Revista Cenariun - NORTESYS RC NORTESYS | Seite 68

estar HONESTIDADE Ana Rúbia D NÃO É VIRTUDE. É DEVER ia desses, conversando com uma amiga sobre este assunto, lembrei-me de um episódio acontecido na época em que eu lecionava na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Era nal da tarde de uma sexta feira, as aulas haviam terminado, e eu estava muito cansada. Quando entrei no carro para ir pra casa, uma moça pediu-me carona, dizia ser estudante do curso de Filoso a, e que morava num setor antes do meu. Era caminho. Sinceramente, nem olhei muito para ela, e só me lembrava do seu primeiro nome, Márcia. No dia seguinte acordei cedo, e rumei para a Vila Embratel, pois estava fazendo uma pesquisa para o CNPQ, sobre as invasões urbanas, e esta vila era um dos locais trabalhados. Joguei o material no banco de trás, e rumei para o meu destino. Voltei à noite, e ao recolher a papelada, percebi uma carteira jogada no chão do carro, em seu conteúdo havia uma determinada quantia em dinheiro, umas contas para pagar, e documentos diversos. Aí quei imaginando o quanto aquela pessoa estava desesperada com a perda de sua carteira. Foi muita sorte eu ter encontrado, pois como ela sentou-se no banco da frente, o objeto acabou caindo no assoalho, e lá cou até o dia seguinte, quando o encontrei. Meu primeiro passo foi procurar a moça no endereço em que a deixei, ela cou muito emocionada, ao ver que o conteúdo da sua carteira estava intacto, ela disse que não me procurou, porque pensava que a tivesse perdido na universidade. Esta é uma típica situação que abrange a honestidade, a virtude, e o dever. Ser honesto hoje é tão raro, que no dia seguinte, quando contei o episódio na sala de aula, a aclamação foi geral, e eu passei a ser vista, como uma espécie de “santa”, situação que me deixou constrangida. Mas ultimamente, com a onda de corrupção que se alastrou no país em todos os setores, a impressão que dá é que não temos mais para onde correr, e quando surge alguém com características honestas, o alarde é tanto, que todos passam a exaltar aquele indivíduo, como se “ser honesto” fosse atributo apenas dos deuses, e não um dever obrigatório do cidadão. Agora vamos traçar a diferença entre Honestidade, virtude e dever. Ser honesto signi ca desenvolver a força de caráter que irá nos permitir prestar grande serviço à nossa consciência, respeito próprio, e a con ança das pessoas. Virtude é à disposição de um indivíduo de praticar o que é bom. Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o caminho do bem. Já o dever se refere a tudo que é considerado uma obrigação e que muitas vezes deixa de ser o desejo adequado ou apropriado de uma pessoa. O termo está relacionado com a ética e a moral, pois se refere a ações ou formas de comportamento que têm sido socialmente estabelecidos e conceituados como apropriados ou corretos para determinadas situações. Portanto ca aí a re exão: HONESTIDADE NÃO É VIRTUDE. É DEVER. Sejamos coerentes. “Viver feliz não é mais do que viver com honestidade e retidão”. (Cícero) Divulgação