Revista Amooreno Edição 05 - JUN2018 | 页面 35

As pesquisas, demonstradores e estatísticas de previsão para a moda fornecem um repertório para a imprescindível máxima determinada pelo‘ Espírito do Tempo’ que, pela expressão internacional de mercado, se diz“ The Spirit of the Times”. Mas, tal expressão, não se refere apenas à noção de uma atualidade como superficialmente se entende. Trata-se da essência de um processo intuitivo, dedutivo e indutivo para formular os diversos ciclos criativos da moda que compreendem os artigos básicos de longa duração, artigos que têm uma evolução progressiva em médio prazo e, sobretudo, aqueles de curta duração considerados de vanguarda. Para entender os fundamentos dessas teorias práticas do‘ Spirit of the Times’, basta aprofundar nos estudos de estética no que concerne à definição dessa expressão em seu original alemão – Zeitgeist –, fundamental para que a imaginação possa se manifestar em sua forma de conteúdo, materiais e técnicas associados a uma arte específica pela definição de Georg Hegel, que situa a representação do homem conforme seu conhecimento, crenças, religião etc. A coerência do sistema de Hegel é fundamentada em uma necessidade de a ideia( conteúdo) ser conceitualizada. O conceito deve ser universalizado e, por meio de uma arte específica, superar a subjetividade, exteriorizando-se. O que prevalece é o presente e a história para o desenvolvimento do‘ Espírito’. A importância da filosofia de Hegel é o espírito como única substância, o que supõe, assim, que a história seja o espaço de realização e liberdade. Essa realização atravessa o tempo sempre em continuum, com conquistas, alegrias, sofrimentos, conflitos, guerras etc. Cada etapa da história se opera por meio de uma nova recomposição, oferecendo um progresso da consciência de liberdade, da afirmação dessa liberdade. Essa filosofia da história tem grande importância para Hegel, que percebe que a história apresenta um sentido, um significado específico para a evolução do espírito, que adquire conhecimento próprio do que se apresenta como real, como o espaço da emancipação da humanidade. Com a interpretação de sua obra, todo o século XX foi influenciado e significativas transformações ocorreram; principalmente em relação aos aspectos sociais e econômicos a serem considerados em projetos estritamente direcionados às propostas sociais e, neste caso, de análise, ao mercado e às inovações em relação ao progresso da sociedade, que alimentam expectativas. Convém observar, entretanto, que os processos de desenvolvimento de projetos, concepção e configuração nas relações entre objeto e produto, ambiente e usuário, são o principal meio para a inovação tecnológica. E não apenas em moda, mas em todo desenvolvimento econômico, social e industrial em relação à ciência e à tecnologia, apresentando boas citações exploratórias sobre projetos de design, seja de moda ou de outros produtos, mas que dão conta desse tema em questão. Todavia, o que interessa aqui é a lógica da inovação tecnológica e a criatividade. No que representam socialmente, por exemplo, um novo look, um tecido ou qualquer outro objeto fora da linha de produção ou recentemente lançado, traduzem a importância para o Zeitgeist a respeito das tendências do prêt-à-porter pelas aparências dos estilistas que têm algumas significações a serem pensadas a respeito de suas criações. A moda é, em seu conjunto, uma síntese de ações representada pelas diferentes classes sociais e seus respectivos segmentos, que atribuem valores a ela. Todo discurso social se encontra em um espaço de dissuasão articulada pela ideologia de visibilidade, de transparência, de polivalência e de consenso para exposição dos looks em uma relação que transforma bens culturais em bens de consumo. A arte pela moda ou a moda pela arte se expõem em espaços com sentido estético, mas esperam algo, o novo olhar ou qualquer sentido de inovação e criatividade, com as antigas formas em novas representações.
JUNHO 2018- REVISTA AMOORENO- 35