Revista de Medicina Desportiva Informa Maio 2012 - Page 4

Rev . Medicina Desportiva informa , 2012 , 3 ( 3 ), p . 2

EntrevistaJornalista

Paulo Sérgio
Subdiretor de Desporto da RTP
Na sua experiência de jornalista viajado por muitos eventos e locais do Mundo , o que pensa da Medicina Desportiva portuguesa ?
Tenho uma excelente opinião da medicina desportiva portuguesa e por maioria de razão dos nossos médicos . A explicação é simples : os nossos principais especialistas tratam alguns dos melhores atletas do mundo e por isso é fácil de perceber que se Ronaldo , Nani , Nelson Évora , Neide Gomes ou João Pina , só para dar alguns exemplos , aceitam ser tratados pelos nossos médicos é porque são , seguramente , de grande qualidade , já que esses atletas têm outras opções à sua disposição .
Apesar de não ter conhecimentos suficientes para avaliar a competência desses especialistas , as informações que me são dadas por médicos amigos – alguns ligados a esta especialidade – são as melhores , o que só vem confirmar a minha opinião . Aliás , Portugal tem muitos e bons especialistas em vários domínios da sociedade e a medicina não é uma exceção . Bem pelo contrário !
Uma vez referiu que “ os jornalistas querem tudo para ontem e os médicos querem tudo para amanhã ”. Como se encontra e qual o momento adequado para a comunicação da informação ?
Como é óbvio teremos de encontrar um ponto de equilíbrio que seja bom para ambas as partes . É fundamental que os médicos tenham a consciência que se acontece uma determinada situação que merece a sua contribuição – por exemplo , um atleta vítima de morte súbita ou uma lesão grave , de um atleta olímpico que seja candidato às medalhas , ou de um dos principais jogadores da seleção nacional – eles não poderão remeter explicações para o dia seguinte ou para dali a dois dias . Isso é demasiado tarde ! Há que compatibilizar o timming da informação com o da medicina e entendo que isso é , não só possível , como desejável . As explicações têm de ser dadas o mais rapidamente possível até para evitar qualquer tipo de especulação , muito normais neste tipo de situações . Era ótimo que em Portugal pudesse haver nas redações a figura do jornalista especializado – à semelhança do que acontece em Inglaterra ou nos Estados Unidos . Um médico que seguisse a carreira de jornalista . Não havendo , temos de recorrer aos médicos e espera-se , e deseja-se , que os médicos possam dar respostas rápidas aos nossos pedidos .
E como pode ser ultrapassada a questão do sigilo médico perante a lesão do atleta ?
O médico , melhor do que ninguém , saberá até onde pode ir e qual o limite que , em caso algo , pode ser ultrapassado . O jornalista , nestas situações , torna-se apenas no mensageiro . Os atletas , principalmente os mais importantes ou os mais mediáticos , são figuras públicas que , pelo menos , motivam o interesse do público , pelo que as lesões de que padecem são do interesse público . Tudo aquilo que está relacionado com a sua atividade deverá ser do conhecimento do grande público na exata medida em que influencie a sua carreira desportiva . Diz a minha experiência que os médicos sabem perfeitamente até onde podem ir , bem como os jornalistas . Que me recorde , em Portugal , nunca se passou nenhum caso semelhante a outros que já se passaram em Inglaterra , onde a vida privada de uma figura pública é completamente devassada e acreditem que os jornalistas , na maioria das vezes , conhecem essas situações . Por cá somos muito cuidadosos na gestão dessas situações . Nós – jornalistas – e os médicos . E ninguém se tem dado nada mal com isso !
A relação entre o jornalista e o médico é , de um modo geral , excelente . Como explica este facto ?
A medicina continua a ser uma atividade prestigiada e respeitada . Por serem assuntos que só eles dominam são raros os palpites que são dados por quem não é do meio , ao contrário do que acontece com muitas outras atividades onde todos têm opinião formada sobre assuntos que muitas vezes não dominam .
Nesta questão , recorro sempre à minha experiência pessoal , porque sempre que um médico me fala sobre um determinado assunto referente a uma qualquer lesão de um qualquer atleta eu acredito . Não tenho conhecimentos que me permitam não acreditar , nem tão pouco desconfiar e , em boa verdade , posso dizer com toda a segurança que nunca fui enganado . Exatamente por isso é que a relação é excelente .
Qual a menagem que quer deixar aos médicos do desporto ?
