Revista Amooreno Edição 01 - fev/2018 | Page 67

consigo, na usurpação de espaços urbanos, sua fragilidade reside no fato de que no dia seguinte à sua elaboração, outro artista, vândalo, proprietário ou autoridade pode se apossar do mesmo, interferindo sobre o que foi pintado ou, simplesmente, cobrindo- o de uma tinta qualquer. Assim, a transitoriedade dessa expressão e o fato de ocorrer à margem de qualquer instituição a tornam extremamente frágil, fugaz e dinâmica. Os grafites e os pichos podem ser vistos, ainda, como uma humanização das paredes e muros. Por meio da escrita e da pintura, dão voz a um elemento mudo (o muro); novos significados e funções a elementos construídos e a espaços; dão cor a uma superfície monocromática; personalidade (agressiva e frágil) a uma parede impessoal; conferem movimento e ação (transgridem fronteiras, abalam conceitos) a uma construção estática, tudo isso em um clima desafiador e lúdico. Há também a questão, por parte dos artistas de rua, da negação do lugar apropriado para a arte: não interessa mais a arte dentro da casa, da escola, do teatro, da galeria, do museu, mas a manifestação que ocorre na rua e nas praças, ao alcance de todos, para todos e que pode ser realizada por qualquer um. É a busca pela democratização da arte e da acessibilidade aos meios de comunicação, tornando-se a cidade, ela própria, um jornal, uma galeria de arte, um livro, um documento histórico. A complexidade do universo de representação veiculado pelos grafites torna essa arte intrigante e relevante, pois ela se tornou uma voz que grita sua mensagem ao homem comum e à sociedade como um todo. #artrua #alemanha #megx FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 67