Revista de Medicina Desportiva Informa Julho 2012 - Page 8

Figura 3 – Rx de 27-10-2011 mostrando o resultado final do tratamento cirúrgico de doença de Freiberg no 2.º metatarso pé direito, que readquiriu esfericidade regular (Figura 3). Retomou a atividade desportiva ao nível competitivo anterior, com integração completa no plantel sénior do seu clube. Discussão: A doença de Freiberg é uma doença da adolescência, rara e de incidência mal estabelecida. O seu surgimento em adolescentes praticantes de desporto coloca questões relevantes sobre o retorno à prática desportiva, com repercussões ao nível emocional no jovem e nos seus progenitores. Na literatura encontram-se relatos de diversos casos do desenvolvimento desta doença em adolescentes praticantes de diferentes atividades desportivas, como a dança, atletismo, marcha, futebol, basebol, basquetebol, ginástica e badminton1,4,5. As publicações constituem-se na sua maioria de pequenas séries heterogéneas quanto à modalidade praticada, ao estadio da doença e à técnica terapêutica utilizada, pelo que são de pouco valor quanto á sua evidência epidemiológica. Muitas vezes, na mesma série, são apresentadas diferentes técnicas cirúrgicas, com tratamentos tão diversos, como a ressecção da cabeça do meta4, a utilização de enxerto osteocartilagíneo5, osteomias de encerramento dorsal tipo Gauthier ou simplesmente queilectomias4, a maior parte das vezes sem fundamentar de forma clara a opção da escolha e, sobretudo, sem nunca 6 · Julho 2012 www.revdesportiva.pt entrarem em linha de conta com a atividade física e/ou desportiva praticada. Também comum a quase todas é o facto de não ser dada enfase significativa à retoma desportiva após termo do tratamento5. Outro fator comum são os relatos dos bons resultados do tratamento efetuado, independentemente da técnica utilizada, e sem nunca serem relacionados à atividade praticada, pelo que aparentemente esse parâmetro poderia ser considerado irrelevante para o resultado esperado. No que respeita ao caso clínico apresentado, os autores optaram pela osteotomia de ressecção da região cefálica necrosada, operação de Gauthier, com o objetivo de recuperar a esfericidade da cabeça, garantir um revestimento de cartilagem sã e encurtar discretamente o 2.º metatarso, diminuindo a pressão intra articular e o stress decorrentes do traumatismo no solo durante a marcha e durante a prática desportiva. A condição de atleta fez com que durante o tratamento se mantivesse sempre presente a expetativa de completa recuperação, de modo a permitir a retoma do desporto praticado. Após o tratamento a jovem retomou o desporto no pleno das suas capacidades e integrando definitivamente o grupo competitivo sénior no clube que representava. É importante ainda referir que a variável temporal nunca foi tomada em linha de conta, já que em nosso entender o tratamento do jovem atleta, independentemente da atividade praticada ou da lesão que apresente, deve primar sempre pelo objetivo da recuperação completa, sem que nunca se invista no objetivo de retorno rápido à competição. O resultado obtido foi muito bom, quer a nível osteoarticular, quer a nivel pessoal e desportivo, validando a opção terapêutica adotada. Bibliografia 1. Air ME, Rietved ABM. Freiberg’s disease as a rare cause of limited and painful relevé in dancers. Journal of Dance Med. Sci. 14(1), 2010: 32-36. 2. Gillespie H. Osteochondroses and apophyseal injuries of the foot in the young athlete. Curr. Sports Med. Rep. 9(5), 2010: 265-268. 3. Orava S, Virtanen K. Osteochondrses in athletes. Brit. J. Sports Med. 16(3) September 1982: 161-168. 4. Sproul J, Hobart K, Mannarino F. Surgical treatment of Freiberg’s infraction in athletes. The American Journal of Sports Medicine. 21(3), 1993: 381-384. 5. Tsuda E, Ishibashi Y, Yamamoto Y, Meada S, Kimura Y, Sato H. Osteochondral autograft transplantation for advanced stage Freiberg disease in adolescent athletes. The American Journal of Sports Medicine. 39(11) 2011: 2470-2475. 6. Tachdijian MO (ed) Pediatric Orthopedics. Second edition. Philadelphia, WB Saunders, 1990: 642.