Gostaria que os médicos entendessem o trabalho dos jornalistas e , principalmente , a sua importância . Gostaria que percebessem que é no fazer pedagogia ao explicar o que se passa , por mais complicado que seja , que se podem evitar muitos problemas . E que tenham a consciência de que quando se tenta esconder ou ludibriar acaba por dar asneira . Por isso , a mensagem fundamental que deixo aos médicos que trabalham nesta área é a de que , na medida do possível , estejam disponíveis para esclarecer os jornalistas . Por vezes basta que em off expliquem as situações , que façam pedagogia , para que o assunto seja compreendido . Os jornalistas não são especialistas na matéria e é melhor explicar e dar alguma informação do que não dizer nada porque , acreditem , o jornalista vai ser obrigado a escrever e por vezes escreve coisas sem sentido . Se os médicos cumprirem a sua função , nem que seja no abstrato , estarão a ajudar todos , principalmente o grande público que é , no fundo , quem importa esclarecer .
2 · Maio 2012 www . revdesportiva . pt
Entrevista Rev. Medicina Desportiva informa, 2012, 3 (3), p. 2 Jornalista Paulo Sérgio Subdiretor de Desporto da RTP Na sua experiência de jornalista viajado por muitos eventos e locais do Mundo, o que pensa da Medicina Desportiva portuguesa? Tenho uma excelente opinião da medicina desportiva portuguesa e por maioria de razão dos nossos médicos. A explicação é simples: os nossos principais especialistas tratam alguns dos melhores atletas do mundo e por isso é fácil de perceber que se Ronaldo, Nani, Nelson Évora, Neide Gomes ou João Pina, só para dar alguns exemplos, aceitam ser tratados pelos nossos médicos é porque são, seguramente, de grande qualidade, já que esses atletas têm outras opções à sua disposição. Apesar de não ter conhecimentos suficientes para avaliar a competência desses especialistas, as informações que me são dadas por médicos amigos – alguns ligados a esta especialidade – são as melhores, o que só vem confirmar a minha opinião. Aliás, Portugal tem muitos e bons especialistas em vários domínios da sociedade e a medicina não é uma exceção. Bem pelo contrário! Uma vez referiu que “os jornalistas querem tudo para ontem e os médicos querem tudo para amanhã”. Como se encontra e qual o momento adequado para a comunicação da informação? Como é óbvio teremos de encontrar um ponto de equilíbrio que seja bom para ambas as partes. É fundamental que os médicos tenham a consciência que se acontece uma 2 · Maio 2012 www.revdesportiva.pt determinada situação que merece a sua contribuição – por exemplo, um atleta vítima de morte súbita ou uma lesão grave, de um atleta olímpico que seja candidato às medalhas, ou de um dos principais jogadores da seleção nacional – eles não poderão remeter explicações para o dia seguinte ou para dali a dois dias. Isso é demasiado tarde! Há que compatibilizar o timming da informação com o da medicina e entendo que isso é, não só possível, como desejável. As explicações têm de ser dadas o mais rapidamente possível até para evitar qualquer tipo de especulação, muito normais neste tipo de situações. Era ótimo que em Portugal pudesse haver nas redações a figura do jornalista especializado – à semelhança do que acontece em Inglaterra ou nos Estados Unidos. Um médico que seguisse a carreira de jornalista. Não havendo, temos de recorrer aos médicos e espera-se, e deseja-se, que os médicos possam dar respostas rápidas aos nossos pedidos. médicos. E ninguém se tem dado nada mal com isso! A relação entre o jornalista e o médico é, de um modo geral, excelente. Como explica este facto? A medicina continua a ser uma atividade prestigiada e respeitada. Por serem assuntos que só eles dominam são raros os palpites que são dados por quem não é do meio, ao contrário do que acontece com muitas outras atividades onde todos têm opinião formada sobre assuntos que muitas vezes não dominam. Nesta questão, recorro sempre à minha experiência pessoal, porque sempre que um médico me fala sobre um determinado assunto referente a uma qualquer l )մՅՕȁѱфԁɕѼ;)ѕѽ́ՔɵхɕхȰՍ)͍ȁٕɑͼ)ȁѽ͕ɅՔ)չդхє)ͼՔɕፕє()͕ȁձɅͅ)ՕͥɅє)ѱф()EՅՔՕȁ)́́Ѽ()<ȁՔ)ͅȁՅє)Քͼ͕ȁձɅͅ<ɹфх́ͥՇՕ̰)ѽɹ͔́ͅɼ)=́ѱх̰ɥє́)хѕ́ԁ́́ѥ̰)Ʌ́鉱́Ք̰)ѥمѕɕ͔鉱)Ք́Օ́Ք)ѕɕ͔鉱QՑեՔ)ɕՄѥ٥ٕ͕ȁѼ)Ʌ鉱ф)ՔՕՄɕɄѥل聄ɧՔ)́ͅəхє)Ȱ́ɹх̸EՔɕɑA՝)չ͔ͽԁմͼ͕єɽ́Ք͔ͅɅ)%ѕɄ٥ɥم)յɄ鉱хє)مͅɕѕՔ́ɹх̰ɥٕ̰́́ͥͅՇՕ̹Aȁͽ)եѼեͽ́ͅ)ͥՇՕ̸;̃Lɹх̃L()хɥՔ́́ѕ͕)Ʌ́ɹх́ɥєՄхɥՔɍ͕Ք)ȁՔ͔̈́)ȁ́Ք͕Ք͔)٥хȁեѽ́ɽ̸Ք)ѕ͍ՔՅ)͔ѕф͍ȁԁՑɥȁ)ȁȁ͹ɄAȁͼͅ)չхՔἅ)ՔɅфɕՔ)ٕѕٕ́Ʉ͍ɕȁ́ɹх̸)Aȁٕ́фՔՕ)́ͥՇՕ̰Ք)ɄՔչѼ͕ɕ=́ɹх́х́ɥȁ)ȁյɵՔ)ȁՔɕѕɹфم͕ȁɥ͍ɕٕȁ)ٕ͍́ɕ͕͕ٔ́ͅѥM)́́յɥɕՄջ)Ք͕ɅѼх)Ցȁѽ̰ɥє)Ʌ鉱ՔչՕ)ф͍ɕȸ((