TERRA
F
undado em 1988, o Tocantins, apesar de ser
o Estado mais jovem do Brasil, possui uma
cultura secular que re ete o seu longo
processo de formação. Nas danças, cânticos e nas
manifestações populares do Estado, pode-se ver,
nitidamente, traços da identidade dos negros, que
aportaram em seu território, para trabalhar na
exploração do ouro, ainda sob o regime da
escravidão. Nos eventos religiosos tradicionais do
Estado, que juntam milhares de éis, pode-se sentir
que o Tocantins carrega a essência da própria
formação mística brasileira. Logo em janeiro,
abrindo o ano, a Folia de Reis
comemora o nascimento de Jesus Cristo,
encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de
Belém, para adorar o Menino-Deus. Dados a
respeito desta festa a rmam que a sua origem é
portuguesa e tinha um caráter de diversão, era a
comemoração do nascimento de Cristo. No Brasil,
a Folia de Reis chega ao século XVIII, com caráter
mais religioso do que de diversão. No Tocantins, os
foliões têm o alferes como responsável pela
condução da bandeira, que sai pelo sertão "tirando a
folia", ou seja, cantando e colhendo donativos para
a reza de Santos Reis, realizada sempre no dia 6 de
janeiro. O Alferes, seguido dos palhaços do Reisado
e de seus instrumentos, bate nas portas dos éis, de
manhãzinha, para tomar café e recolher dinheiro
para a Folia de Reis, oferecendo uma bandeira
colorida, enfeitada com tas e santinhos. Do lado
de fora, os palhaços vestidos a caráter e cobertos
por máscaras, representando os soldados do rei
Herodes, de Jerusalém, dançam ao som do violão,
do pandeiro e do cavaquinho, recitando versos. No
dia de Reis, 06 de janeiro, o dinheiro arrecadado é
gasto em comes e bebes para todos. A Folia de Reis,
diferentemente do giro do Divino Espírito Santo,
acontece em função de pagamento de promessa
pelos devotos, e somente à noite. O compromisso
pode ser para realizar a folia apenas uma vez, ou
todos os anos. A folia visita as famílias de amigos e
parentes. Os foliões chegam à localidade e se
apresentam tocando, cantando e dançando. A
família recebe a bandeira, o an trião percorre com
ela toda a casa, guardando-a em seguida, enquanto
aos foliões são servidos bolos, biscoitos e bebidas
que os mantêm nas suas andanças pela noite. Ao se
retirarem, o proprietário da casa devolve a bandeira
e os foliões agradecem a acolhida, repetindo o gesto
da entrada. Quando o dia amanhece, os foliões
retornam às suas casas para descansar e, ao
anoitecer, retomam as andanças. Quando termina
o roteiro da folia, realiza-se a festa de encerramento
na residência da pessoa que fez a promessa. Neste
momento reza-se o terço, com a presença dos
foliões e dos convidados, em frente ao altar
ornamentado com ores, toalhas bordadas e a
bandeira dos Santos Reis. Em seguida, é servido um
jantar com uma mesa especial para os foliões. A
tradição por aqui é muito forte. Os mais velhos
acreditam serem os Santos Reis os protetores
contra a peste, a praga na lavoura e, principalmente,
os responsáveis pela prosperidade, pela fartura e
por muito dinheiro.
Fonte: Viaja Brasil
Imagens: Divulgação / Minoru Amado