Revista de Medicina Desportiva Informa Julho 2016 - Page 15

segundos 6 . Os valores de max em
2 tapete rolante são , em média , 5-10 %
superiores aos obtidos em cicloergómetro , o que é explicado pelo maior número de grupos musculares ativos durante a corrida 7 .
A capacidade de manter o exercício a uma intensidade máxima apresenta uma relação inversa com a potência debitada . Assim , quanto maior a potência dispendida menor o tempo durante o qual se consegue desempenhar uma determinada tarefa . Na prática , isto significa que a potência aeróbia máxima é o determinante mais importante do desempenho em provas com duração entre 2 a 6 minutos ( meio- -fundo curto : 1500m corrida e 400m natação ). Por sua vez , a potência no 2 .º limiar é determinante para o desempenho desportivo em provas com duração entre 20-60 minutos ( fundo curto : 10000m corrida e 15000m natação ) e a potência no 1 .º limiar para provas com duração superior a 60 minutos ( Fundo longo : maratona , 25km natação , triatlo , ciclismo ). No entanto , atletas de alto nível são capazes de completar a maratona ( 42,195km ) a velocidades iguais ou superiores às do 1 .º limiar , e provas de 10km e meias-maratonas a velocidades francamente acima do 1 .º limiar 3 .
Durante o exercício pesado ( acima do 1 .º limiar ), existem condições que favorecem o aparecimento de fadiga . Entre estas incluem-se a acumulação de calor e o aumento do consumo de O 2 e de substratos energéticos , que deixa de ser proporcional à intensidade do exercício 3 .
Como se relacionam os parâmetros obtidos numa PECP com a monitorização das sessões de treino ?
Os parâmetros obtidos numa PECP são referências para o treinador delinear o plano de treino . No planeamento das tarefas de treino , o treinador antecipa a resposta fisiológica do atleta e durante o treino compara-a com a resposta observada . Para esta comparação , o treinador guia-se pelo desempenho do atleta durante o treino , pelo registo da FC ou pela perceção subjetiva do esforço . Em determinadas sessões , podem ser feitas colheitas seriadas de lactatos . Quando se planeia uma sessão de treino , a escolha da intensidade é uma decisão importante . Os três domínios de intensidade estão na base da caracterização da maioria dos programas de treino de atletas de modalidades de resistência ( Figura 3 ). A FC é a variável fisiológica monitorizada numa PECP de utilização mais acessível no treino , sendo frequentemente utilizada para monitorizar a intensidade do treino , com recurso a cardiofrequencímetro . Como orientação muito genérica pode dizer-se que :
• No domínio moderado decorrem as tarefas de aquecimento , treino de recuperação e a maior parte do tempo de treino em atletas de resistência 8 . Esta intensidade não coloca exigência significativa sobre o metabolismo aeróbio . Neste domínio , desenvolve-se a capacidade aeróbia de base ;
• No domínio de intensidade pesado , desenvolve-se a capacidade aeróbia máxima . Vários autores têm realçado a importância das escolhas de intensidade ( perto do ou no 2 .º limiar ) e duração do treino neste domínio 8 .
• No domínio de intensidade severo o treino pode ter como objetivo aumentar a potência aeróbia e o tempo de exercício a uma intensidade acima do 2 .º limiar . Como a exigência sobre o metabolismo aeróbio e anaeróbio é significativa , o atleta apenas consegue manter esta intensidade por períodos mais curtos . O treino intervalado de alta intensidade é realizado nesta zona 8 . Para o leitor interessado , sugerem-se artigos que aprofundam este tema 8 , 9 .
Como se relacionam os lactatos com os parâmetros obtidos numa PECP ?
