Revista de Medicina Desportiva Informa Setembro 2012 - Page 21

História natural da FA
Como regra geral a FA progride de episódios paroxísticos curtos e raros para episódios mais frequentes e de maior duração . Ao fim de anos uma proporção significativa de doentes desenvolve formas mantidas de FA 17 .
Tratamento da FA
O tratamento da FA tem como objetivos reduzir os sintomas causados pela arritmia e prevenir as complicações a ela associadas . A prevenção das complicações associadas à FA assenta na terapêutica antitrombótica e no controle da frequência ventricular . Para a melhoria dos sintomas pode ser necessário recorrer a medidas terapêuticas dirigidas a restaurar e / ou manter o ritmo sinusal .
Na estratégia de tratamento a longo prazo da FA os médicos são colocados perante duas opções : aceitar a FA e manter apenas o controle da frequência ventricular ( estratégia de controle da frequência ) ou dirigir o tratamento para a manutenção do ritmo sinusal ( estratégia de controle do ritmo ). As duas estratégias não são , no entanto , mutuamente exclusivas , pois o controle da frequência ventricular é sempre necessário durante os episódios recorrentes de FA nos doentes em que se prossegue a estratégia de controlo do ritmo . Os ensaios clínicos que compararam as duas estratégias não revelaram superioridade de nenhuma delas , quer em mortalidade , quer nos endpoints de morbilidade avaliados . Uma vez que os fármacos antiarrítmicos utilizados para o controle do ritmo têm riscos de efeitos adversos superiores aos utilizados no controle da frequência , as guidelines europeias para o tratamento da FA recomendam que se privilegie o controlo da frequência . No entanto , antes de escolher o controlo da frequência como única estratégia a longo prazo o médico deve considerar qual será o impacto futuro para o doente da FA permanente e qual é o sucesso expectável da estratégia de controlo do ritmo . Os sintomas atribuíveis à FA estão no centro da decisão da estratégia a prosseguir . Entre os fatores que influenciam negativamente o sucesso da estratégia de
controlo do ritmo estão o tempo de evolução da FA , a idade mais avançada , a cardiopatia estrutural mais avançada , aurícula esquerda de maiores dimensões e as comorbilidades . A estratégia de controlo do ritmo está recomendada nos doentes com sintomas persistentes , apesar do controlo da frequência , e deve ser considerada nos doentes mais jovens 18 .
As armas disponíveis para a estratégia de controlo do ritmo são os fármacos antiarrítmicos , a cardioversão elétrica e a ablação por cateter .
Ablação por cateter da FA
Como regra , a ablação por cateter está reservada para os doentes com FA sintomática apesar de terapêutica médica otimizada , incluindo controlo da frequência e controlo do ritmo 18 . O procedimento de ablação é geralmente efetuado em doentes com FA paroxística refratária a pelo menos um fármaco antiarrítmico e sem cardiopatia estrutural ou com doença cardíaca pouco avançada . Esta prática é suportada pelo resultado de estudos randomizados que documentam a superioridade da ablação aos fármacos na manutenção do ritmo sinusal 19-24 . A evidência de superioridade da ablação é menor nas formas de FA persistente e de longa duração e nos doentes com doença cardíaca mais avançada , contextos em que o sucesso da ablação é inferior . Também é menor a evidência de benefício da ablação por cateter como tratamento de primeira linha sem fármacos antiarrítmicos prévios 23 . O procedimento de ablação é tecnicamente exigente e tem riscos reconhecidos . Nos doentes jovens com FA paroxística sintomática e sem cardiopatia estrutural significativa , em face do sucesso da ablação e do risco dos efeitos acessórios da terapêutica antiarrítmica prolongada , é razoável considerar a ablação como tratamento de primeira escolha .
