Revista Amooreno Edição 00 - jan/2018 | Page 44

BENKI PIYÃKO

BENKI PIYÃKO

realizado, foi elogiada pela ONG WWF( World Wide Found for Nature) e convidada pela editora de moda mais importante do mundo, Anna Wintour, para compor o casting do Runway Green, um evento que promove a moda sustentável de luxo. Em 2015, a coleção da marca, apresentada no SPFW foi inspirada na tribo indígena brasileira Ashaninka e empregou, além da valorização da cultura local, tecidos de origem natural, como o algodão e o linho. E na FIAC, um dos maiores eventos de arte contemporânea da Europa, Oskar Metsavaht apresentou na casa de leilões Artcurial uma série de fotos dos Ashaninkas.
O crítico de arte Marc Pottier lançou Ashaninkas Paradis Perdu?, livro no qual divide sua experiência nesta viagem realizada com o estilista em junho de 2015, que resultou na instalação audiovisual Interfaces II, apresentada durante Ocupação Mauá, exposição paralela à Art­ Rio. O livro, feito no estilo caderno de viagens com histórias e fotos.
Interfaces II é uma obra mais complexa. Oskar conhece os Ashaninkas há muito tempo. Algumas das imagens que chamam a atenção foram tiradas à noite pelas lentes de Metsavaht, que revisitou a grafia dos ornamentos dos Ashaninkas com pigmentos fosforescentes. ■
Artesanato Ashaninka
Interfaces II
Interfaces II
Viver na floresta é o verdadeiro paraíso quando sabemos respeitá-la, porque a beleza está em tudo quando sabemos usar. Quero aqui mandar minha mensagem de uma semana que passei com os mestres na floresta, ensinado os jovens, essa criançada de nosso povo Ashaninka, de como devemos viver com o mundo encantado da Amazônia. Este encanto está em nossa própria vida, por isso que eu o amo de verdade, e para que isso permaneça para minha futura geração. Pude ouvir histórias lindas e ouvi gritos e falas de sabedoria vindos dos mestres, como viessem saindo de dentro daquele verdadeiro paraíso. Vendo o anoitecer, a lua brilhar, o sol nascer, os animais na floresta contar, que beleza de fazer coração chorar. Este mundo é
sem maldade. Assim quero viver milhões de décadas com esta história sendo revelada e mostrando porque amamos tanto a floresta. Peixe, veado, porco, jacaré, passarinho, onça e tatu, entre outros, estava em nosso banquete. Trinta jovens e oito mestres estavam junto nesta imensa história sem fim. Vivenciei revelações do começo do mundo, parecia que estava tudo começando de novo, olhando fora da floresta e o que está acontecendo com o mundo e a terra, sentindo uma dor que só faltou chorar de tanta tristeza com a destruição. Mas não vou deixar de viver o que aprendi e nem deixar de ajudar o mundo que está pedindo paz.
Benki Piyãko
44- JANEIRO 201 8- AMOORENO