Revista de Medicina Desportiva Informa Março 2012 - Page 36

responsável por um grande número de fraturas , podendo dizer-se que 40 % das mulheres e 15 % dos homens de “ meia-idade ” virão a sofrer de 1 ou mais fraturas osteoporóticas . Estas dependem da alteração da robustez óssea , mas também de um traumatismo , que normalmente é uma queda . Sabemos que a população idosa é muito propensa às quedas , que 30 % da população com mais de 65 anos de idade cai pelo menos uma vez e 15 % dos quais cai mais do que duas vezes .
A estratégia terapêutica para evitar fraturas depende de dois componentes : o farmacológico , que tem por finalidade principal melhorar as caraterísticas do osso , aumentando a robustez ; o outro , não farmacológico , com vista a diminuir o risco de quedas , melhorando a força muscular e a coordenação motora .
O exercício físico tem importância nestas duas vertentes da estratégia terapêutica . A tendência para as quedas pode ser avaliada por técnicas de posturografia . Esta mede o balanço corporal , parâmetro relacionado com a força muscular e com a coordenação motora . A prática de exercício físico regular é útil , já que melhora estes dois parâmetros , com a consequente diminuição do risco de queda . Este facto pode ser monitorizado por posturografia . Por outro lado , o exercício físico tem efeito osteogénico , ou seja , é capaz de estimular a síntese de osso . O exercício físico deverá ser feito em carga para conseguir estimular os mecanismos de “ criação ” de osso , pelo que as modalidades com grande capacidade osteogénica são o halterofilismo , a corrida , a musculação , etc . Em oposição , atividades desportivas que diminuam o efeito de carga , como por exemplo a natação , têm , nesta perspetiva , um efeito muito menor . Como curiosidade sabemos que na conquista do espaço os astronautas estão sujeitos , por causa da imponderabilidade a que se encontram expostos , a um risco de perda óssea muito acentuada . A estratégia para contrariar este efeito passa obrigatoriamente por programas de exercício físico em carga .
Pelo que foi exposto , conclui-se que o exercício físico , apesar de por vezes ser menorizado na estratégia anti-osteoporótica , tem um papel fundamental , já que atua nas suas duas vertentes : melhoria da robustez óssea e diminuição do risco de queda . A prática regular de exercício físico é assim essencial para a prevenção da osteoporose , devendo ser iniciada em idade jovem , ou seja , na fase de crescimento . No indivíduo já com osteoporose , ele terá também um papel muito importante na prevenção das suas consequências , por melhoria da função muscular , devendo agora ser praticado sob orientação médica , otimizando o seu efeito e reduzindo os riscos da sua prática .
4 .º Convívio Científico : Asma no atleta – 7 Jan 2011
Prof . Doutor André Moreira
A maioria dos atletas experimenta dificuldades respiratórias durante e após treinos e em competição . Apesar de uma grande variedade de condições poder predispor o atleta a esta situação , a causa mais comum é a asma não controlada ou não diagnosticada . Poderíamos pensar que a seleção natural feita pelo desporto iria levar a que encontrássemos muito menos alergia e asma entre os atletas que na população geral . Afinal , um asmático não se deveria envolver no desporto de competição . Contudo , a evidência demonstra o contrário . Entre os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos de Pequim um em cada cinco tinha simultaneamente asma e rinite ! Quatro em cada cinco souberam-no semanas antes da competição ! Significa isto que se prepararam durante muitos anos com o objectivo Olímpico desconhecendo que estavam a treinar limitados e condicionados . Mesmo assim conseguiram ! Para que as nossas super- -mulheres e super-homens consigam treinar e competir em igualdade de circunstâncias com os outros atletas precisamos de reconhecer precocemente a asma e a rinite ( ver Tema ). O objetivo das próximas linhas é esse . Fornecer algumas dicas que nos permitam saber mais sobre como ajudar o atleta . Mais longe , mais alto , mais forte .
Os treinadores estão numa situação única que lhes permite reconhecer algumas das dificuldades respiratórias do atleta . Mas não é suficiente . É preciso informar técnicos de saúde para a importância do rastreio de asma nos atletas , porque o benefício ultrapassa largamente os inconvenientes ou custos associados . Não há nenhuma razão médica que impeça o reconhecimento , diagnóstico e tratamento da asma e rinite nos atletas . Pelo contrário , melhorar a qualidade dos cuidados prestados aos atletas é um imperativo ético .