Exercício e risco de FA
Os benefícios da prática regular de exercício estão extensivamente documentados , com benéficos na promoção da saúde e no controlo dos fatores de risco cardiovascular . Existem dúvidas , no entanto , sobre os efeitos cardiovasculares do exercício de endurance quando praticado de forma intensa ou extrema . Várias pequenas séries de publicação recente enfatizaram a possibilidade da relação dessa prática com o aumento de incidência de fibrilhação ou flutter auricular em desportistas . Os estudos reportados de controlo de caso incluíram menos de 300 atletas , com idades entre os 40 e 50 anos , a maior parte dos quais incluíram predominantemente ( mais de 70 % ou exclusivamente ) homens , envolvidos em treinos intensos durante muitos anos . Nestes estudos , o risco relativo de aparecimento de FA aumenta 2 a 10 vezes , mesmo depois de ajustamento para outras variáveis . No estudo catalão de Luis Mont et al , a
Figura 1 – ECG revelando fibrilhação auricular com frequência ventricular entre os 50 e os 60 bpm . Revela igualmente hemibloqueio esquerdo anterior de feixe de his e alterações da repolarização ventricular ( Rui Candeias , Hospital de Faro EPE , Portugal )
Revista de Medicina Desportiva informa Setembro 2012 · 19
História natural da FA Como regra geral a FA progride de episódios paroxísticos curtos e raros para episódios mais frequentes e de maior duração. Ao fim de anos uma proporção significativa de doentes desenvolve formas mantidas de FA17. Tratamento da FA O tratamento da FA tem como objetivos reduzir os sintomas causados pela arritmia e prevenir as complicações a ela associadas. A prevenção das complicações associadas à FA assenta na terapêutica antitrombótica e no controle da frequência ventricular. Para a melhoria dos sintomas pode ser necessário recorrer a medidas terapêuticas dirigidas a restaurar e/ou manter o ritmo sinusal. Na estratégia de tratamento a longo prazo da FA os médicos são colocados perante duas opções: aceitar a FA e manter apenas o controle da frequência ventricular (estratégia de controle da frequência) ou dirigir o tratamento para a manutenção do ritmo sinusal (estratégia de controle do ritmo). As duas estratégias não são, no entanto, mutuamente exclusivas, pois o controle da frequência ventricular é sempre necessário durante os episódios recorrentes de FA nos doentes em que se prossegue a estratégia de controlo do ritmo. Os ensaios clínicos que compararam as duas estratégias não revelaram superioridade de nenhuma delas, quer em mortalidade, quer nos endpoints de morbilidade avaliados. Uma vez que os fármacos antiarrítmicos utilizados para o controle do ritmo têm riscos de efeitos adversos superiores aos utilizados no controle da frequência, as guidelines europeias para o tratamento da FA recomendam que se privilegie o controlo da frequência. No entanto, antes de escolher o controlo da frequência como única estratégia a longo prazo o médico deve considerar qual será o impacto futuro para o doente da FA permanente e qual é o sucesso expectável da estratégia de controlo do ritmo. Os sintomas atribuíveis à FA estão no centro da decisão da estratégia a prosseguir. Entre os fatores que influenciam negativamente o sucesso da estratégia de controlo do ritmo estão o tempo de evolução da FA, a idade mais avançada, a cardiopatia estrutural mais avançada, aurícula esquerda de maiores dimensões e as comorbilidades. A estratégia de controlo do ritmo está recomendada nos doentes com sintomas persistentes, apesar do controlo da frequência, e deve ser considerada nos doentes mais jovens18. As armas disponíveis para a estratégia de controlo do ritmo são os fármacos antiarrítmicos, a cardioversão elétrica e a ablação por cateter. Ablação por cateter da FA Como regra, a ablação por cateter está reservada para os doentes com FA sintomática apesar de terapêutica médica otimizada, incluindo controlo da frequência e controlo do ritmo18. O procedimento de ablação é geralmente efetuado em doentes com FA paroxística refratária a pelo menos um fármaco antiarrítmico e sem cardiopatia estrutural ou com doença cardíaca pouco avançada. Esta prática é suportada pelo resultado de estudos randomizados que documentam a superioridade da ablação aos fármacos na manutenção do ritmo sinusal19-24. A evidência de superioridade da ablação é menor nas formas de FA persistente e de longa duração e nos doentes com doença cardíaca mais avançada, contextos em que o sucesso da ablação é inferior. Também é menor a evidência de benefício da ablação por cateter como tratamento de primeira linha sem fármacos antiarrítmicos prévios23. O procedimento de ablação é tecnicamente exigente e tem riscos reconhecidos. Nos doentes jovens com FA paroxística sintomática e sem car []XB\]\[YۚYX]]K[HXHœX\HXpH\™YZ]X\ܚ[H\\0]XB[X\]ZXHۙYK0H^][ۜY\\HXp[][Y[H[YZ\H\K^\X[H\HB[YX[H]XHY[\H^\X[\0^[][Y[B[YH[YXB[HpHH۝™]ܙ\H\\[ݘ\[\^\[H0Y\[[؜HYZ]\[ݘ\[\\™^\X[H[\[H]X[œ]XYHܛXH[[HB^[XK\X\\]Y[\\Y\™HXXpX[H[]^\[BHX[YYHH[p\B]XHH][Y[H[Y0ꛘXHHX[pH]\]\X[\[H\ܝ\\ˈ\Y\ܝYH۝H\[p\[BY[H ]]\HYY\™[H H L[HXZ[܈\B]XZ\[p\[HYZ[[[Y[H XZ\H HH^\][Y[JHY[[Y[BZ[[[\[H]Z]˜[ˈ\\\Y\[]]™H\\X[Y[HH][Y[H H L^\Y\[\\HZ\[Y[\H]\\p]Z\ˈ™\Y][0HZ\[۝][ BY\H H8$P][[X[p]\X[\H\]pꛘXH[X[\[HLH K][HYX[Y[H[ZX]YZ[\]Y\[\[܈HZ^HH\B[\pY\H\\^p[X[\ ZH[ZX\][H\TKܝY[ B]\HHYYX[H\ܝ]H[ܛXH][X L0 NB