Revista de Medicina Desportiva Informa Novembro 2019 - Page 11

sedentários, com atividade física ligeira, menos de 2h/sem; grupo II – atividade física ligeira, 2 a 4 h/sem; grupo III – atividade física ligeira durante mais de 4h/sem ou vigorosa 2 a 4 h/sem; grupo IV – atividade física vigorosa mais de 4h/sem, ou exercício físico regular intenso, ou desporto competitivo várias vezes por semana. O hazard-ratio (HR) entre os sedentários (Grupo I) e os joggers foi calculado, e estes foram subsequentemente divididos em três grupos: lento, médio e rápido (ver Tabela). Os participantes foram seguidos deste a primeira observa- ção (2001 a 2003) até abril de 2013. Todas as admissões hospitalares foram obtidas e o seguimento por morte foi quase de 100%. A aná- lise da comparação entre as taxas de mortalidade a longo prazo dos corredores dos Grupos II, III e IV e a mesma em relação aos sedentá- rios, Grupo I, revelou Resultados interessantes e a merecer reflexão e aplicação. A mortalidade mais baixa foi encontrada naqueles que corriam entre 1 e 2,4 h/sem, a frequência ótima foi de 2 a 3 vezes / semana (o risco para mais de 3 vezes / semana não foi diferente ao do grupo sedentário) e correr devagar ou a velocidade moderada (os que corriam mais rápido tiveram risco semelhante ao do dos sedentários). A relação entre corrida e mortali- dade revelou associação em forma de “U”: “A mortalidade mais baixa foi encontrada no Grupo II (ligeira) em relação à velocidade, quantidade e frequência da jogging”. Por outro lado, os do Grupo III (moderada) tive- ram taxa de mortalidade significati- vamente maior em relação ao Grupo II (ligeira), mas inferior em relação ao Grupo I (sedentários). Curiosamente, aqueles do Grupo IV (com exercício físico mais intenso) tiveram taxa de mortalidade que não foi diferente da verificada no grupo dos sedentários. Na Discussão os autores referem outro estudo (2014) realizado com 55 mil adultos, dos 18 aos 100 anos de idade, seguidos durante a média de 15 anos, no qual os corredores, em comparação com os não corredores, tiveram entre 30 e 45% de risco infe- rior em relação a mortalidade por todas as causas e por doença cardio- vascular, com “melhoria da expeta- tiva de vida em três anos”. Também neste estudo a maior longevidade foi encontrada naqueles que praticavam a corrida em volume moderado (9,6 a 19,2 km/ semana), com durações entre 50 a 120 minutos / semana, três vezes / semana a velocidade entre de 9,6 e 11,2 km/h. No estudo em análise, o Dr. Peter Schnohr e col calcularam que “doses elevadas de corrida estiveram associadas à perda de, aproximadamente, entre um terço e metade dos benefícios para a mortalidade de causa cardiovas- cular inerentes à prática de cor- rida em doses moderadas”. Treinar muito durante muito tempo poderá “induzir remodelação estrutural patológica do coração e das grandes artérias”, assim como poderá “estar associado a calcificação das artérias coronárias, disfunção diastólica e endurecimento das grandes arté- rias”. Na Discussão fazem questão de diferenciar o treino para a boa saúde e longevidade do treino para a apti- dão física cardiorrespiratória, que exige doses muito maiores cargas de treino, as quais, por sua vez, melho- rarão os fatores de risco cardiovascu- lar, como seja a gordura abdominal, o metabolismo da glicose, valor da fração HDL do colesterol, mas tal volume de treino não “interessa” para a promoção de saúde cardiovas- cular a longo prazo, assim como para a longevidade. Nas Conclusões, os autores referem que se o objetivo é diminuir o risco de morte e melhorar a longevidade deve optar-se por um regime ligeiro-moderado de corrida, que este estudo revelou, a prática de corrida 1 a 2,4 h/sem, no máximo 3 vezes/sem, a velocidade ligeira a moderada, sendo “para muitos adultos um objetivo prático, alcan- çável e sustentável”. Este estudo vem-nos dizer que a prescrição de exercício com intensidade elevada poderá reduzir os benefícios para a saúde alcançáveis em regimes menos intensos. Finalmente, estas conclusões devem ser generalizadas a outros tipos de exercício físico para além da corrida. O texto completo poderá ser encontrado no site da Revista: www. revdesportiva.pt ENSINO PRESENCIAL OU À DISTÂNCIA MEDICINA DO FUTEBOL CANDIDATE-SE JÁ até 15 de janeiro 1. Peter Schnohr et al. Journal of the American College of Cardiology, 2015; 65(5):411-419. http://dx.doi.org/10.106j. jacc.2014.11.023 Revista de Medicina Desportiva informa novembro 2019 · 9