Revista Crea-SP | nº 07 - Page 18

NEGRITUDE , RESISTÊNCIA E FÉ

“ ATÉ QUE OS LEÕES CONTEM as suas próprias histórias , os caçadores serão sempre os heróis das narrativas de caça ”. Esse célebre provérbio africano resume a linha de pensamento de nossa ‘ perfilada ’ desta edição , a Agente Administrativa Simone Almeida de Oliveira ( Ouvidoria ), 15 anos de Crea-SP .
“ Negros e negras devem ser os protagonistas de suas histórias : devemos falar sobre nós , sobre nossa história , não podemos deixar somente o outro nos ‘ passar a limpo ’; não que outros não possam , mas ninguém falará melhor de si a não ser você mesmo , por isso clamamos por voz ”, diz , enfatizando : “ Conte e reconte da melhor forma para que essa voz , que não é somente minha , ecoe ”.
Mulher e negra , negra e mulher , Simone conhece como poucos “ a dor e a delícia de ser o que é ”. Define-se feminista e contadora de histórias . Mãe de uma única filha , Kizzi Noani ( junção das palavras de origem africana que significam “ aquela que não vai embora , que permanece ” e “ minha casa ”), hoje com 12 anos , adora terra , música , dança .
Graduada em Letras , é especialista em Gestão de Projetos e pesquisadora de Culturas de Tradição Oral , amante da literatura de países
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que amamos esses seres especiais, que Deus nos conduz e que, sejam quais forem suas escolhas, vibraremos sempre no amor incondicional a eles”, explica. Hoje, dois anos depois da partida, “e já com a certeza de que eles não voltarão, sinto-me muito mais próxima do meu Diogo, somos mais tolerantes, amáveis e conscientes de nossos papéis como mãe e filho. E todas as vezes que sei de suas conquistas, sinto uma alegria imensa invadir meu coração. Tenho ainda em meu ninho meu pequeno Inácio... mas isso é uma outra história! A vida é maravilhosa, inconstante e cheia de mistérios... falar sobre o esvaziamento do meu ninho é tudo isso!”, conclui. PERDAS E GANHOS Mãe de duas filhas (Andrea, 32, e Alessandra, 29), a Analista de Recursos Humanos para São Paulo, os problemas de saúde retornavam também. Além disso, meu relacionamento com Rosana Cristina Silva Lahoz (DRH) ficou muito orgulhosa da maturidade da filha mais jovem, que saiu de casa em agosto de 2010 para “estudar, casar e viver a sua própria vida”. Algo parecido com o que ela própria vivenciou na juventude. “Foi muito similar, a única diferença era que eu morava a poucos minutos da casa de minha mãe”, diz. Rosana lidou bem com a ausência e comemora os ganhos. “Perdi o privilégio da convivência diária com a minha filha ‘pequena e grande mulher’, mas ganhei um genro maravilhoso. Apesar da distância física, nunca houve um distanciamento, pois nos falamos praticamente todos os dias e nos encontramos quase todos os fins de semana. A felicidade dela se