Revista Amooreno Edição 03 - ABR/2018 | Page 39

A década de 1980 testemunhou o surgimento de estilistas como Ralph Lauren, Calvin Klein e Giorgio Armani, que deram início á produção de moda masculina procurando equilíbrio com a moda feminina por reconhecer o potencial de consumo de roupas para homens. Lauren ostenta um império com dezenas de marcas que evocam a nostálgica imagem da alfaiataria inglesa, as roupas esportivas retro, a American Ivy League e os caubóis do Oeste. Suas lojas são decoradas com um pacote completo de um determinado estilo de vida. Seu contemporâneo, o nova-iorquino Calvin Klein, construiu uma marca globalizada de sucesso. Inicialmente criador de um estilo minimalista para mulheres, ele lançou uma linha de moda masculina. Nas décadas de 1980 e 1990, as campanhas publicitárias de ambos contavam com celebridades e modelos, que garantiu uma incrível divulgação das marcas no mundo todo. Girogio Armani iniciou sua carreira na moda trabalhando na loja italiana La Rinascente e, a partir de 1975, passou a investir na moda masculina. Armani revolucionou a alfaiataria nos anos 1980 ao remover a entretela do terno e usar tecidos mais fluídos, como linho e lãs mais leves, até então exclusivos das roupas femininas. Alfaiate favorito das celebridades, ele mantém o controle total de seu império, que se expandiu até a fabricação de móveis de decoração e chocolates. Muitos designers se inspiraram e foram influenciados pela moda de rua na composição de suas linhas. Jean Paul Gaultier, conhecido como enfant terrible da alta-costura francesa, criou sua primeira coleção de moda masculina em 1984, procurando explorar os limites de gênero ao usar modelos andróginos nas campanhas publicitárias. Nos anos 1980, Paris foi invadida por estilistas japoneses que introduziram novos conceitos na moda. Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, criaram roupas que redefiniram as formas do corpo: tamanhos grandes, assimétricos, soltos, em camadas, afrouxados e quase sempre em preto. O ar intelectual e o estilo desconstrutivista apresentavam peças com grandes proporções e sem acabamento, com forros, costuras e bainhas aparentes. O estilo inspirou o trabalho do Antwerp Six, grupo de estilistas belgas do qual participavam Martin Margiela e Dries Van Noten. Se depender dos estilistas Raf Simons, Hedi Slimane, Jil Sander e Tom Ford, o terno sempre renascerá e continuará na moda. O nova-iorquino Thom Browne explora, manipula e altera o estilo tradicional do terno ao revisitar modelos do passado, como em seu casaco marinheiro transpassado sea coat, muito popular durante o século 19. Enquanto a alfaiataria manteve sua posição tradicional como fornecedora de luxo, os estilistas são vistos atualmente como a alta-costura do guarda-roupa masculino, com preços correspondentes à alfaiataria, mesmo os ternos prêt-à- porter. O terno deverá sobreviver por pelo menos mais 350 anos, pois jamais foi ultrapassado por nenhum outro modelo e continua aceito como a essência o estilo masculino. A moda é passageira, mas o estilo, é para sempre. ABRIL 2018 - REVISTA AMOORENO - 39