Revista de Medicina Desportiva Informa Julho 2017 - Page 30

Rev. Medicina Desportiva informa, 2017, 8 (4), pp. 28–31 Fratura de Stress da Tíbia em Atletas: Avaliação e Orientação Dr. Duarte Sousa 1 , Dr. João Nunes 2 , Dr. Luís Nora Sousa 2 , Dr. José Montes 2 , Dr. Hélder Pereira 2 1 Interno de formação específica e 2 Especialista em ortopedia. 1,2 Departamento de Ortopedia do Centro Hospitalar Póvoa Varzim/ Vila do Conde RESUMO / ABSTRACT Definição O diagnóstico de fratura de stress tibial assenta na história clínica e no exame físico. A ressonância magnética nuclear é o exame complementar de diagnóstico de eleição para a confirmação do diagnóstico. Os seus achados têm valor prognóstico, ajudando a definir a gravidade da lesão e o tempo de tratamento para o regresso à competição, sendo a ausên- cia de dor o cerne dessa decisão. Esta revisão deverá ser complementada com estudos futuros de forma a obtermos uma maior evidência sobre a melhor abordagem diagnóstica e terapêutica nestes doentes. The diagnosis of tibial stress fracture is based on clinical history and physical examination. Mag- netic resonance imaging has become the gold standard exam to confirm the diagnosis. Its findings have prognostic value, helping to define the severity of the injury and time to return to competition. The absence of pain seems to be the only decision-making factor in that regard. This review should be complemented with future studies to obtain further evidence on a better diagnostic and therapeu- tic approach in these patients. PALAVRAS-CHAVE / KEYWORDS Fratura de stress, fratura de fadiga, atleta, tíbia, tratamento Stress frature, fatigue frature, athlete, tibia, treatment Métodos Trata-se de um artigo de revisão sobre fraturas de stress em atletas. Foram consultadas as seguintes bases de dados: Scopus; Pubmed. Foi feita uma pesquisa por MeSH Words: Athlete; Stress Fracture; Human, dando primazia aos artigos publicados nos últimos cinco anos sobre fraturas de stress na tíbia. Os critérios de inclusão foram artigos escrit os em inglês. Todos os abstracts foram ava- liados consoante a sua elegibilidade. Encontrou-se um total de 46 artigos pela pesquisa das bases de dados. Noventa e cinco artigos foram iden- tificados através da lista de referên- cias. Artigos que se focaram apenas na caracterização imagiológica ou que não abordavam fratura de stress da tíbia foram excluídos. Utilizando os critérios de inclusão e exclusão, obteve-se um total de 49 artigos para análise posterior. Os artigos foram classificados de acordo com o nível de evidência. 1 Foram utilizados 13 artigos de série de caso 2-14 , sendo os restantes de revisão. Trata-se de uma revisão com evidência grau IV. 28 Julho 2017 www.revdesportiva.pt aumenta, ele começa a deformar-se de acordo com a elasticidade óssea, voltando à sua configuração inicial quando o estímulo é removido. A fratura ocorre em três fases: inicia- ção da microfratura, propagação e fratura completa. 16,17 Eventualmente, estas microfraturas coalescem numa descontinuidade dentro do osso cortical, ou seja, uma fratura de stress franca. 15, 17-19 A fratura de stress pode ser definida como o resultado de cargas anor- mais sobre um osso estruturalmente saudável. 20,21 Ocorre quando há um aumento abrupto da frequência, duração ou intensidade do exercício, resultando num desequilíbrio entre a reabsorção e a formação óssea. 22 Este tipo de fraturas ocorre geral- mente em pessoas jovens e atletas. 23 Fatores de risco Foram identificados alguns fatores de risco, que podem ser classifica- dos em extrínsecos e intrínsecos e encontram-se sumarizados na Introdução Tabela 1. O calçado não é consen- sual entre todos os autores, mas foi O osso está sujeito às Leis de Wolff, sugerido que calçado com mais de que consistem na capacidade de seis meses de utilização aumenta o osso adaptar-se ao stress mecâ- nico. 15 Á medida que o stress no osso o risco de lesão por diminuição da capacidade de absorção da ener- gia de impacto ao solo. A maioria dos estudos pré- vios concluiu que as mulheres têm maior incidên- cia de fraturas de stress, sendo parcialmente atri- buído à condição conhecida como a “Tríade da Mulher Atleta”. 2 A fra- queza muscular também pode ser um importante fator de risco, na medida em que a massa muscular ajuda a dissipar a carga exercida Figura 1: Algoritmo de pesquisa bibliográfica sobre os ossos. 3