Revista de Medicina Desportiva Informa Setembro 2012 - Page 25

ser significativamente maior do que na população geral. Em valor absoluto o intervalo QT é , como vimos, maior nos atletas do que em não atletas, devido á menor frequência cardíaca de repouso6. O valor de QT corrigido situa-se, no entanto, dentro de valores normais, embora com valores médios perto do limite superior – 0,42 segundos. A estratificação do risco Deve usar-se o score de Schwartz, que permite classificar os doentes em risco baixo, intermédio e elevado (Tabela 2). pacemaker cardioversor-desfibrilador ou a ablação do gânglio estrelado9. Quando desqualificar o atleta para a participação competitiva? Basavarajaiah et al8, num estudo observacional, considera o valor do QTc apenas um marcador da repolarização ventricular. O autor concluiu sugerindo que o prolongamento do intervalo QTc para valores borderline (460 mseg < QTc> 500 mseg), em atletas bem treinados, não deve condicionar a desqualificação dos desportos de competição na ausência de outros achados indicativos da SQTL ou doença cardíaca estrutural. Tabela 2. Diagnóstico da síndrome do QT longo na ausência de teste genético – o Score de Schwartz CARATERÍSTICAS Eletrocardiografia PONTOS a) b) Intervalo QT corrigido (QTc) > 480 mseg 3 QTc 460 a 470 mseg 2 QTc 450 mseg (homens) 1 Torsades de pointes 2 Alternância da onta T 1 Onda T com entalhes (3 derivações) 1 Baixa frequência cardíaca (para a idade) 0,5 História clínica c) Síncope com o esforço ou emoção 2 Síncope (outra) 1 História familiar c) História familiar de síndroma de QT longo definido História familiar de morte cardíaca súbita não esperada antes dos 30 anos de idade em familiar do 1.º grau b) 1 0,5 4 = probabilidade muito alta; 2-3 = probabilidade intermédia; 1 = probabilidade baixa QTc prolongado na ausência de drogas que afetem o QTc c) Síncope e os items da história familiar podem apenas incluir 1 entrada na categoria a) b) Devido á não homogeneidade desta síndroma os testes genéticos podem ser úteis no diagnóstico e nas decisões terapêuticas individualizadas como, por exemplo, evitar os despertadores de quarto no LQT3 (“morrer de susto”) e a restrição do exercício físico, em particular a natação no LQT1. Tratamento Como regra geral, está indicada a medicação com bloqueador beta dos probandos e dos familiares afetados. Quando um doente sob medicação beta bloqueadora é acometido por síncope ou paragem cardíaca abortada justifica-se a implantação de um Nos atletas com QTc> 500mseg, pelo contrário, parece razoável e prudente a recomendação de não participação nos desportos de competição. Mesmo assim, os atletas com valores de QTc situados entre 460 e 500 mseg devem ser exaustivamente estudados, com particular atenção aos sintomas de síncope não explicada, antecedentes familiares de morte súbita e à realização de um ECG para rastreio de familiares do 1.º grau, bem como o estudo da variação do intervalo QT durante o teste de esforço. No estudo atrás citado, foi permitida a prática de desportos de competição aos atletas com valores borderline de QTc, não se tendo registado nenhum acidente cardíaco no follow up de quase 3 anos. Revista de Medicina Desportiva informa Setembro 2012 · 23