Revista de Medicina Desportiva Informa Maio 2019 - Page 18

Rev. Medicina Desportiva informa, 2019; 10(3):16 Resumos: Pedro Cunha Formação na Faculdadede Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Advances in Nutrition, março 2019; 10(2):250-261 e 219-236 Effects of Milk and Milk-Product Consumption on Growth among Children and Adolescents Aged 6–18 Years: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Kai Kang, Olusola F Sotunde, Hope A Weiler. Esta meta análise pretendeu avaliar a evidência disponível em estudos experimentais controlados sobre o eventual efeito da ingestão de leite e de produtos lácteos no crescimento e na composição corporal de crianças e adolescentes (6-18 anos), saudáveis e não subnutridos. Foram recolhi- dos todos os estudos publicados até dezembro de 2017 (PubMed, ENBASE, Web of Science e a Cochrane Libray) e que estudaram o consumo de leite e de produtos lácteos durante mais de 12 semanas. Na análise foram incluídos 17 trabalhos, com 2844 participantes e foi destacado que o consumo de leite e de produtos lácteos se associava, comparativa- mente aos grupos de controlo, a: • Aumento da massa corporal (0.48 kg; 95% CI: 0.19, 0.76 kg; P = 0.001); • Aumento da massa magra (0.21 kg; 95% CI: 0.01, 0.41 kg; P = 0.04); • Ganho atenuado de percentagem de massa gorda (−0.27%; 95% CI: −0.45%, −0.09%; P = 0.003). De acordo com os autores, “não houve alterações significativas na massa gorda, estatura ou no perímetro da cintura e, por outro lado, na análise por subgrupos, verificaram que a idade e o peso iniciais, assim como a duração da intervenção “estiveram associados com a eficácia do leite e produtos derivados na alteração da massa magra, percentagem de gordura corporal e perímetro da cintura, res- petivamente”, o que parece sugerir q ingestão destes alimentos deve ser iniciada muito precocemente e durar toda a vida. Os autores concluíram que crianças e adolescentes, com 16 maio 2019 www.revdesportiva.pt idades compreendidas entre os 6 e 18 anos, que consomem leite e pro- dutos lácteos têm maior probabili- dade de desenvolverem um fenótipo de composição corporal associado a massa magra. Dietary Patterns in Relation to Low Bone Mineral Density and Fracture Risk: A Systematic Review and Meta-Analysis Roberto Fabiani, Giulia Naldini, Manuela Chiavarini. Um estudo de revisão sistemática e meta análise foi realizado com o objetivo de avaliar a associação entre diferentes padrões alimenta- res e o risco de fratura e de baixa densidade mineral óssea. Neste este trabalho foram incluídos 20 estu- dos que consideraram três padrões alimentares recorrentes na litera- tura: “Alimentação saudável” que foi caracterizado como sendo rico em frutas e hortícolas; “Leite e produtos lácteos” um padrão descrito como equilibrado com adequação do con- sumo de produtos lácteos; o padrão de consumo “Carne/Ocidental” que é determinado por um elevado consumo de carne vermelha, carne processada, ovos, cereais refinados e doces. No que diz respeito aos estudos que avaliaram o risco de fratura, a adesão ao Os sujeitos com o padrão “Alimen- tação saudável” estiveram associa- dos a diminuição do risco de fratura óssea, especialmente nas pessoas idosas (OR: 0.79; 95% CI: 0.66, 0.95; P = 0.011), em oposição à adesão ao padrão de consumo de “Carne/ Ocidental”, o qual esteve associado a aumento de risco, especialmente nos idosos (OR: 1.11; 95% CI: 1.04, 1.18, P = 0.001) e naqueles que tiveram fraturas da anca e os residentes nos países ocidentais. Em relação à densidade mineral óssea (DMO), verificou-se diminui- ção do risco com a adesão aos padrões “Alimentação saudável” (OR: 0.62; 95% CI: 0.44, 0.89; P = 0.009), especialmente nos sujeitos mais jovens, e “Leite/ produtos lácteos” (OR: 0.57; 95% CI: 0.46, 0.70; P < 0.0001), sendo este o padrão que registou a maior redução do risco de fratura. O consumo de carne, típico da cultura ocidental, teve mais uma vez efeito negativo, pois aumentou o risco de baixa DMO, especialmente na população mais idosa. O que ressalta da leitura destes 10 estudos é que a ingestão de leite e de derivados está asso- ciada a redução do risco de fratura e de baixa DMO, ao passo que o consumo predominante ou exces- sivo de carne tem efeito inverso, negativo na qualidade do osso, sendo os idosos os que mais benefi- ciam, sendo esta a grande conclusão dos autores desta meta-análise. Milk: An Effective Recovery Drink for Female Athletes Paula Rankin et al. Nutrients 2018, 10, 228; doi:10.3390/nu10020228 O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da ingestão de 500ml de leite e de uma bebida com carboidrato (CH), de igual conteúdo energético, na recuperação de 18 mulheres (21.6 ± 3.4 anos de idade; treinavam no mínimo 2 vezes / semana) após o esforço físico (sprints e saltos). Testes de função muscular e estudo analítico foram realizados posterior- mente até ás 72 horas após o pro- tocolo de exercício. Nos Resultados, os autores constataram benefícios na recuperação funcional muscular após a ingestão do leite, por exem- plo, verificaram “pequenos a mode- rados benefícios no salto contra movimento e no peak torque ava- liado a 60 e 180º , na flexão e exten- são”. Os autores concluíram que o consumo de 500ml de leite após este esforço físico “teve um efeito positivo na atenuação das perdas de fun- ção muscular, melhorando assim a recuperação, em comparação coma bebida com CH”.