Revista de Medicina Desportiva Julho 2020 - Page 36

Figura 1 – Stoke Mandeville Games for the Paralyzed www.greece-is.com/the-paralympic-games-how-it-all-started de rodas para o local que pretende no menor intervalo de tempo, será pouco relevante para a competição a destreza com que executa um passe ou finaliza um lançamento. 3,9 Os padrões de movimento do atleta em cadeira de rodas incluem: propulsão anterior, propulsão posterior, viragem, pivot, paragem, tilting e hopping: 4 • Na propulsão anterior o atleta coloca as mãos nas rodas às 12h, com o polegar paralelo ao corpo e os restantes dedos segurando na roda, flete o tronco anteriormente e termina o movimento largando as rodas às 3h (Figura 3) • A propulsão posterior é, na maior parte do seu arco de movimento, o inverso da propulsão anterior, iniciando-se com as mãos nas rodas às 3h que as puxam até à posição 12; na fase final do movimento há uma inclinação ativa para trás contra o encosto da cadeira • Os movimentos de viragem e pivot implicam ações de propulsão distintas nas duas rodas. Na viragem para a esquerda, por exemplo, há propulsão anterior com a roda direita e propulsão anterior mínima ou inexistente com a roda esquerda, enquanto no pivot há propulsão anterior com uma das rodas e propulsão posterior com a outra, de modo a que o atleta altere a sua orientação mantendo- -se na mesma posição • Quando se pretende a paragem da cadeira de rodas é necessário que o atleta execute um bloqueio dos braços e cotovelos enquanto segura as rodas e empurra ativamente o encosto • o tilting e o hopping são técnicas utilizadas pelos atletas para criarem espaço e obterem vantagem em altura face aos adversários. Estes gestos consistem, respetivamente, na inclinação lateral do corpo que provoca a inclinação da cadeira de rodas de modo a que uma das rodas não contacta com o solo (Figura 4) e na aplicação de força corporal com o corpo lateralmente de modo a que a cadeira de rodas dê um pequeno salto. Perfil traumatológico O basquetebol é a segunda modalidade praticada em cadeira de rodas com uma prevalência lesional maior, sendo superado apenas pelo atletismo. 1,2 Sendo uma modalidade profissional, a exigência que é inerente ao BCR leva ao aumento do risco de lesões relacionadas com a prática desportiva. 2 A nível nacional, as competições de BCR que decorrem anualmente incluem o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, o Campeonato Nacional da 2ª Divisão, a Taça de Portugal e a Supertaça. Os atletas internacionais competem, ainda, na Divisão C do Campeonato Europeu de BCR. Na maioria das equipas de BCR, a inexistência de um departamento Quadro 1 Classe Descrição médico organizado faz com que não exista um programa definido para a prevenção da lesão e nem seja promovida a educação do atleta para as lesões inerentes à modalidade e estratégias individuais de prevenção. A falta de acompanhamento médico das equipas dificulta, ainda, a documentação das lesões e o acompanhamento das mesmas, o que explica a escassez de literatura científica relativa ao padrão lesional no BCR. Assim, a maioria dos estudos epidemiológicos disponíveis cinge- -se aos realizados durante competições internacionais, nomeadamente Campeonatos do Mundo e Jogos Paraolímpicos. De acordo com a literatura disponível, as lesões localizam-se predominantemente no tronco e membros superiores, o que difere substancialmente do basquetebol convencional, onde o joelho e o tornozelo são as articulações mais afetadas por lesões. 11 Nos diferentes artigos analisados, é consensual que o ombro é a articulação mais frequentemente acometida, sobretudo por mecanismos de overuse, o qual se deve, em parte, ao facto das equipas serem constituídas na sua maioria por jogadores com TVM, que solicitam de forma constante esta articulação, não só na prática desportiva, como também nas atividades de vida diárias e nas transferências. Um estudo recente demonstrou que a patologia da coifa dos rotadores é a que afeta mais frequentemente o ombro de atletas com TVM de modalidades overhead, sendo que em 75.7% dos casos há rotura da coifa dos rotadores, contrastando com indivíduos não 1.0 Não há equilíbrio funcional na CR sem a presença de um encosto. O tronco não pode ser movido em nenhum sem o auxílio de pelo menos um MS 2.0 Equilíbrio funcional satisfatório na CR sem a presença de um encosto. Os jogadores conseguem rodar o tronco para a direita e para a esquerda 3.0 Ótimo equilíbrio na posição sentada. Bons movimentos do tronco nos planos sagital e horizontal, sem o auxílio de nenhum dos MS 4.0 Ótimo equilíbrio na posição sentada e bons movimentos do tronco em todos os planos 1.5; 2.5; 3.5 Jogador com características intermédias entre duas classes 4.5 Incapacidade funcional mínima, como amputação unilateral transtibial ou do pé ou outras disfunções parciais de um único MI Legenda: CR – Cadeira de Rodas; MI – Membro Inferior; MS – Membro Superior 34 julho 2020 www.revdesportiva.pt