que 24 % apresentavam escolioses , o que é significativamente superior à frequência na população geral .
A prevalência de dançarinos com menarca tardia e amenorreia secundária foi elevada e mais frequente nos pacientes com escolioses em comparação com os que não tinham deformidades da coluna ( 83 % e 44 % vs 54 % e 31 %, respetivamente ). Estes dados apoiam que o desenvolvimento de deformidades da coluna está associado a cargas assimétricas típicas deste desporto durante um período de suscetibilidade da coluna imatura mais prolongado , típico do hipoestrogenismo , sendo que o risco de desenvolver escoliose aumenta com o aumento da idade da menarca . Por sua vez , Longworth B et al . 75 verificaram que quase um terço das adolescentes dançarinas de ballet da sua amostra apresentaram escoliose , demonstrando assim 12.4 vezes mais risco de desenvolver deformidade da coluna em comparação com controlos não dançarinos .
Apesar destes dados , não existe atualmente evidência científica suficiente para afirmar que um desporto particular possa causar ou contribuir para o desenvolvimento
4 , 21 , 58 , 76 , 77 de deformidades da coluna . Em contrapartida , considera-se que o exercício físico recreativo ou amador a nível moderado é importante para o desenvolvimento normal da coluna vertebral , do esqueleto e da criança em geral . 39 , 78 , 79 Alguns autores referem mesmo que a prática controlada de determinados desportos deve ter um papel no tratamento conservador das deformidades vertebrais , na medida em que pode potenciar a estabilização neuromuscular da coluna e assim contribuir para diminuir a progressão das curvas .
1 , 2 , 21 , 58 , 62 , 66 , 76 , 81-83
No entanto , é atualmente consensual que um desporto que envolve angulações e torções do tronco praticado a nível competitivo não é recomendado perante atletas com elevado risco de progressão da deformidade . 84 Admite-se que o exercício físico pode ser ao mesmo tempo um fator de risco e um fator protetor em relação ao desenvolvimento e progressão de deformidades da coluna vertebral , dependendo de fatores tais como tipo de desporto , nível ligeiro , moderado ou intensivo de prática desportiva , volume de treinos , características biomecânicas da postura e simetria dos movimentos , entre outros
58 , 76 , 85
.
Conclusões
A literatura científica sugere que algumas deformidades estruturais da coluna vertebral adquiridas durante o crescimento podem estar relacionadas com a prática intensiva de desportos que envolvem cargas axiais assimétricas sobre a coluna numa fase de maturação esquelética . Face a estes resultados , deve refletir-se sobre os riscos deste tipo de exercícios em crianças e adolescentes , podendo a adaptação do tipo , duração e frequência de cargas aplicadas sobre a coluna vertebral ser importante na prevenção do desenvolvimento de deformidades . São necessários estudos prospetivos comparativos e aleatorizados de modo a se poderem desenvolver estratégias de prevenção destas deformidades , nomeadamente através do planeamento de atividades que respeitem os princípios do crescimento e desenvolvimento normal da coluna vertebral , e assim evitar potenciais situações de espondiloartrose secundária e dor crónica precoces . O aumento da evidência científica acerca do papel da modulação biomecânica na progressão e mesmo na origem das deformidades da coluna vertebral poderá também contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas personalizadas que permitam corrigir as cargas assimétricas sobre as placas de crescimento e assim evitar a progressão e mesmo corrigir a deformidade .
Os autores declaram a não existência de conflitos de interesse .
Correspondência para
Diogo Moura Ortopedia e Traumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra dflmoura @ gmail . com
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Restante Bibliografia em : www . revdesportiva . pt ( A Revista Online )
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que 24% apresentavam escolioses, o
que é significativamente superior à
frequência na população geral.
A prevalência de dançarinos com
menarca tardia e amenorreia secun-
dária foi elevada e mais frequente
nos pacientes com escolioses em
comparação com os que não tinham
deformidades da coluna (83% e 44%
vs 54% e 31%, respetivamente). Estes
dados apoiam que o desenvolvi-
mento de deformidades da coluna
está associado a cargas assimétri-
cas típicas deste desporto durante
um período de suscetibilidade da
coluna imatura mais prolongado,
típico do hipoestrogenismo, sendo
que o risco de desenvolver escoliose
aumenta com o aumento da idade
da menarca. Por sua vez, Longworth
B et al. 75 verificaram que quase um
terço das adolescentes dançarinas
de ballet da sua amostra apresenta-
ram escoliose, demonstrando assim
12.4 vezes mais risco de desenvolver
deformidade da coluna em compa-
ração com controlos não dançarinos.
Apesar destes dados, não existe
atualmente evidência científica
suficiente para afirmar que um
desporto particular possa causar ou
contribuir para o desenvolvimento
de deformidades da coluna. 4,21,58,76,77
Em contrapartida, considera-se que
o exercício físico recreativo ou ama-
dor a nível moderado é importante
para o desenvolvimento normal
da coluna vertebral, do esqueleto
e da criança em geral. 39,78,79 Alguns
autores referem mesmo que a
prática controlada de determina-
dos desportos deve ter um papel no
tratamento conservador das defor-
midades vertebrais, na medida em
que pode potenciar a estabilização
neuromuscular da coluna e assim
contribuir para diminuir a pro-
gressão das curvas. 1,2,21,58,62,66,76,81-83
No entanto, é atualmente consen-
sual que um desporto que envolve
angulações e torções do tronco
praticado a nível competitivo não
é recomendado perante atletas
com elevado risco de progressão
da deformidade. 84 Admite-se que o
exercício físico pode ser ao mesmo
tempo um fator de risco e um fator
protetor em relação ao desenvolvi-
mento e progressão de deformidades
da coluna vertebral, dependendo de
fatores tais como tipo de desporto,
nível ligeiro, moderado ou intensivo
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de prática desportiva, volume de
treinos, características biomecânicas
da postura e simetria dos movimen-
tos, entre outros. 58,76,85
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