entrelaça com a minha. Uma frase que corresponde a essa o pai dela e a atual esposa sempre foi muito saudável. Lidei com isso de forma positiva, entendendo que ela estava crescendo. Além disso, estava muito segura de que ela seria bem tratada pelo pai e sua nova família. A distância entre nós seria de uma hora e meia de voo, ou seja, poderíamos nos ver num final de semana”, ressalta. Mas não foi tão fácil lidar com a ausência da filha. “No início foi um pouco estranho, faltava ela no dia a dia, na mesa pra comer, nas brincadeiras e até nas broncas (risos). Com o passar do tempo foi ficando diferente, perc V&VFVRVW7FffVƗv7FFFfW66RFR&"FRg&VFR&&6R֖fƆW7L:fVƗW7FRfVƗF,:W6F7FFW0f66VFR6FV2VFƖvF26fW'6F"FVVfR6g&W\:6G&FFFRw&FW2RFPW<:6( 6VFFW26V&RG&7FWV6( &W76FfƆG&VF&6:6RRVV<;2FVVfƆ6W,:VR6g&R0VFW7fƗ7FFR&V7W'60V26&W77VR&VvE$fRfƆ ;6&&&&R6#R26"FP662b&( FW"WW&:6FR& 6VffVƆW7 :&F6FPF,:&VƆ&"6;FR&W7&L;7&( :6fWFVFRV7W'&W6( W&V6GV:|:6W7W&F76'VRFW6FR2fR0FRFFR&&&&76f2l:&2W66&W26VV6FFRRFVVƆ&6vf6FfF2&&V2FR'&VFRR6VF&WF&fWVV277VF2FVR&WfW7F VFWFW&֖F66:6W76W2fP2FR7VVF:v2fV06g&W\:6V6Rf&P6<;6vRF,:6R66RW7FfPFFV2VF20'FFW>( 6V&2v2f&&W2FVP2W&F2( VFVFVR2v0W7L:6&V6F2 :GW&FFRR :&W76&ƖFFRVRVF:vG&WR&֖fƆ&֖WW&<:6FR6VF"VR2fƆ07&W66VR&V66( f"62,;7&26>( 6W&VЧ&W7<:fV2"7V2W66Ɔ2VFW&F2:6W6&"Rb2B5$T5VFVFVR0v2W7L:6&V6F2 :GW&FFRR :&W76&ƖFFPVRVF:vG&WR&֖fƆ&֖WW&<:6FR6VF"VR0fƆ27&W66VP&V66( f"6Ц2,;7&26>( 6W&V&W7<:fV0"7V2W66Ɔ2VFW&F2:6W6&W76g&0W7FVVVW0VF2VVP6VF2fFF'&:vF2&6F2R6&V2VPFV2VRW7W&",;7V6G&4$U55TR$TtW76g&2W7FVVVW2VF2VVR6VF2fFF'&:vF2&6F2R6&V2VRFV2VRW7W&",;7V6G&( F6&VR6RFR662#2&6R66"&Ɨ7FFR6W'f:v2F֖7G&Ff2&F6<;G'&&;V2UbFV&R,:F66R6G&FV( Ė6VFRf2VRf'FRF&6W76FfFVR7&22fƆ2&VR6FVFV7V,;7&fF2 :<;2F67W'6'VR,:F6 :VV6FfW&VFR 8VЧ&6W76&VFl:6'VRL:VFFW76W2f<:W&\:v2'FFRFfFFVW2RFR&WVFRf<:f&VW7V7FF&VR<;2VW"VRVW26VЦfVƗW>( F:6RFRG,:2fƆ36V3V&VR3BR6&Ɩ3"( Fl:6 :ƖF"6f&FR66WVVFVVFR6W<:6FVW2WR666FVF26VFFW2FRVFVW2W&7&:v22W6FVR6F&wVƆ6( F6<;G'&7V2fƆ2:W7L:666F2( GVVFR<;2V&VR&6֖vR6WRW766W6fRVP&R"VFV6:6RFfƆFVR2:6FWR6W'F( 6FVF6<;G'&6RFR66( Ɯ:2VFfVW&6V&VRV&:0V2f6VFR&7FFRFfWVfFFR:6FW&22:6PW&F֖:6R2"2FRFFR66FWRVR<;2FVPG&7&V6W"VFW&Fl:6:6FW"2fƆ2"W'FFW2VRf6P&V2fVƆ( WƖ66VvFF2WF2FWRV6&"FFW7V6 :&V:|:662fƆ2( FVF2WF2'FW"2fƆFV&VRR6&6r2fƆF6V66W'FWWRvVVF6fFF2WF2 :VF VffF( 66V( 2#22VFVF66FRWW22&R66"RffW"֖66WRW7:vFfV2F2fƆ3:766R632R6763Rf6266F2"#B2L:VR6WRfV6VF26W&^( &WfVƗ7FFR6W'f:v2F֖7G&Ff2W&"6W2FR6&v'&v4T2fƆ6R6VFFR66( 6֖fƆ:766GVFf&VFfW&VFRVFRFR662b2&6R66"FWfRF2fƆ2G&R#PwW7Ff :6W766GV:|:6f&76f:ƖVFVW&FFRVFFVW7FfRFl:6FRVFVFW"RF,:g'W7G&FRVVVF2F67W7<;VW2f2VRFfV2VRFW66'F"6F,:Ч7FW&v"6FVFFVVW'GW&&:|:6f6VF7WW&F'VPVR:6&V6WR6W"VFW67G&RVFVW&FFR:6<;2&V6&;727G&RR6&fRVRfFV6<:6276W'FfVPFW&FW"6FV6F( Ɨ6ब:fƆ :fW'6F&:266F:6R( VRf'FRFvW&:|:66wW'RW6FVF6F:|;VW2FRVF"&ffW"V6WRW7:v6ЧFF&f6FFR&VfW&R6FV"V66RL:&W6VFRV6vFVF:v27&VFFVRVF2fF&W2&WFW&FW2 :FR:6FW"2VG&R;72RFfW6FwVFV"R6VwW&:v( )y$ĕ5DU,84DRT"Rb2B5$T5