Revista de Medicina Desportiva Informa Julho 2016 - Page 30

A importância do Fotótipo nos Cuidados a ter com Sol e os Riscos de Cancros da Pele Prof. Doutor Osvaldo Correia Dermatologista. Diretor Clínico do Centro de Dermatologia Epidermis, Instituto CUF, Porto (www.epidermis.pt). Secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo. Porto O risco de cancro da pele é muitas vezes associado exclusivamente às pessoas ruivas ou louras, de pele clara, olhos azuis e que ficam rapidamente vermelhas com o Sol, o que nem sempre é o mais correto. O fototipo é usado para classificar os diferentes tipos de pele e a sua relação com a exposição solar, mas isoladamente pode não ser suficiente para identificar a pessoa com maior risco para cancro da pele e, sobretudo, pode promover descuido por aqueles que, não tendo fototipo baixo, se julgam seguros quanto à forma de se exporem ao Sol ou aos cuidados com a sua proteção. Trabalhos recentes evidenciam que o grau de pigmentação cutânea, e logo a dificuldade ou a facilidade de rápido bronzeamento, pode ser característica que permite uma melhor estimativa de risco de cancros cutâneos do que a clássica classificação de Fitzpatrick dos vários tipos de pele (fotótipos), a qual é fundamentada na cor do cabelo e dos olhos, além da facilidade de queimadura ou brozeamento1. A classificação de Fitzpatrick em 6 fotótipos, ou a classificação em 4 fotótipos principais (Tabela), pode ajudar a identificar o fotótipo pelas características de pele, cabelo, olhos mas, sobretudo, pela sensibilidade ao Sol, a capacidade de bronzeamenteo ou a facilidade de queimadura. Pode elucidar quanto ao tempo de proteção natural individual. Hoje em dia, a identificação do fotótipo pessoal, pela simples aparência, pode não ser fácil devido à combinação de genes com caracteristicas ancestrais muito diferentes e pode não predizer facilmente a sensibilidade à radiação ultravioleta (UV)2,3. Assim, poderá haver uma pessoa de cabelo e olhos escuros mas que facilmente fica sardenta, o que denota traços de fotótipos mais baixos e sensíveis 28 Julho 2016 www.revdesportiva.pt com características de fotótipos mais altos e resistentes. A Prevenção Primária de Cancros da Pele, sugerindo o “bom convívio com o Sol”, e a Prevenção Secundária, promovendo o autoexame periódico, são essenciais4. É importante ensinar a identificar os sinais cutâneos sem risco de evoluir para cancro da pele e distinguir daqueles que já são cancros da pele, como são os carcinomas basocelulares, os carcinomas espinocelulares (ou seus percussores potenciais, que são as queratoses actínicas) e os melanomas. Cada um destes três últimos cancros da pele, que têm como fator ambiencial de maior risco a exposição prévia aos ultravioleta de forma exagerada ou inadequada, pode assumir vários aspetos clínicos que importa reconhecer (www.apcancrocutaneo.pt; www.euromelanoma.org/portugal). Toda esta sensibilização deve ser estendida a toda a população, mas há que intervir sobretudo em grupos de risco acrescido, como aqueles que têm múltiplos nevos, sobretudo atípicos, os trabalhadores ou desportistas ao ar livre, como os ciclistas e os atletas de corrida amadora ou profissional, os imunossuprimidos, em particular os transplantados, que nasceram ou viveram em países tropicais, sendo de fototipo de risco ou que tiveram comportamentos de risco: • a frequência, mesmo que periódica, de solários, • os antecedentes de queimaduras solares repetidas ou intensas, sobretudo em criança, adolescente ou adulto jovem • os frequentadores de férias tropicais. É importante • a promoção da regra da sombra • o uso de vestuário adequado • a exposição lenta, gradual e sensata • o uso de protetores solares com índices de proteção solar elevada, em textura não enganosa e de aplicação repetida, os quais não devem ser usados para prolongar o tempo de exposição ao Sol. Ao planear o fim-de-semana, as férias, a corrida ou as atividades ao ar livre dever-se-á verificar as condições atmosféricas dos dias seguintes, tendo em atenção a temperatura e os índices de UV. De facto, poderão existir dias de temperaturas amenas, mas com índices de UV elevados, o que pode levar a descuidos na proteção solar, sendo útil a consulta desta informação em www.ipma.pt. É pela colaboração de todos os profissionais de educação e saúde, bem como pela comunicação social, que se poderá atingir os principais objetivos que são a diminuição da curva crescente de cancros da pele e reduzir a morbilidade e mortalidade dos mesmos pela promoção do autoexame e do diagnóstico precoce. Bibliografia 1. Sitek A et al. Skin color parameters and Fitzpatrick phototypes in estimating the risk of skin cancer: A case-control study in the Polish population. J Am Acad Dermatol 2016 Apr;74(4):716-23. 2. He SY et al. Self-reported pigmentary phenotypes and race are significant but incomplete predictors of Fitzpatrick skinphototype in an ethnically diverse population. J Am Acad Dermatol 2014 Oct;71(4):731-7. 3. Eilers S et al. Accuracy of self-report in assessing Fitzpatrick skin phototypes I through VI. JAMA Dermatol 2013 Nov;149(11):1289-94. 4. Agbai ON et al. Skin cancer and photoprotection in people of color: a review and recommendations for physicians and the public. J Am Acad Dermatol 2014 Apr;70(4):748-62.