5 .º Convívio Científico : Gestão de peso – com a verdade me enganas – 4 Fev 2011
Prof . Doutor José Soares
Tem sido amplamente descrita a relação entre excesso de peso e algumas patologias , com especial relevância para as doenças cárdiovasculares , diabetes e algumas neoplasias . Para além disso , a evidência epidemiológica mostra claramente um aumento substancial da percentagem de pessoas com peso excessivo nos países mais desenvolvidos , apesar dos enormes investimentos nas campanhas da sensibilização para hábitos de vida mais saudáveis . Todavia , os resultados deste tipo de intervenções não se têm feito sentir na proporção do investimento . Ainda que a predisposição genética para o excesso de peso seja uma variável a ter em conta , não parecem restar dúvidas que é no comportamento individual que reside o problema principal .
As estratégias de intervenção até agora testadas passam , inevitavelmente , pela junção da alteração dos hábitos nutricionais com o exercício físico . Apenas a dieta não é suficiente pelo seu não-efeito ou mesmo deterioração da massa muscular e o exercício , para além de poder estar contraindicado em alguns casos , não é suficiente para conseguir a regularização do peso corporal . Ora , estas duas variáveis só são possíveis de serem alteradas com uma abordagem muito centrada na tomada de decisão . Parece claro que as pessoas , de uma forma geral , têm informação suficiente . O problema é a tomada
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responsável por um grande número de fraturas, podendo dizer-se que 40% das mulheres e 15% dos homens de “meia-idade” virão a sofrer de 1 ou mais fraturas osteoporóticas. Estas dependem da alteração da robustez óssea, mas também de um traumatismo, que normalmente é uma queda. Sabemos que a população idosa é muito propensa às quedas, que 30% da população com mais de 65 anos de idade cai pelo menos uma vez e 15% dos quais cai mais do que duas vezes. A estratégia terapêutica para evitar fraturas depende de dois componentes: o