A primeira vez que vi uma produção oriental foi ainda na infância, com os animes como Pokémon, Yugi-Oh, Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball. Acredito que ali foi quando a sementinha do Oriente foi plantada em minha mente, e o meu fascínio pelo outro lado do mundo despertou de vez.
Outra parte da cultura do Oriente que me atrai bastante é originária da Coreia do Sul, com seus inúmeros doramas e um vasto repertório musical.
Confesso que me apaixono por histórias que possuem um visual completamente “absurdo”, como uma disputa mortal por prêmios milionários ou conflitos escolares que envolvem uma garota com dupla personalidade.
Mas, quando se trata de cinema, o meu encanto se deu com uma história sobre uma criatura mutante que saiu do fundo dos oceanos, do aclamado diretor de Parasita, Bong Joon-ho. Naquela época, porém, ele era só alguém que estava começando a sua carreira, mas que já tinha um enorme potencial para o sucesso.
O sucesso das produções sul-coreanas atingiu o ápice com a vitória do filme Parasita na categoria de Melhor Filme no Oscar de 2020, sendo o primeiro longa metragem em língua estrangeira (cujo o idioma falado não é o inglês) a ganhar na categoria.
A Coreia do Sul começou a produzir seus primeiros filmes no começo do século XX, e atingiu um ponto de excelência nos anos 50, considerados como a “Era de Ouro” do cinema sul-coreano.
Em 1961, porém, um golpe militar deu início a um longo período de ditadura, que durou 26 anos. Foi instaurado um movimento de censura e as leis dificultavam a criação de estúdios.
Depois do período militar, foram criados um conselho cinematográfico, uma academia de cinema e um arquivo do cinema coreano. Tudo isso fez parte de uma política do país para promover a chamada “Onda Coreana” ao investir em diferentes setores culturais.
O apoio do poder público e de empresas como Hyundai e Samsung proporcionou a criação de festivais de cinema locais, como o de Busan, um dos mais importantes da Ásia atualmente.
Desde então, grandes filmes como Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006), A Criada (2016) e Em Chamas (2018) se destacaram no mercado internacional, conquistando prêmios e atraindo a atenção para o cinema que é produzido na Coreia do Sul.
Tudo isso reforça que a cultura sul-coreana não é exatamente recente, mas sim fruto de uma construção que foi amplamente difundida com o passar do tempo na sociedade daquele país, extrapolando-se para o mundo inteiro.
Advogado especialista em Direito Digital, estudante de Jornalismo e crítico de cinema. Falo de cinema no Instagram e no Youtube, e deixo minha mente viajar pelos mais diferentes universos, passando por galáxias muito, muito distantes, através de uma cabine telefônica azul.