Revista de Medicina Desportiva Informa Março 2012 - Page 26

O vestuário e a radiação solar
O desempenho em desporto é determinado por vários fatores , como o estado físico e fisiológico do atleta , mas também pelo equipamento utilizado pelo atleta em termos de design e dos materiais que são utilizados e que influenciam a termorregulação . A maior procura de atividades ao ar livre para o desporto e lazer traz novas implicações a serem consideradas pelos designers de vestuário outdoor . Existem diferenças de género , idade e atividade , que influenciam a termorregulação e que devem ser consideradas no processo de desenvolvimento do vestuário , mas deve ser também destacada a importância da proteção à radiação infravermelha ( IV ), por ser responsável pela sensação de calor , e a proteção contra os raios ultravioleta ( UV ).
O Sol emite um amplo espectro de radiação eletromagnética , que é desviado ou atenuado pelas camadas atmosféricas da Terra . As radiações que chegam à superfície terrestre são classificadas como não-ionizantes e subdivididas em infravermelho , visível e ultravioleta 2 . Como vimos no primeiro artigo desta série sobre têxteis e vestuário desportivo , a radiação UV , que é uma componente invisível da luz e com níveis de incidência distintos a diferentes altitudes , é cada vez mais importante na praia , nos desportos de neve , de montanha e ao ar livre , em geral . Importa por isso perceber os fenómenos da componente de luz invisível onde atuam essas radiações , considerando a parte imediatamente à esquerda do espectro de luz visível , onde se situam os raios UV [ 280 – 400 nm ], mas também a parte logo à direita onde se situam os raios IV [ 780 – 1400 nm ], porque são estes que determinam a sensação de calor .
Quando sobre um têxtil , como por exemplo um tecido , incidem raios de luz observam-se três fenómenos representados pelas setas da figura 1 , que são a transmissão , a
absorção e a reflexão . Porém , o que acontece com a componente de luz UV e IV não é exatamente o mesmo e também é diferente consoante a incidência se observa sobre cores claras e cores escuras .
Raios solares
absorção transmitância tecido
Figura 1 – transmissão , absorção e reflexão da luz sobre têxteis
Em cores claras a radiação UV tem maior capacidade de se transmitir pelo tecido e , por isso , maior capacidade em chegar à pele , o que não acontece com cores escuras , onde é absorvida pelo tecido . Mas para o mesmo tipo de tecido , e nas cores claras , a radiação IV é refletida pela superfície , pelo que há menor sensação de calor , ao contrário do que acontece com as cores escuras , em que a radiação IV é absorvida pelo tecido e , por isso , existe maior sensação de calor . Estes fenómenos estão ilustrados na figura 2 .
A Schoeller Textiles AG 3 desenvolveu têxteis que contrariam estes fenómenos , conseguindo que as cores claras absorvam a radiação UV e que as cores escuras reflictam a radiação IV . Desta forma conseguem que as cores claras sejam também eficazes na protecção UV e que as cores escuras não sejam tão “ quentes ”.
O vestuário e a sudação
O calor produzido nas atividades desportivas eleva a temperatura corporal que , por sua vez , exige mais dos mecanismos de termorregulação para a transferência de calor do organismo para o ambiente , especialmente em ambientes quentes e húmidos 4 .
A prática de exercício pode levar à desidratação , origina dificuldade na regulação da temperatura corporal dando origem à hipertermia , especialmente se o exercício for realizado num ambiente quente e húmido , e é causa uma série de distúrbios relacionados com o calor , como a redução de desempenho físico , constituindo-se como uma situação potencialmente fatal 4 .
Este fator de stress térmico tem sido estudado pela engenharia têxtil , em cooperação com a engenharia biomecânica 5 e com a engenharia biotérmica . O vestuário de proteção eficaz deve permitir que as funções corporais se estabeleçam , protegendo o corpo do meio ambiente , promovendo um microclima entre o corpo e o ambiente externo . Daí que o vestuário tem que ser visto como um sistema complexo , pelo qual se processam transferências de calor importantes 6 .
Raios uv
Raios iv
calor tecido
corpo cores claras
Raios uv
Raios iv tecido calor
corpo cores escuras
Figura 2 – transmissão , absorção e reflexão da luz UV e IV sobre têxteis
Uma inovação ainda mais recente , e que está a granjear recetividade no meio do desporto , é o conceito de vestuário que se comporta como um refrigerador ( figura 3 ), desenvolvido pela X-bionic 7 . Este desenvolvimento é baseado no facto de que um atleta de maratona consome a maior parte da sua energia para controlar a temperatura , pelo que apenas uma pequena parte da energia é utilizada na atividade de desporto propriamente dita . A tese defendida pelas equipas do Professor Wilfried Joch da Universidade de Munique e da Dra . Sandra Ückert da Universidade de Dortmund demonstra que o arrefecimento é da maior importância e que o suor é necessário para arrefecer a pele .