A colheita seriada de amostras para determinação do lactato sanguíneo foi o primeiro método descrito para a determinação dos limiares e dos diferentes domínios de intensidade . Continua a ser um método muito utilizado , demonstrando boa correlação com os comportamentos dos
O 2
, CO 2
e E observados durante uma PECP ( Figura 3 ) 4 . No domínio de intensidade moderado , o lactato aumenta relativamente aos valores de repouso , mas em geral não se eleva mais do que 1,5 mmol / L acima destes . No domínio de intensidade pesado , o lactato ultrapassa este valor , com uma taxa de incremento superior à do domínio de intensidade moderado . Numa representação gráfica , esta primeira inflexão corresponde ao 1 .º limiar . A transição entre o domínio pesado e o severo , correspondente ao 2 .º limiar , associa-se a incrementos ainda mais acentuados da acumulação de lactato , geralmente acima de 4,2 ± 0,7 mmol / L 10 .
Numa prova de carga constante , é possível determinar a carga correspondente ao estado estacionário máximo do lactato ( MLSS , de maximal lactate steady state ). O valor do MLSS é muito variável de indivíduo para indivíduo ( entre os 1,9 a 7,5 mmol ), mas já foi considerado ( erradamente ) como fixo a 4 mmol / L 11 . Para que os valores dos lactatos reflitam melhor o estado metabólico muscular é conveniente ter patamares de intensidade constante com pelo menos três minutos de duração . Para além disso , é necessário ter um minímo de 3 ou 4 recolhas para caracterizar a resposta por domínio de intensidade . Por esta razão , as provas de recolha de lactato não seguem o mesmo protocolo das PECP incrementais e a interpretação da avaliação dos lactatos em provas no terreno requer considerações especiais 10 .
Conclusão
A PECP é um exame importante no contexto da medicina desportiva e do exercício . É sensível na avalição de causas de intolerância ao exercício do praticante desportivo . É particularmente útil ao atleta e seu treinador , na medida em que permite obter dados relevantes para a otimização do controlo de treino . É atualmente um elemento incontornável na avaliação e controlo de treino dos atletas de resistência . Por tudo isto , é essencial que o médico especialista em Medicina Desportiva saiba as indicações , a fisiologia subjacente e como interpretar os resultados da PECP .
Toda a bibliografia em : www . revdesportiva . pt ( A Revista Online )
Revista de Medicina Desportiva informa Julho 2016 · 13
segundos6. Os valores de max em 2 tapete rolante são, em média, 5-10% superiores aos obtidos em cicloergómetro, o que é explicado pelo maior número de grupos musculares ativos durante a corrida7. A capacidade de manter o exercício a uma intensidade máxima apresenta uma relação inversa com a potência debitada. Assim, quanto maior a potência dispendida menor o tempo durante o qual se consegue desempenhar uma determinada tarefa. Na prática, isto significa que a potência aeróbia máxima é o determinante mais importante do desempenho em provas com duração entre 2 a 6 minutos (meio-fundo curto: 1500m corrida e 400m natação). Por sua vez, a potência no 2.º limiar é determinante para o desempenho desportivo em provas com duração entre 20-60 minutos (fundo curto: 10000m corrida e 15000m natação) e a potência no 1.