionais têm encontrado dificuldade em traba-
lhar com aquilo que gostam. Natália explica que o público
vai consumir o que temos para mostrar a eles e conta que
suas primeiras oportunidades foram com ajuda de ami-
gos, ao usar a parede para desenvolver toda a sua arte es-
crita e a se autopromover com a criação de seu portfólio
no Instagram. — “Mesmo que você não tenha clientes
reais nesse primeiro passo, seja seu próprio cliente. Faça o
convite do jeito que você quiser, monte seu portfólio, di-
vulgue, que os trabalhos vão aparecer. Acho o Instagram
uma ferramenta incrível para divulgação. Mostre para as
pessoas o que você sabe fazer dentro daquilo que você
pretende trabalhar, vai dar certo.” Declarou.
DUAS ASAS Brasília, segunda-feira, 10 de junho de 2019
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