Figura 3 – conceito de vestuário que se comporta como um refrigerador
24 · Março 2012 www . revdesportiva . pt
transmitância Figura 1 – transmissão, absorção e reflexão da luz sobre têxteis Em cores claras a radiação UV tem maior capacidade de se transmitir pelo tecido e, por isso, maior capacidade em chegar à pele, o que não acontece com cores escuras, onde é absorvida pelo tecido. Mas para o mesmo tipo de tecido, e nas cores claras, a radiação IV é refletida pela superfície, pelo que há menor sensação de calor, ao contrário do que acontece com as cores escuras, em que a radiação IV é absorvida pelo tecido e, por isso, existe maior sensação de calor. Estes fenómenos estão ilustrados na figura 2. A Schoeller Textiles AG3 desenvolveu têxteis que contrariam estes fenómenos, conseguindo que as cores claras absorvam a radiação UV e que as cores escuras reflictam a radiação IV. Desta forma conseguem que as cores claras sejam também eficazes na protecção UV e que as cores escuras não sejam tão “quentes”. O vestuário e a sudação O calor produzido nas atividades desportivas eleva a temperatura corporal que, por sua vez, exige mais dos mecanismos de termorregulação para a transferência de calor do organismo para o ambiente, especialmente em ambientes quentes e húmidos4. Figura 3 – conceito de vestuário que se comporta como um refrigerador 24 · Março 2012 www.revdesportiva.pt cores claras Raios iv tecido Raios uv absorção calor Raios solares A prática de exercício pode levar à desidratação, origina dificuldade na regulação da temperatura corporal dando origem à hipertermia, especialmente se o exercício for realizado num ambiente quente e húmido, e é causa uma série de distúrbios relacionados com o calor, como a redução de desempenho físico, constituindo-se como uma situação potencialmente fatal4. Este fator de stress térmico tem sido estudado pela engenharia têxtil, em cooperação com a engenharia biomecânica5 e com a engenharia biotérmica. O vestuário de proteção eficaz deve permitir que as funções corporais se estabeleçam, protegendo o corpo do meio ambiente, promovendo um microclima entre o corpo e o ambiente externo. Daí que o vestuário tem que ser visto como um sistema complexo, pelo qual se processam transferências de calor importantes6. Raios iv O desempenho em desporto é determinado por vários fatores, como o estado físico e fisiológico do atleta, mas também pelo equipamento utilizado pelo atleta em termos de design e dos materiais que são utilizados e que influenciam a termorregulação. A maior procura de atividades ao ar livre para o desporto e lazer traz novas implicações a serem consideradas pelos designers de vestuário outdoor. Existem diferenças de género, idade e atividade, que influenciam a termorregulação e que devem ser consideradas no processo de desenvolvimento do vestuário, mas deve ser também destacada a importância da proteção à radiação infravermelha (IV), por ser responsável pela sensação de calor, e a proteção contra os raios ultravioleta (UV). O Sol emite um amplo espectro de radiação eletromagnética, que é desviado ou atenuado pelas camadas atmosféricas da Terra. As radiações que chegam à superfície terrestre são classificadas como não-ionizantes e subdivididas em infravermelho, visível e ultravioleta2. Como vimos no primeiro artigo desta série sobre têxteis e vestuário desportivo, a radiação UV, que é uma componente invisível da luz e com níveis de incidência distintos a diferentes altitudes, é cada vez mais importante na praia, nos desportos de neve, de montanha e ao ar livre, em geral. Importa por isso perceber os fenómenos da componente de luz invisível onde atuam essas radiações, considerando a parte imediatamente à esquerda do espectro de luz visível, onde se situam os raios UV [280–400 nm], mas também a parte logo à direita onde se situam os raios IV [780–1400 nm], porque são estes que determinam a sensação de calor. Quando sobre um têxtil, como por exemplo um tecido, incidem raios de luz observam-se três fenómenos representados pelas setas da figura 1, que são a transmissão, a absorção e a reflexão. Porém, o que acontece com a componente de luz UV e IV não é exatamente o mesmo e também é diferente consoante a incidência se observa sobre cores claras e cores escuras. Raios uv O vestuário e a radiação solar tecido tecido corpo corpo cores escuras calor Figura 2 – transmissão, absorção e reflexão da luz UV e IV sobre têxteis Uma inovação ainda mais recente, e que está a granjear recetividade no meio do desporto, é o conceito de vestu \[]YHH\ܝH[[BYY\Y܈ Y\H K\[Yœ[H X[ۚXˈ\H\[[Y[0B\XYXH]YH[H]]HBX\]ۘHۜYHHXZ[܈\HBXH[\XH\H۝\H[\\]\K[]YH\[\[XH\]Y[B\HH[\XH0H][^YHB]]YYHH\ܝX[Y[B]KH\HY[YH[\\]Z\\™ٙ\܈[YYH[]\YYHH][\]YHHHK[B\H[]\YYHHܝ][[[ۜH]YH\YX[Y[0BHXZ[܈[\ܝ0蛘XHH]YH[܂HX\\[\H\YX\H[K