Revista de Medicina Desportiva Informa Maio 2019 - Page 9

saber se a revisão periódica do Plano de Emergência inclui o ensino, demonstração e simulação do mesmo junto dos jogadores e de todos os profissionais envolvidos. Entretanto, por cá seria interessante a reprodu- ção deste estudo nas universidades portuguesas. Fica a sugestão. Bibliografia 1. Reagan J, Moulson N, Velghe J, Cater C, Taylor T, Isserow S, McKinney J. Automa- ted External Defibrillator and Emergency Action Plan Preparedness Amongst Canadian University Athletics. Can J Cardiol. 2019 Jan; 35(1):92-95. 2. Drezner JA, Toresdahl BG, Rao AL, Huszti E, Harmon KG. Outcomes from sudden cardiac arrest in US high schools: a 2-year prospective study from the National Registry for AED Use in Sports. Br J Sports Med 2013; 47:1179-83. 3. Aschieri D, Penela D, Pelizzoni V, et al. Outcomes after sudden cardiac arrest in sports centres with and without on-site external defi- brillators. Heart 2018; 104:1344-9. 4. Hainline B, Drezner JA, Baggish A, et al. Interassociation consensus statement on cardio- vascular care of college student-athletes. J Am Coll Cardiol 2016; 67:2981-95. 5. Drezner JA, Courson RW, Roberts WO, et al. Inter-Association Task Force recommendations on emergency preparedness and management of sudden cardiac arrest in high school and col- lege athletic programs: a consensus statement. Heart Rhythm 2007; 4:549-65. a) I  nterna de Formação Específica de Medicina Física e de Reabilitação no Centro Hospitalar do Algarve; Aluna do Curso de pós-graduação em Medicina Desportiva da Faculdade de Medicina do Porto. Testosterone, cortisol, hGH, and IGF-1 levels in an Italian female elite volleyball team 1 Dr. Flávio Silva 2 Interno Medicina Geral e Familiar. Darque Resumo e comentário Nos últimos anos tem havido um aumento exponencial do interesse pelo tema das alterações hormonais em atletas do sexo feminino. Este interesse tem resultado numa maior quanti- dade de estudos realizados na área e, em paralelo, no desenvolvimento de novos métodos de deteção de determinadas substâncias proibidas. O propósito destes recursos laborato- riais passa por distinguir a alteração de um valor, que é resultante de uma adaptação fisiológica causada pelo treino do atleta, de outro valor que possa indiciar um consumo ilícito de uma substância proibida. O objetivo principal deste estudo passou por testar a aplicabilidade do intervalo de valores de referência de cortisol, testosterona, hormona do crescimento (hGH) e fator de cresci- mento insulina-like (IGF-1) da popula- ção geral feminina saudável em atletas de elite de voleibol feminino. Para além disto, como objetivo secundário foi também estudada a aplicabilidade do rácio testosterona/ cortisol como uma ferramenta preditora da síndrome de sobretreino em mulheres. No conhecimento científico atual é sabido que as características do treino, tais como nível, tipo, duração e intensidade, para além das caracte- rísticas individuais do atleta, nomea- damente sexo, idade, nível de sedentarismo, composição corporal, são responsáveis pela magnitude da libertação de hGH e IGF-1, pelo que os seus níveis séricos e urinários tendem a ser diferentes em indiví- duos treinados e em indivíduos sedentários. Contudo, os mecanis- mos que levam a estas adaptações e respostas não estão ainda elucidados devido à complexidade do padrão de secreção hormonal. Nos últimos anos, de forma a individualizar e relacionar os resultados, a Agência Mundial Antidopagem tem elaborado um programa de monitorização de alterações hormonais intrínseco a cada atleta (denominado passaporte biológico do atleta) que permite, não só detetar com maior precisão uma alteração nos valores dos biomarca- dores, mas também consignar uma maior independência dos intervalos de referência padronizados. O cortisol e a testosterona têm um papel importante no metabolismo ao competirem como agonistas nos recetores musculares. O primeiro é sobretudo importante na manuten- ção da homeostasia e na resposta a fatores desencadeadores de stress, enquanto o segundo, tal como outros esteroides androgénicos, aumenta a performance através de reações anabólicas. Desta forma, o rácio testosterona/cortisol tem sido utili- zado por vários investigadores como indicador do balanço anabólico/ catabólico e uma ferramenta para a deteção precoce da síndrome do sobretreino em homens, tendo sido raramente aplicado em mulheres. Relativamente ao desenho, este é um estudo retrospetivo longitudinal. Foi realizado com uma amostra de 58 atletas, com colheitas de sangue em jejum, em quatro momentos, ao longo da época desportiva, em três épocas consecutivas. Os intervalos de valores foram calculados através de três métodos estatísticos: distri- buição normal, percentil não-para- métrico e método de análise robusta. Para a IGF-1, por ser uma variável dependente da idade do atleta, foram usadas funções polinomiais. Os resultados obtidos foram con- sistentes em todos os métodos esta- tísticos aplicados e demonstraram que no grupo de atletas estudadas foram encontrados níveis hormonais significativamente diferentes dos da população em geral. Para as quatro hormonas estudadas, os limites inferiores e superiores dos interva- los calculados foram maiores nas atletas quando comparados com os intervalos de referência da popula- ção saudável feminina usados na prática clínica. Quanto ao padrão de ciclicidade, ao longo da época os níveis de testos- terona e cortisol alteraram significa- tivamente, enquanto os valores de hGH e IGF-1 se mantiveram constan- tes. Foram detetados aumentos dos níveis de testosterona e do cortisol no início da época, justificados pelo nível de exigência física neste período. Com o decorrer da época, detetou-se diminuição progressiva de cortisol e diminuição de testoste- rona, com um novo aumento no final da época. O rácio testosterona/ cortisol, tal como em estudos prévios aplicados em homens, decresceu ao longo da época segundo os níveis esperados para a carga de treino exigida, pelo que se concluiu que esta ferramenta pode também ser usada para a deteção de síndrome de sobretreino em mulheres. Como principais limitações deverá atentar-se à adaptação dos intervalos de valores de testosterona obtidos em função da raça e da idade, pois neste estudo todas as atletas Revista de Medicina Desportiva informa maio 2019 · 7