farmacológico, ]YH[B܈[[YYH[\[Y[ܘ\\˜\]\\X\][Y[[˜H؝\^]\XX0XH\HH[Z[Z\\B]YY\Y[ܘ[HܰH]\[\HHܙ[p[ܘK^\X[\X[H[\ܝ0蛘XB\\X\\[\H\]0YXB\\0]XKH[0ꛘXH\H\œ]YY\H\][XYH܈0XۚX\H\ܘYXK\HYYH˜[[ܜܘ[ \Y][X[ۘYHHܰH]\[\HBHܙ[p[ܘKH]XHB^\X[\XY[\0H0[ H]YBY[ܘH\\\\Y]BHۜ\]Y[H[Z[Zp\™H]YYK\HXH\[ۚ]ܚ^Y܈\ܘYXK܈]›Y^\X[\X[HYZ]›[[XHZK0H\^H\[][\H[\HHˈ^\X[™\X]\H\Z][H\H\BۜYZ\\[][\YX[\[™H8'ܚXp'HH[]YH\›[[YY\Hܘ[H\XYYB[[XH[\ٚ[\[HܜYKH]\[p]ˈ[Bp]]YY\\ܝ]\]YB[Z[X[HYZ]H\K[œ܈^[\H]p0K\B\]]K[HYZ]]Z]Y[܋[\[YYHX[[]YHBۜ]Z\H\p\ۘ]]\™\0ZZ]܈]\HH[\ۙ\X[YYHH]YHH[۝[B^H[H\H\H0XB]Z]X[XYKH\]0YXH\B۝\X\\HYZ]\H؜Y]ܚX[Y[H܈ܘ[X\H^\X[™\X[H\K[]YHH^ۘZK\B]YH^\X[\X\\\H܂^\\Y[ܚ^YH\]0YXB[K[[ܰXK[H[H\[0X\ L˜]\ܝ]K[[Y[[ H]YH]XH\X\™X\\[\ΈY[ܚXHH؝\^0XHH[Z[Zp\B]YYKH]XHY[\H^\X[\X0H\[H\[X[\HB][H[ܛK][œ\[XXYH[HYYHݙ[KHZKH\HHܙ\[Y[ˈ[]Y[šHH[ܛK[H\H[X[H[H\[]Z][\ܝ[HB][\X\ۜ\]pꛘX\܈Y[ܚXHH[]\[\][YܘH\]XY؂ܚY[ppYXK[Z^[]BYZ]HY^[\HXB]XK ۝][Y[0YXΈ\XH˜]]H8$ [ LBXۚX\[[X\\YX[Y\\\]0ܚX\]]KX\›0HYXY[K0HX\[ܛX\0XۚXHpH\HH[\ܝ0蛘XH\Z[H\XH]]\ܜ]YH[YX[[\\B\[Y[H[۝[Y[\B\\XYˈ0H[[XB^pYXH]YH[\pHXۚX[Y[XY۰XH][Y[™H\XHH[]H]]\ˈ[˜۝\[Y[ܘ\H]X[YYH˜ZYY\Y[]]\0H[B[\\]]0]X˂K۝][Y[0YXΈ\0B\8$HH\YHYH[[\¸$ ] LBً]܈H\\‚ً]܈[H[ܙZ\BHXZ[ܚXH]]\^\[Y[BYX[Y\\\]0ܚX\\[BH\0Z[H[H\]p˂\\\H[XHܘ[H\YYYHBۙpY\\Y\܈]]HB\H]XpH]\HXZ\][BHH\XH۝YHH™XYۛXYK\X[[[\]YHH[p]\[Z]H[™\ܝ\XH]\H]YH[۝\[[]Z]Y[[\XHH\XB[H]]\]YHH[p™\[ Y[[ [H\p]XB]\XH[\\ܝB\]pˈ۝YH]Y0ꛘXB[[ۜH۝\[ˈ[H]]\ܝYY\\\[\“0[\XH\]Z[H[H[HYB[[H[][[X[Y[H\XBH[]HH]X][HYH[X\[K[[X[\[\H\]pHYۚYXH\]YHH\\\[H\[H]Z][H›ؚX]0[\X\ۚX[œ]YH\][HHZ[\[Z]YBۙX[ۘYˈY\[\[HۜYZ\[HH\H]YH\\\\[][\\H\\ZY[ۜY[BZ[\H\]\[HYX[YHB\[0蛘X\H]]]\œX\[[HXۚX\X[Y[HH\XHHH[]H \[XBKؚ]]\[X\[\0B\KܛX\[[X\X\]YB\Z][HX\XZ\؜B[ZY\]]KXZ\ۙKXZ\[XZ\ܝKZ[Yܙ\\0B]Xp0XH]YH\\Z]B[HY[\[Y[H\ܚ]HB[p[H^\H\B[[X\]X\H\XX[[]蛘XH\H\[\\[ݘ\[\\XX]\H[[X\[\X\ˈ\H[0[H\H]Y0ꛘXB\Y[Z[0XH[H\[Y[B[H][Y[X[X[H\[Y[HH\\H\^\]p\\XZ\\[Y\\\[ܛY\[\[Y[›\[\[\H[X[^pœ\H0X]HYHXZ\]Y0]Z\˂]XK\[Y\H\B[\[Y\H0HZ][\Hܰ[\[Y[ˈZ[B]YHHY\p[]XH\H™^\H\ZH[XH\p][H\[H۝K\X[H\\0Y\]YH0H\ܝ[Y[š[]YX[]YH\YH؛[XB[\[ \\]0YX\H[\[]0BYܘH\Y\\[K[]]][Y[K[H[H[\p™0X]]X[ۘZ\H™^\X[\Xˈ\[\HY]H°HYXY[H[]HYYZ]›HY\[]\[ܘpHX\B]\[\H^\X[\H[0[BH\\\۝Z[XY[B[[\0HYXY[H\BۜYZ\HY[\^p\˜ܜܘ[ ܘK\\X\\p]Z\œ]Z\H\[H[\Y\H[XHXܙY[H]Z]˜[YHHXYHHX\˂\XH\]YH\\\B[XHܛXH\[ 0H[ܛXpœYXY[K؛[XH0HHXYB