º limiar para provas com duração superior a 60 minutos (Fundo longo: maratona, 25km natação, triatlo, ciclismo). No entanto, atletas de alto nível são capazes de completar a maratona (42,195km) a velocidades iguais ou superiores às do 1.º limiar, e provas de 10km e meias-maratonas a velocidades francamente acima do 1.º limiar3. Durante o exercício pesado (acima do 1.º limiar), existem condições que favorecem o aparecimento de fadiga. Entre estas incluem-se a acumulação de calor e o aumento do consumo de O2 e de substratos energéticos, que deixa de ser proporcional à intensidade do exercício3. Como se relacionam os parâmetros obtidos numa PECP com a monitorização das sessões de treino? Os parâmetros obtidos numa PECP são referências para o treinador delinear o plano de treino. No planeamento das tarefas de treino, o treinador antecipa a resposta fisiológica do atleta e durante o treino compara-a com a resposta observada. Para esta comparação, o treinador guia-se pelo desempenho do atleta durante o treino, pelo registo da FC ou pela perceção subjetiva do esforço. Em determinadas sessões, podem ser feitas colheitas seriadas de lactatos. Quando se planeia uma sessão de treino, a escolha da intensidade é uma decisão importante. Os três domínios de intensidade estão na base da caracterização da maioria dos programas de treino de atletas de modalidades de resistência (Figura 3). A FC é a variável fisiológica monitorizada numa PECP de utilização mais acessível no treino, sendo frequentemente utilizada para monitorizar a intensidade do treino, com recurso a cardiofrequencímetro. Como orientação muito genérica pode dizer-se que: • No domínio moderado decorrem as tarefas de aquecimento, treino de recuperação e a maior parte do tempo de treino em atletas de resistência8. Esta intensidade não coloca exigência significativa sobre o metabolismo aeróbio. Neste domínio, desenvolve-se a capacidade aeróbia de base; • No domínio de intensidade pesado, desenvolve-se a capacidade aeróbia máxima. Vários autores têm realçado a importância das escolhas de intensidade (perto do ou no 2.º limiar) e duração do treino neste domínio8. • No domínio de intensidade severo o treino pode ter como objetivo aumentar a potência aeróbia e o tempo de exercício a uma intensidade acima do 2.º limiar. Como a exigência sobre o metabolismo aeróbio e anaeróbio é significativa, o atleta apenas consegue manter esta intensidade por períodos mais curtos. O treino intervalado de alta intensidade é realizado nesta zona8. Para o leitor interessado, sugerem-se artigos que aprofundam este tema8,9. Como se relacionam os lactatos com os parâmetros obtidos numa PECP? A colheita seriada de amostras para determinação do lactato sanguíneo foi o primeiro método descrito para a determi ́ɕ́)ɕѕ́́ѕͥ) ѥՄ͕ȁմѽեѼ)ѥ酑Ʌɕ́хѽ́)<Ȱ <ɔ͕م́Ʌє)յA @Ʉ̤и9)ѕͥɅхѼ()յфɕѥمє́مɕ)ɕͼ́Ʌ͔)ل́Քİԁ0)ѕ̸9ѕͥ)ͅхѼձɅ̈́є)مȰյхᄁɕѼ)ɥȃѕͥɅ9յɕɕ͕чфɥɄ)ɕĻ 聱ȸ Ʌͧɔͅ)͕ٕɼɕєȻ Ȱ)ͽ͔ɕѽ́)́Յ́յձ)хѼɅє(а ܁0)9յɽلɝхє)ٕѕɵȁɝɕєххɥ)᥵хѼ51ML᥵)хєѕхє<مȁ51ML+եѼمɧٕռɄ)ռɔ̀İ䁄ܰԁ)́ͥɅɅє)ἁЁ0ĸAɄՔ)مɕ́́хѽ́ɕх)ххͱ͍ձȃٕєѕȁхɕ́ѕͥхє́)ѽ́ɇAɄͼ+ɥѕȁմ́Ԁ)ɕ́ɄɅѕɥȁɕф)ȁѕͥAȁф)Ʌ́ɽم́ɕхѼ)͕Օ͵ɽѽ)A @ɕх́ѕɕч)م́хѽ́ɽم)ѕɕɕՕȁͥɇՕ)() )A @մᅵхє)ѕѼѥل)ɏ$͕ٕم)́ͅѽɏ)Ʌѥєѥټ$ѥձɵєѥѱф͕ԁɕȰՔɵєѕ)́ɕمѕ́Ʉѥ)ɽɕ$Յє)մѼѽɻٕمɽɕ́ѱх)ɕͥAȁՑѼ͕Քф)5ѥل́ͅՕ̰ͥՉє)ѕɕхȁ́ɕձх́A @)QɅ)ܹɕّѥلЀI٥ф=)I٥ф5ѥلɵ)ձ؃ ܀((0