Revista de Medicina Desportiva Informa Março 2019 - Page 25

prévias nos últimos 6 meses (risco relativo de 2.35) foram identifica- dos como grupos de risco de maior incidência de lesões. Da mesma maneira, um estudo retrospetivo em 54 desportistas verificou que as lesões traumáticas no CrossFit foram 3.75 vezes mais frequentes naqueles individuos com história de lesão prévia no segmento atingido nos últimos 6 meses (p=0.04). 9 Neste último estudo, as lesões localizaram- -se mais frequentemente na região lombar (27.5%) e nos ombros (22.5%). Os praticantes referiram que a dor lombar estava associada a exercícios com pesos, as dores dos ombros, cotovelos e punhos com subidas nas argolas e as dores dos joelhos com exercícios de saltos. 9 Por sua vez, um estudo retrospe- tivo em 386 praticantes adultos de CrossFit identificou 19.4% de lesões traumáticas nos seis meses anterio- res à sua avaliação, correspondendo a uma taxa de 2.40 por cada 1000 horas de treino. 3 Foram significativa- mente mais frequentes nos homens em comparação com mulheres (53/231 versus 21/150, p=0.03) e loca- lizaram-se predominantemente nos ombros (n=21), região lombar (n=12) e joelhos (n=11). A maioria das lesões foi aguda (sem história prévia de sintomas no segmento atingido) e classificada como dores inflama- tórias (30.8%) e roturas ligamentares ou musculares ligeiras (17.2%). As roturas musculares graves (3.7%) e as luxações (2.5%) foram pouco frequentes nesta série, o que sugere que a maioria das lesões traumá- ticas do CrossFit foi de duração ligeira, permitindo o rápido regresso à prática desportiva. Os mecanis- mos de lesão predominantes foram a elevação de pesos em exercícios típicos de halterofilismo, contri- buindo para 40% das lesões verifi- cadas, seguindo-se os movimentos de ginástica (20%). Os ombros foram mais lesados durante movimentos de ginástica e a região lombar em movimentos de elevação de pesos. A taxa de lesões foi significativa- mente inferior (p=0.028) nos atletas A A B C C C Figura A – Box no CrossFit Mondego; B – Box do CrossFit Montijo; C – Exercícios típicos do Crossfit por Inês Frohn. com prática desportiva orientada por treinador em comparação com os que não tinham treinador, o que realça a importância do ensino e da prática de gestos técnicos corretos e de programas de treino persona- lizados adequados na prevenção de lesões. 3,5,6,9,10 Outro trabalho retrospetivo em 191 praticantes adultos de CrossFit verificou nos seis meses anteriores à sua avaliação uma prevalência de lesões traumáticas de 26.2%, corres- pondendo a uma taxa de 2.3 lesões por cada 1000 horas de treino. 8 De forma semelhante aos estudos ante- riores, a maioria das lesões foi aguda (sem sintomas prévios no segmento lesado) e ocorreu mais frequente- mente nos ombros (n=14), joelhos (n=10) e região lombar (n=8). Os atletas com mais anos de prática de CrossFit, aqueles com maior número de horas de treino por semana e aqueles com índice de massa cor- poral superior apresentavam uma taxa de lesões traumáticas significa- tivamente superior em relação aos restantes, o que segundo os autores se poderá explicar por terem mais tempo de exposição de prática des- portiva e por executarem programas de exercícios mais complexos e exi- gentes. Outro estudo retrospectivo, em 566 praticantes adultos, verificou uma prevalência de lesões traumáti- cas de 31%, no entanto apenas 42% destes procuraram auxílio médico. 4 De forma semelhante ao estudo prévio, a taxa de lesões foi significa- tivamente superior nos indivíduos praticantes há mais de seis meses (p=0.004) e naqueles que participam em competições de CrossFit. Um estudo retrospetivo em 187 praticantes verificou uma taxa de lesões dos ombros associadas ao CrossFit de 23.5%, sendo que cerca de um terço destes referiram que já tinham tido sintomas previa- mente no ombro atingindo. 2 A taxa de todas as lesões dos ombros no CrossFit foi de 1.94 por cada 1000 horas, enquanto a taxa de lesões de novo dos ombros foi de 1.18 por cada 1000 horas de treino. As causas para estas lesões mais frequente- mente atribuídas pelos próprios praticantes foram a má condição física (33.3%) e a exacerbação de uma lesão prévia (33.3%), seguidos de fadiga muscular, pesos excessivos Revista de Medicina Desportiva informa março 2019 · 23