Revista de Medicina Desportiva Julho 2020 - Page 34

tradicional conceito de vestuário inspirado no desporto, mais específico para exercícios e atividades ao ar livre, mas cada vez mais conhecida por Athleisure (combinação inglesa de atlético com lazer), representa uma das maiores transformações dos últimos anos no mundo da moda. A Adidas já apostou numa coleção criada por Stella McCartney e a Nike lançou inclusive ténis com salto alto. Além de grandes marcas de desporto como Nike, Adidas e Under Armour, fornecedores de moda como GAP, H&M, Zara, Desigual, Only e Oysho, entraram também no movimento e desenvolveram as suas próprias coleções de desporto. Um exemplo é a coleção desportiva Ivy Park, lançada pela Topshop junto com a cantora Beyoncé. Mas acima de tudo foram as pequenas marcas e lojas orientadas ao design que deram uma nova vida à indústria do desporto. As etiquetas como Outdoor Voices, Alala, Under the Same Sun, Lole, Aday, The Upside e Fabletics, que foi cofundada pela atriz Kate Hudson, oferecem coleções altamente funcionais que não anunciam com esforço e suor, mas sim com moda e cores. Surgiram também vendas on-line especializadas como carbon38.com, bandier.com, jaggad. com e pe-nation.com. p.e.nation https://www.womenshealth.com.au/activewear-trends-2020 Ryu https://www.themanual.com/fashion/best- -workout-clothing-brands-for-men/ Helder Costa Clube Manager Parque da Aguda Sapatilhas para correr, quais? A caminhada e a corrida são dos exercícios físicos que exigem menos disponibilidade financeira para o praticarmos. De facto, basta calçar umas sapatilhas. No entanto, a escolha do calçado deve ser cuidadosa, deve ter em conta o objetivo a que nos propomos, o nosso estado de saúde em geral, bem como o tipo de exercício que queremos praticar. Então, como fazer a escolha certa? Como começar? Antes de escolhermos o tipo de calçado devemos primeiro questionar- -nos sobre a nossa individualidade biológica: o meu sistema articular, muscular, respiratório e cardiovascular estão minimamente aptos para iniciar algo como o que pretendo? Será o meu movimento técnico o mais apropriado? Seguir as premissas do treino é, também, fundamental. Devemos iniciar de uma forma mais simples e ir progredindo ao longo do tempo, tendo sempre em consideração as manifestações do nosso corpo. Por exemplo, se iniciarmos com uma caminhada devemos ir aumentando o seu tempo ou a distância percorrida nesse tempo. Se tivermos de alternar momentos de corrida com momentos de caminhada devemos fazê-lo e aí estamos a tornar o exercício específico à nossa individualidade/necessidade. Podemos e devemos procurar, às vezes, ir mais além utilizando uma sobrecarga na corrida. É do mesmo modo essencial adaptar-nos e estar atento aos sinais de modo a produzirmos uma prática efetiva e segura. Desta forma, continuaremos a evoluir de forma sistemática e sistematizada evitando a reversibilidade das competências adquiridas e acima de tudo possíveis lesões. Assim, a heterocronia será respeitada e podemos evoluir ao nosso ritmo, sempre conscientes que adquirir resistência será sempre uma tarefa que leva o seu tempo e temos que respeitar os períodos de descanso entre as corridas e treinos. Que sapatilhas devo escolher? Existe uma infinidade de sapatilhas no mercado. Escolher por vezes torna-se uma questão quase hercúlea mediante tanta oferta. Contudo, fazer a escolha certa é fundamental para aumentar a performance e evitar lesões. A importância da escolha certa é ainda diretamente proporcional ao nível de exigência associado ao exercício que queremos praticar. O que ter em conta na nossa escolha… Assim, ficam algumas características a ter em conta (Soares, 2015): Tacão: Uma ligeira curvatura para evitar a rotação e facilitar o contacto com o solo; Amortecimento: Uma boa zona de amortecimento logo a seguir à sola; Drop: O calcanhar fica mais elevado do que a parte dianteira, de forma a absorver o impacto e a favorecer a transição; Ponte: peça mais rígida que ajuda na estabilidade, evitando torções desnecessárias. Sola: deverá procurar um tipo de sola que se adapte ao terreno que utiliza com mais frequência; tanto em termos de durabilidade, como de conforto; Cordões: é importante que envolva todo o pé, que se ajuste de forma perfeita, sem exercer uma pressão excessiva. Corpo: o praticante deve, acima de tudo, sentir conforto e o envolvimento do pé; “Colar”: deve ser suficientemente alto para não dar a sensação que o pé vai sair, mas sem comprometer a articulação do tornozelo. Cunha interna: deve ser firme, sem ser demasiado rígida, para estabilizar o impacto e evitar a pronação (que acontece quando à uma rotação interna excessiva do pé e do tornozelo) Recomendações para uma melhor escolha… Segunda (Soares, 2015) devemos seguir as seguintes recomendações para a escolha do calçado: • Quanto maior o nível, mais exigente deve ser a escolha do calçado; • Para as distâncias mais longas, o calçado deve ser mais leve, mas com maior proteção; • O calçado de competição não deverá ultrapassar os 250-300g; • A meia sola deverá ter os seguintes requisitos em termos de altura: para treinar: mais grossa,3cm; para competir: mais fina, 2cm; • O piso deve ser mais liso no calçado de competição e mais recortado para treino; • A pala deverá ser mais espessa para treinar e mais ligeira para competir. Caminhar, correr e até treinar para uma prova deve fazer parte do nosso plano de vida saudável. No entanto, todas as escolhas devem ser realistas e otimizadas, tendo em vista tirarmos o melhor partido do nosso corpo. Referências 1. Soares, J. (2015). Running - Muito mais que correr. Porto: Porto Editora. 32 julho 2020 www.revdesportiva.pt