Caligrafia
Por RAQUELCÂMARA
Atenta ao mercado de trabalho, Raquel já se especializou em três tipos
de segmentos de Lettering: cursos, marca e identidade visual, e murais
Fotos: Arquivo Pessoal
Quem é designer certamente já
ouviu falar sobre Lettering, a
arte de desenhar e personalizar
letras com o objetivo de transmitir
uma determinada mensagem.
A sua aplicação varia, desde a
criação de Branding, embalagens,
estampas, fins editorais, até
objetos decorativos. O que pode
parecer fácil, exige conhecimento
técnico, concentração e calma. Em
Brasília, alguns dos profissionais
dessa área esbanjam habilidade e
se destacam pela sua criatividade.
Natural de João Pessoa, Paraíba,
Raquel Câmara vive em Brasília desde
1997, aonde se formou em Publicidade
e Propaganda e em Letras japonês pela
Universidade de Brasília (UnB). Foi
ainda fazendo curso de Língua e Lite-
ratura Japonesa onde teve seu primei-
ro contato com letras, especialmente
com caligrafia, e, passando várias horas
treinando a escrita de palavras, foi des-
pertado em si o seu interesse no dese-
nho de letras. Após concluir seu curso,
resolveu entrar em Publicidade, a qual
julgava ser uma área mais próxima do
Design e também uma oportunidade de
estudar matérias de outro curso. Com
toda a experiência adquirida com está-
gios, contatos com professores e profis-
sionais do Design, já atua na área desde
2012. — “Brinco que graduei em publi-
cidade, mas saí formada para o Design.”.
Atenta ao mercado de trabalho, Ra-
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DUAS ASAS Brasília, segunda-feira, 10 de junho de 2019
quel já se especializou em três tipos
de segmentos de Lettering: cursos,
marca e identidade visual, e murais.
Na área de marca e identidade visual
sempre aparecem interessados, po-
rém não tem sido tão fácil fechar es-
ses trabalhos; em seu caso, costuma
trabalhar com pequenos empresários
que abriram um negócio e buscam ter
sua própria identidade, mas dadas as
circunstâncias do mercado em crise,
e tendo em vista que isso seria apenas
um investimento secundário, os con-
tratantes acabam dando prioridade a
outras necessidades da empresa; o que
é muito diferente no caso dos murais,
onde recebe pedidos de orçamento
quase todos os dias, mas apesar da
grande demanda, Raquel enxerga essa
área ainda banalizada e pouco madura
em Brasília, vendo que muitas pesso-
as não têm cobrado o real valor que
de fato, esse trabalho exige, seja por
insegurança, falta de experiência na
área ou simplesmente a necessidade
de fechar negócio sem precisar com-
petir com outros profissionais. — “Os
profissionais precisam estar em maior
contato entre si, entender que a valori-
zação da profissão se dá a partir deles
e que quanto mais você se especializa
na área por meio de estudos, cursos e
pela própria prática em si, o valor que
você cobra deve estar de acordo com o
seu investimento financeiro e pessoal.”
Inspirada por tudo que está a sua
volta, principalmente sons e natu-
reza, Raquel gosta de trabalhar com
música ou com o barulho do ambien-
te que segue o ritmo ora agitado, ora
calmo; também gosta da luz do sol
que incide na janela ou a chuva que
cai forte do lado de fora, fazendo um
grande impacto na maneira em como
se sente e a guiando na realização do
trabalho, especialmente em projetos
de murais onde é sua veia mais au-
toral, fortemente influenciada pelo
momento. — “Não é algo tão sim-
ples e posso levar horas para chegar
a uma solução, mas gosto de traduzir
isso de uma forma que quem olhe
possa apenas apreciar todas as sen-
sações que aquele projeto desperta.”
Para aqueles que desejam ingressar
na carreira de Lettering, Raquel reco-
menda a seguinte ordem: experimen-
tos, estudos e práticas. São nos excessos
de euforia de desenhar e fazer coisas
diferentes que se descobre esse mundo
e as possibilidades que ele te dá sem o
medo de ser julgado e sendo livre, de-
pois é natural que sua técnica se apri-
more e você veja o que fez com outro
olhar; é nesse momento que você per-
cebe que está evoluindo.
— “O Lettering é um constante
aperfeiçoamento e praticar te ajuda a
melhorar seu olhar, sua noção de es-
paços, formas e composição de letras.
Por último, aproveite. Sinta prazer no
que está fazendo e não torne isso uma
obrigação de fazer algo perfeito. Muito
do sentido do lettering está no durante
e não no resultado final.”
Ainda segundo ela, até encontrar o
caminho profissional, e fazermos algo
que realmente gostamos, passaremos
por coisas que não nos agradam tan-
to; essa ainda é uma área pouco valo-
rizada em um país em que muito não
enxerga a cultura como algo necessá-
rio, que ainda tendem a ser subjugadas
quando comparada a outras profissões.
— “Sempre que possível apresente seu
trabalho para pessoas, pergunte quem
tem interesse em adquiri-lo e não tenha
medo de arriscar quando a oportuni-
dade surgir. Você vai escutar muitos
nãos e se decepcionar algumas vezes.
Até hoje eu passo por isso e sei que as
chances de passar novamente são gran-
des. Mas às vezes é o resultado de um
trabalho, é como você se sentiu durante,
como você faz os outros se sentirem de-
pois que te coloca de volta nos trilhos.
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