Revista Cenariun - NORTESYS RC NORTESYS | Page 71

TERRA F undado em 1988, o Tocantins, apesar de ser o Estado mais jovem do Brasil, possui uma cultura secular que re ete o seu longo processo de formação. Nas danças, cânticos e nas manifestações populares do Estado, pode-se ver, nitidamente, traços da identidade dos negros, que aportaram em seu território, para trabalhar na exploração do ouro, ainda sob o regime da escravidão. Nos eventos religiosos tradicionais do Estado, que juntam milhares de éis, pode-se sentir que o Tocantins carrega a essência da própria formação mística brasileira. Logo em janeiro, abrindo o ano, a Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo, encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém, para adorar o Menino-Deus. Dados a respeito desta festa a rmam que a sua origem é portuguesa e tinha um caráter de diversão, era a comemoração do nascimento de Cristo. No Brasil, a Folia de Reis chega ao século XVIII, com caráter mais religioso do que de diversão. No Tocantins, os foliões têm o alferes como responsável pela condução da bandeira, que sai pelo sertão "tirando a folia", ou seja, cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis, realizada sempre no dia 6 de janeiro. O Alferes, seguido dos palhaços do Reisado e de seus instrumentos, bate nas portas dos éis, de manhãzinha, para tomar café e recolher dinheiro para a Folia de Reis, oferecendo uma bandeira colorida, enfeitada com tas e santinhos. Do lado de fora, os palhaços vestidos a caráter e cobertos por máscaras, representando os soldados do rei Herodes, de Jerusalém, dançam ao som do violão, do pandeiro e do cavaquinho, recitando versos. No dia de Reis, 06 de janeiro, o dinheiro arrecadado é gasto em comes e bebes para todos. A Folia de Reis, diferentemente do giro do Divino Espírito Santo, acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos, e somente à noite. O compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez, ou todos os anos. A folia visita as famílias de amigos e parentes. Os foliões chegam à localidade e se apresentam tocando, cantando e dançando. A família recebe a bandeira, o an trião percorre com ela toda a casa, guardando-a em seguida, enquanto aos foliões são servidos bolos, biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. Ao se retirarem, o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida, repetindo o gesto da entrada. Quando o dia amanhece, os foliões retornam às suas casas para descansar e, ao anoitecer, retomam as andanças. Quando termina o roteiro da folia, realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. Neste momento reza-se o terço, com a presença dos foliões e dos convidados, em frente ao altar ornamentado com ores, toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Em seguida, é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. A tradição por aqui é muito forte. Os mais velhos acreditam serem os Santos Reis os protetores contra a peste, a praga na lavoura e, principalmente, os responsáveis pela prosperidade, pela fartura e por muito dinheiro. Fonte: Viaja Brasil Imagens: Divulgação / Minoru Amado