Revista de Medicina Desportiva Julho 2020 - Page 22

articulares, na restauração da normal cinemática do ombro e na preparação para a progressão para atividades fora de água. 10 O processo de reabilitação deve igualmente incluir um programa progressivo de reforço muscular, dirigido aos músculos da coifa dos rotadores, estabilizadores da escápula e do deltoide. A articulação escapulotorácica e a musculatura escapular possuem um papel essencial na função global do ombro. A escápula atua como base estável, permitindo a elevação e a rotação da cabeça umeral durante atividades funcionais. É, portanto, essencial que os programas se foquem na melhoria da estabilidade proximal desta região antes de progredir para os segmentos mais distais. 9 A alteração do posicionamento escapular, especificamente o seu tilt anterior, mostrou limitar os movimentos de rotação interna na articulação glenoumeral e parece contribuir para o desenvolvimento de múltiplas patologias do ombro. Por outro lado, a cinemática escapular e o ritmo escapuloumeral anormais parecem ser causados pela dor associada à lesão, rigidez dos tecidos moles e desequilíbrios da atividade e força muscular. 11 Estudos prévios demonstraram que indivíduos com patologia da coifa dos rotadores e dor apresentam redução da força a nível do músculo serratus anterior, uma ativação precoce e hiperatividade do trapézio superior e diminuição da ativação das fibras médias e inferiores do trapézio. 12 O desenvolvimento de programas de reabilitação com enfoque nos músculos serratus anterior e trapézio médio/inferior Exercícios pliométricos para o membro superior 10 permitiu melhoria do ritmo escapuloumeral e do posicionamento escapular, contribuindo para o melhor desempenho da coifa dos rotadores em atividades funcionais. 9 Globalmente, deve iniciar-se o reforço muscular por exercícios isométricos em cadeia cinética fechada (abdução, rotação externa/interna) e progredir gradualmente para exercícios isotónicos em cadeia cinética aberta. A fase final do processo de reabilitação deve incluir um programa de reforço e resistência muscular avançados, treino propriocetivo, exercícios pliométricos e atividades funcionais ou específicas de atividade/desporto. Os exercícios pliométricos da extremidade superior demonstraram ser benéficos na melhoria da proprioceção, cinestesia e resistência muscular da coifa dos rotadores. 13 Estes incluem habitualmente exercícios de lançamento, que podem progredir de bimanuais para unimanuais. Conclusão A tendinopatia da coifa dos rotadores é uma entidade comum e pode estar associada a dor e morbilidade substanciais. O diagnóstico pode ser difícil devido à fraca correlação clínica e imagiológica. O tratamento passa por controlar a dor e a inflamação em períodos de exacerbação e realização de um programa de reabilitação progressivo e adaptado à fase da doença em caso de défice de força muscular, amplitudes articulares e funcionalidade. O aconselhamento relativo a medidas de modificação Fortalecimento dos estabilizadores da escápula 10 Fortalecimento dos rotadores externos em decúbito lateral 10 do estilo de vida é também essencial para a melhoria dos outcomes. O autor declara ausência de conflito de interesses, assim como a originalidade do texto e a sua não publicação prévia. Correspondência André Filipe Marques Duarte Rua Sociedade Nacional dos Fósforos, nº 70, 3º andar, habitação 4, 4150-037 Porto. Nº telemóvel: 915955293. andre05marques@gmail.com. Bibliografia 1. White JJ, et al. An epidemiological study of rotator cuff pathology using The Health Improvement Network database. Bone Joint. 2014; 96(3):350-3. 2. Kaux JF, et al. Current opinions on tendinopathy. Journal of Sports Science and Medicine. 2011; 10(2):238-53. 3. Hanchard NC, et al. Physical tests for shoulder impingements and local lesions of bursa, tendon or labrum that may accompany impingement. Cochrane database. 2013; (4):CD007427. 4. 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