Revista de Medicina Desportiva Julho 2020 - Page 7

entre a quantidade de CAC e o risco de futuros acidentes cardiovasculares. 2 É uma ferramenta cada vez mais usada na avaliação do risco cardiovascular do atleta veterano e naqueles com alterações na prova de esforço. Tendo por base os dados de resultados recentes de DeFina et al. 3 , segue-se uma discussão abreviada sobre o tema, centrada na gestão de doentes-atletas com scores elevados de calcificação coronária no contexto da medicina desportiva. Atividade física, nível de cálcio coronário e resultados cardiovasculares – maior atividade física protege em todos os níveis de calcificação coronária Existe preocupação sobre o dano potencial de níveis extremos de exercício físico, sobretudo através da libertação de troponinas cardíacas e de péptidos natriuréticos, dilatação e disfunção cardíaca) 4 , e do reconhecimento de que a atividade física intensa está associada a níveis mais elevados de cálcio coronário, pelo que se levantam dúvidas relativamente à segurança na prescrição de atividade física de alta intensidade. A associação de CAC e o risco de mortalidade em diferentes níveis de atividade física foi avaliada num estudo, publicado em 2019, que envolveu 21758 homens saudáveis (51.7±8.4 anos de idade), sem doença cardiovascular prevalente. 3 Verificou-se que os homens mais ativos, pelo menos 3000 MET-min/semana, tinham maior probabilidade de terem CAC de pelo menos 100AU (RR 0 1.11; 95% IC, 1.03-1.20) em comparação com os sujeitos menos ativos. Neste mesmo grupo, os que tinham CAC > 100AU eram os que tinham um perfil de risco metabólico maior (valores mais elevados de pressão arterial basal, maiores concentrações de glicose e de triglicerídeos) que os sujeitos com CAC inferior a 100AU. 3 A concentração de glicose basal é um elemento a considerar na abordagem prognóstica destes sujeitos, pois noutro estudo, a elevação da glicemia basal esteve associada ao aumento da espessura da camada íntima-média carotídea (EIC) em maratonistas, a qual é usada para avaliar o risco cardiovascular e a progressão da ateroesclerose vascular. 4 Neste estudo participaram 38 maratonistas masculinos (45.8 ±.3 anos de idade), que foram seguidos durante 3.8±0.4 anos, tendo participado em 7 (4-12) maratonas. A EIC aumentou 0.013±0.023 mm/ ano, mas não foi possível associar os efeitos do treino e o número de competições na progressão da EIC. Nas conclusões, os autores referiram que os níveis elevados de glicemia estão associados a efeitos deletérios nos vasos sanguíneos em corredores da maratona saudáveis. 4 Voltando ao estudo de Laura F. DeFina, L. F et al., verificou-se que no grupo com CAC de pelo menos 100 AU, os sujeitos com pelo menos 3000 MET-min/semana não tiveram aumento significativo na mortalidade por todas as causas (HR = 0.77, 95% IC, 0.52-1.15), quando comparados com os homens fisicamente menos ativos (menos de 1500 MET-min/ semana), pelo que os autores concluíram que o “estudo sugere que há evidência que níveis elevados de atividade física (3000 MET-min/semana) estão associados a CAC prevalente, mas não estão relacionados com o aumento da mortalidade por todas as causas ou por causa cardiovascular após uma década de seguimento, mesmo na presença de níveis de CAC clinicamente significativos. 3 Recomendações para atletas com scores elevados de calcificação coronária De acordo com os autores, um score de CAC igual a zero indica um perfil de risco muito baixo, independentemente de outros fatores de risco cardiovasculares, mas a presença de CAC obriga a avaliação do risco cardiovascular, onde a existência de cálcio nas artérias pode dever- -se a exposição a fatores de risco em idades mais jovens, com consequente formação de placas ateroescleróticas, que a mudança do estilo de vida entretanto não eliminou. Os estudos têm referido que atletas de resistência têm scores de CAC que os da mesma idade não atletas, o que coloca problemas sobre o modo como atuar e decidir a participação desportiva. 2 A presença de CAC fmup online Ensino a distancia, um futuro de oportunidades PÓS-GRADUAÇÕES candidaturas até 18 de agosto de 2020 ESPECIALIZAÇÃO EM MEDICINA DESPORTIVA 50 ects b-learning destinatários Licenciados ou Mestres em Medicina REABILITAÇÃO EM MEDICINA DO EXERCÍCIO E DESPORTO 50 ects b-learning destinatários Licenciados em Fisioterapia, Enfermagem, Educação Física ou outros licenciados na área da saúde associados ao desporto mais informações fmuponline.med.up.pt fmuponline@med.up.pt 22 042 6922 Revista de Medicina Desportiva informa julho 2020· 5