Revista Cenariun - Toledo Fibra MAR. 2019 | Page 72

Sonia Araújo Mestre em Educação soniainformacao@gmail.com empatianacuca@gmail.com O PAPEL DA ESCOLA FRENTE AO CYBERBULLYING Divulgação C om o surgimento do cyberbullying, a escola que, na maioria das vezes, já não era um lugar muito agradável para alguns adolescentes, tornou- se simplesmente insuportável, principalmente para a vítima, pois é o local mais propício para encontrar o autor do seu sofrimento. Este medo, juntamente com a constante cobrança dos pais, para que tenham boas notas nas diversas disciplinas e associado à pressão acadêmica, além de dificultar o aprendizado, leva os alunos a não gostarem da escola e criarem uma espécie de barreira, uma resistência em relação a ela. A adolescência é a fase da vida na qual mais ocorrem mudanças e estas, por sua vez, chegam com vários e diversos problemas. Ao olhar de um adulto leigo, podem parecer uma bobagem ou coisa passageira, mas sabe-se que as vivências dessa fase, tão paradoxa, são os pilares para uma vida adulta saudável. Se o aluno não está ou não se sente bem na escola, cabe a ela descobrir o porquê e mudar sua forma de atuação: os professores passarão por uma reciclagem de conhecimentos? serão mais próximos e mais amigos? permitirão ao adolescente conhecer o próprio mundo, sempre buscando a integração? ou quem sabe, farão reuniões com os pais dos alunos? O docente não pode esquecer que a era digital exige dele, bem mais do que ensinar as inúmeras disciplinas, pois faz parte de suas atribuições a condução dos alunos ao encontro de caminhos seguros que serão trilhados diariamente. Essa aproximação facilita um melhor conhecimento entre as partes e assim, acompanhar as vivências deles em todos os momentos, pois o professor deixará de ser aquele que está à frente de um grupo adolescente, mas sim junto a esse grupo, que confia, gosta e divide com ele o cotidiano, facilitando com isso o aprendizado. Em muitas escolas há professores que não dominam o uso das redes sociais e com isso vivem num mundo à parte e não naquele virtual habitado pelo aluno. Este distanciamento dificulta o aprendizado, mesmo porque vários ensinamentos podem ser feitos via internet, unindo assim, o útil ao agradável, pois os alunos ao mesmo tempo em que estudam, fazem uso de seus celulares, amigos inseparáveis e também porque é impossível pensar no adolescente e não fazer uma associação deste com as redes sociais. O problema maior é que além do acúmulo de trabalhos dos professores, que sabemos, após as aulas, levam trabalhos para dar continuidade em casa, precisam saber, conciliar a vida pessoal com a profissional. Além disso necessitam “driblar” a falta de segurança pessoal, escassez de material, a violência estudantil encontrada dentro e fora do ambiente escolar, os perigos do mundo virtual e claro, o descaso do poder público. As escolas mais atuantes já perceberam que nesta era digital, seu papel vai além de ensinar números e letras, e assim, abraçaram mais uma responsabilidade: trabalhar o cyberbullying, prevenindo esta ocorrência e facilitando a vida do aluno.