Revista de Medicina Desportiva Informa Maio 2016 - Page 24

duração da mesma23. Dado este tipo de lesão acometer vulgarmente o esqueleto imaturo, o qual apresenta um menor risco de rigidez articular quando comparado à população adulta, optamos, como neste caso, por imobilização com tala de Depuy durante cerca de quatro semanas, período após o qual o paciente iniciou, de imediato, recuperação funcional com fisioterapia. As fraturas-avulsão da TAT, apesar de invulgares, são clinicamente relevantes por comprometerem o aparelho extensor. Como ocorreu neste caso, esta lesão ocorre comummente em pacientes que já apresentavam gonalgia prévia e em portadores de osteocondrite, designadamente a doença de Osgood Schlatter. Tal como ocorreu neste caso, o diagnóstico e tratamento adequado destas lesões está associado a resultados funcionais a longo prazo excelentes e os doentes regressam geralmente ao nível de atividade física prévio à lesão3. Como já referido na literatura e corroborado por este caso clinico, as complicações associadas ao tratamento deste tipo de fraturas são raras6-8. Apesar de não existir uma relação causal com a doença de Osgood-Schlatter e o facto de o paciente apresentar dor prévia no joelho esquerdo prévio ao traumatismo leva-nos a pensar na existência de uma predisposição e maior risco para o aparecimento da fratura avulsão da TAT. O facto de o paciente apresentar no 2.º mês do pós-operatório dor na região da TAT do joelho contralateral associada a doença de Osgood-Schlatter conduziu a desaconselharmos a prática de desportos que envolvam forças de tensão extremas sobre a TAT. O seguimento atual deste paciente foi de seis meses, tendo ele regressado às suas atividades habituais e sido acompanhado com controlo clínico e radiológico para avaliação da consolidação da fratura. No seguimento futuro pretende-se avaliar o surgimento de algum distúrbio do crescimento do membro inferior intervencionado e estimar a evolução e tratamento adequados da doença de Osgood-Schlatter do joelho contralateral. Os pacientes envolvidos em desportos de alto risco e que desenvolvam uma doença de Osgood-Schlatter agressiva (edema local, diminuição da amplitude de movimentos, dificuldade na extensão ativa) devem ser aconselhados a adquirir medidas preventivas, fundamentais se considerarmos a similaridade clínica entre a apofisite tibial e a fratura sem desvio da tuberosidade anterior da tíbia. De realçar que o paciente deste caso clinico evidenciou no 6.º mês do pós-operatório um excelente resultado bilateralmente segundo o sistema de score de Lysholm modificado. Este caso alerta para a importância do diagnóstico e tratamento adequado da Doença de Osgood-Schlatter, a fim de evitar as fraturas por avulsão no esqueleto imaturo e a sua morbilidade associada. Conclusão O tratamento da doença de Osgood-Schlatter consiste na modificação e diminuição das atividades físicas. Não há evidência de que o repouso acelere a cicatrização e, portanto, devemos limitar as atividades apenas pela dor. Por conseguinte, o momento durante as queixas para Tipo I – Fratura Avulsão da parte Tipo II – Separação da parte distal do tubérculo tibial. anterior da epífise tibial. Figura 10 – Classificação de Watson-Jones 12,20,21 22 Maio 2016 www.revdesportiva.pt mandar interromper os treinos/competições no atleta, e assim evitar a fractura, é, na nossa opinião, quando o mesmo se apresentar queixoso, logo no início da sintomatologia, devendo proceder-se desde logo ao tratamento desta entidade, o qual consiste na aplicação de gelo, realização de alongamentos e modificação e diminuição das atividades físicas, para assim se evitar a evolução para fratura avulsão da TAT ou mesmo a proeminência óssea da TAT (problema estético). Bibliografia 1. Hamilton S, Gibson P. 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Tipo III – Extensão do traço de fratura à articulação do joeIho. Restante Bibliografia em: www.revdesportiva.pt (A Revista Online)