Revista de Medicina Desportiva Informa Setembro 2019 - Page 9

desportivo. Já noutro estudo com atletas do netball, que utilizou a actigrafia durante a competição, as duas equipas melhor classificadas tiveram maior duração do sono, com significado estatístico, e melhores perceções individuais da qualidade do sono em relação às equipas com pior classificação. Neste contexto, o autor descreve vários trabalhos que estudaram a relação entre a qua- lidade do sono e o rendimento em alguns aspetos físicos do desporto: resistência, potência anaeróbia, sprint, tempo de reação e precisão, aprendizagem e função executiva, cuja leitura é interessante. Dedica ainda uma secção sobre a relação do sono com a lesão e a doença. Discute vários estudos e todos apontam para a associação entre má qualidade e/ou duração do sono e a maior probabilidade de lesão e, muito importante, o maior risco ocorria quando o maior aumento da carga de treino se associou a menor duração do sono. A acumulação da fadiga terá cer- tamente alguma responsabilidade. Também, a diminuição da imuni- dade e o aumento da incidência das infeções das vias aéreas superiores esteve associada à diminuição do sono. Num dos estudos, em que foram administradas gotas nasais contendo rinovírus, os sujeitos que dormiram menos de 7 h/d tinham risco três vezes superior em relação aos que dormiam mais de 8 h/d. Na secção sobre as intervenções para promover o sono dos atletas é referida a necessidade de identi- ficar precocemente os atletas com insónia, problemas respiratórios a dormir, depressão, ansiedade ou doença concomitante. O estudante- -atleta deve ser acompanhado, pois ao stress competitivo associa-se o stress académico e, pelo meio, algumas viagens e noites dormidas fora do habitat natural. A monito- rização, incluindo registos / ques- tionários diários, é um instrumento importante para identificar e seguir o atleta com problemas de sono. A implementação de boa higiene do sono é importante, onde o ambiente em que o atleta dorme e o horá- rios são fundamentais. Aumentar gradualmente a duração do sono 30 a 60 minutos por noite, “em ambien- tes confortáveis, frescos, escuros, sem aparelhos eletrónicos e com o mínimo de ruído ambiente ou dis- tração” são fundamentais. É referido ainda que a utilização à noite de aparelhos eletrónicos pode suprimir a libertação de melatonina e inter- ferir com o sono. É feita chamada de atenção à restrição de ingestão de cafeína ou de outros estimulantes, de álcool e nicotina, que devem ser evitados à noite. Naturalmente que importa intervir nos horários dos treinos, não só para não os iniciar em contexto de privação do sono, como também não devem interferir com o horário do sono: treinos muito precoces na manhã ou muito tardios no dia devem ser bem equacionados e bem ponderados. A gestão das viagens transmeridianas deve ser cuidada, respeitando a regra de um dia por cada fuso horário atraves- sado antes da competição. Nas conclusões o autor refere que a otimização do sono pode ser essencial para aumentar o desempe- nho em várias atividades atléticas, pois melhora o tempo de reação, a precisão e o desempenho no exercí- cio de resistência, assim como pode ser importante para a prevenção da doença e da lesão, as quais limita- rão a disponibilidade do atleta para treinar. Deve haver cuidado especial sobre o atleta mais jovem. O treino, a competição, as viagens, a ansie- dade, o stress, a variação das cargas são elementos que poderão ser perniciosos e com mais importância no estudante-atleta. Finalmente, os profissionais de saúde e os treina- dores devem dar atenção às progra- mações dos treinos, da competição e das viagens, ao controlo do stress e da ansiedade, à higiene do sono para melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho dos atletas de elite. Texto integral no site da Revista: www.revdesportiva.pt MEDICINA DO FUTEBOL 1. Andrew M. Watson. Current Sports Medicine Reports. 2017; 16(6):413-41 Revista de Medicina Desportiva informa setembro 2019 · 7