Revista Duas Asas vol 1 | Page 38

Caligrafia Por RAQUELCÂMARA Atenta ao mercado de trabalho, Raquel já se especializou em três tipos de segmentos de Lettering: cursos, marca e identidade visual, e murais Fotos: Arquivo Pessoal Quem é designer certamente já ouviu falar sobre Lettering, a arte de desenhar e personalizar letras com o objetivo de transmitir uma determinada mensagem. A sua aplicação varia, desde a criação de Branding, embalagens, estampas, fins editorais, até objetos decorativos. O que pode parecer fácil, exige conhecimento técnico, concentração e calma. Em Brasília, alguns dos profissionais dessa área esbanjam habilidade e se destacam pela sua criatividade. Natural de João Pessoa, Paraíba, Raquel Câmara vive em Brasília desde 1997, aonde se formou em Publicidade e Propaganda e em Letras japonês pela Universidade de Brasília (UnB). Foi ainda fazendo curso de Língua e Lite- ratura Japonesa onde teve seu primei- ro contato com letras, especialmente com caligrafia, e, passando várias horas treinando a escrita de palavras, foi des- pertado em si o seu interesse no dese- nho de letras. Após concluir seu curso, resolveu entrar em Publicidade, a qual julgava ser uma área mais próxima do Design e também uma oportunidade de estudar matérias de outro curso. Com toda a experiência adquirida com está- gios, contatos com professores e profis- sionais do Design, já atua na área desde 2012. — “Brinco que graduei em publi- cidade, mas saí formada para o Design.”. Atenta ao mercado de trabalho, Ra- 38 DUAS ASAS Brasília, segunda-feira, 10 de junho de 2019 quel já se especializou em três tipos de segmentos de Lettering: cursos, marca e identidade visual, e murais. Na área de marca e identidade visual sempre aparecem interessados, po- rém não tem sido tão fácil fechar es- ses trabalhos; em seu caso, costuma trabalhar com pequenos empresários que abriram um negócio e buscam ter sua própria identidade, mas dadas as circunstâncias do mercado em crise, e tendo em vista que isso seria apenas um investimento secundário, os con- tratantes acabam dando prioridade a outras necessidades da empresa; o que é muito diferente no caso dos murais, onde recebe pedidos de orçamento quase todos os dias, mas apesar da grande demanda, Raquel enxerga essa área ainda banalizada e pouco madura em Brasília, vendo que muitas pesso- as não têm cobrado o real valor que de fato, esse trabalho exige, seja por insegurança, falta de experiência na área ou simplesmente a necessidade de fechar negócio sem precisar com- petir com outros profissionais. — “Os profissionais precisam estar em maior contato entre si, entender que a valori- zação da profissão se dá a partir deles e que quanto mais você se especializa na área por meio de estudos, cursos e pela própria prática em si, o valor que você cobra deve estar de acordo com o seu investimento financeiro e pessoal.” Inspirada por tudo que está a sua volta, principalmente sons e natu- reza, Raquel gosta de trabalhar com música ou com o barulho do ambien- te que segue o ritmo ora agitado, ora calmo; também gosta da luz do sol que incide na janela ou a chuva que cai forte do lado de fora, fazendo um grande impacto na maneira em como se sente e a guiando na realização do trabalho, especialmente em projetos de murais onde é sua veia mais au- toral, fortemente influenciada pelo momento. — “Não é algo tão sim- ples e posso levar horas para chegar a uma solução, mas gosto de traduzir isso de uma forma que quem olhe possa apenas apreciar todas as sen- sações que aquele projeto desperta.” Para aqueles que desejam ingressar na carreira de Lettering, Raquel reco- menda a seguinte ordem: experimen- tos, estudos e práticas. São nos excessos de euforia de desenhar e fazer coisas diferentes que se descobre esse mundo e as possibilidades que ele te dá sem o medo de ser julgado e sendo livre, de- pois é natural que sua técnica se apri- more e você veja o que fez com outro olhar; é nesse momento que você per- cebe que está evoluindo. — “O Lettering é um constante aperfeiçoamento e praticar te ajuda a melhorar seu olhar, sua noção de es- paços, formas e composição de letras. Por último, aproveite. Sinta prazer no que está fazendo e não torne isso uma obrigação de fazer algo perfeito. Muito do sentido do lettering está no durante e não no resultado final.” Ainda segundo ela, até encontrar o caminho profissional, e fazermos algo que realmente gostamos, passaremos por coisas que não nos agradam tan- to; essa ainda é uma área pouco valo- rizada em um país em que muito não enxerga a cultura como algo necessá- rio, que ainda tendem a ser subjugadas quando comparada a outras profissões. — “Sempre que possível apresente seu trabalho para pessoas, pergunte quem tem interesse em adquiri-lo e não tenha medo de arriscar quando a oportuni- dade surgir. Você vai escutar muitos nãos e se decepcionar algumas vezes. Até hoje eu passo por isso e sei que as chances de passar novamente são gran- des. Mas às vezes é o resultado de um trabalho, é como você se sentiu durante, como você faz os outros se sentirem de- pois que te coloca de volta nos trilhos. DUAS ASAS Brasília, segunda-feira, 10 de junho de 2019 39