Revista de Medicina Desportiva Julho 2020 - Page 37

Figura 2 - Man out. Foto: APD Braga - BCR Figura 3 - Propulsão anterior https://people.com/sports/paralympics-2020-athletes-to-watch-interviews Figura 4 - Tilting. Foto: APD Braga - BCR atletas com TVM em que a prevalência desta patologia é significativamente menor (36.3%). 1,2,11-13,16 Relativamente às lesões agudas, os dados registados em duas competições internacionais, o Campeonato do Mundo de BCR em 2018 e os Jogos Paraolímpicos de 1992, foram semelhantes. Nestes eventos, as contusões ligeiras foram as lesões mais frequentes, constituindo cerca de 1/3 do total de lesões, acometendo sobretudo os membros superiores (~65%), a região lombar (~20%) e os membros inferiores (~10%). As luxações e entorses constituíram 25% do total de lesões, acometendo os dedos, punho, ombro e região lombar. Uma incidência semelhante de lesões foi atribuída a tendinites ou bursites do membro superior (ombro, cotovelo e punho). Em 15% dos casos, as lesões registadas foram fraturas da mão. Uma vez que estes dados foram recolhidos no âmbito de estudos observacionais transversais, não foi possível avaliar o time loss associado a estas lesões. 11,14 Nos atletas de BCR são de considerar outros aspetos clínicos que podem condicionar um time loss prolongado e que não estão diretamente relacionados com a modalidade. É o caso das úlceras de pressão em atletas com TVM, que surgem tipicamente na região do ísquio, sacro e região paravertebral e que implicam a paragem da prática desportiva até resolução do quadro. 1,2 O padrão de lesão entre atletas masculinos e femininos não difere em termos de localização, distinguindo-se, contudo, no mecanismo, registando-se maior percentagem de lesões por contacto em jogadores, enquanto nas jogadoras as lesões sem contacto (por quedas da cadeira, a título de exemplo) são mais comuns. 2 Conclusão Numa era em que se reivindica a necessidade de reforçar a inclusão social e o respeito pela diversidade, o desporto adaptado pode ser encarado como uma ferramenta promotora de inclusão dos cidadãos com mobilidade condicionada. Da revisão bibliográfica realizada foi evidente que, no caso particular de atletas com traumatismos vertebromedulares, o ombro é a articulação mais acometida por processos crónicos de lesão, não só inerentes à prática desportiva, como também às atividades de vida diárias. As lesões agudas mais frequentes são de natureza microtraumática e benigna, seguidas das luxações/entorses, tendinites/bursites e, por fim, as fraturas. Os membros superiores e a musculatura paravertebral são as regiões anatómicas mais comumente afetadas. Este estudo apresenta algumas limitações, como sendo o reduzido número de artigos encontrados relativos ao perfil traumatológico da modalidade, a maioria dos estudos pesquisados são estudos observacionais transversais realizados em competições internacionais em que as lesões tendem a ser mais graves e a inexistência de qualquer estudo a nível nacional. Espera-se que o presente trabalho sirva de alerta e de estímulo para futuros estudos que abordem a traumatologia desportiva desta modalidade de modo a que seja possível desenvolver estratégias de prevenção das lesões mais típicas da modalidade. Bibliografia 1. Huzmeli, E.; Katayifci, N.; Hallaceli, H. Injuries in Wheelchair Basketball Players, New Trends and Issues Proceedings on Advances in Pure and Applied Sciencies, 2017; 8:29-35. 2. Rocco, F.; Saito, E. Epidemiology of sportive injuries in basketball wheelchair players. ACTA FISIATR, 2006; 13(1):17-20. 3. Hanks, M.; Oliver; G. Muscle Activation Patterns in Wheelchair Basketball Athletes with 4. and without Physical Disability. Int J Physiatry 2018, 4:013. 5. Goosey-Tolfrey, V. Wheelchair Sport: A complete guide for athletes, coaches, and teachers. 2010, pp.119-132. 6. L. S. Antonietti et al. Comparative evaluation in spinal cord injured sedentary patients and wheelchair basketball players. Rev. Neurosci. 2008; 16(2):90-96. 7. L. Engebretsen et al. Sports injuries and illnesses during the London Summer Olympic Games 2012. Br. J. Sports Med. 2013; 47(4):407-414. Restante Bibliografia em: www.revdesportiva.pt (A Revista Online) Revista de Medicina Desportiva informa julho 2020· 35