consigo, na usurpação de espaços urbanos, sua
fragilidade reside no fato de que no dia seguinte à sua
elaboração, outro artista, vândalo, proprietário ou
autoridade pode se apossar do mesmo, interferindo
sobre o que foi pintado ou, simplesmente, cobrindo-
o de uma tinta qualquer. Assim, a transitoriedade
dessa expressão e o fato de ocorrer à margem de
qualquer instituição a tornam extremamente frágil,
fugaz e dinâmica.
Os grafites e os pichos podem ser vistos, ainda, como
uma humanização das paredes e muros. Por meio da
escrita e da pintura, dão voz a um elemento mudo (o
muro); novos significados e funções a elementos
construídos e a espaços; dão cor a uma superfície
monocromática; personalidade (agressiva e frágil) a
uma parede impessoal; conferem movimento e ação
(transgridem fronteiras, abalam conceitos) a uma
construção estática, tudo isso em um clima
desafiador e lúdico.
Há também a questão, por parte dos artistas de rua,
da negação do lugar apropriado para a arte: não
interessa mais a arte dentro da casa, da escola, do
teatro, da galeria, do museu, mas a manifestação que
ocorre na rua e nas praças, ao alcance de todos, para
todos e que pode ser realizada por qualquer um. É a
busca pela democratização da arte e da acessibilidade
aos meios de comunicação, tornando-se a cidade, ela
própria, um jornal, uma galeria de arte, um livro, um
documento histórico.
A complexidade do universo de representação
veiculado pelos grafites torna essa arte intrigante e
relevante, pois ela se tornou uma voz que grita sua
mensagem ao homem comum e à sociedade como
um todo.
#artrua #alemanha #megx
FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 67