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Karl Lagerfeld, à esquerda, e Yves Saint Laurent, terceiro a contar da direita, em 1957 no Prêmio do Secretariado Internacional da Lã, precursor do International Woolmark Prize ­ Karl Lagerfeld collection particulière generosa pensão dada pelo pai permitiu que Lagerfeld passeasse por Paris em uma Mercedes Gullwing. Como octogenário, deslocava-se num Bentley Continental ou em um Hummer, conduzido por um motorista. Em 1 964, conseguiu o primeiro emprego importante da sua carreira na Chloé. Inicialmente contratado pelo fundador Gaby Aghion para desenhar apenas dois looks por temporada, no final da década já tinha se tornado o principal criador da marca. Lagerfeld criou os lendários vestidos "nude" da Chloé, inspirados no atelier de um estudante do Quartier Latin e fotografou os icônicos anúncios da Chloé com Helmut Newton. Ironicamente, embora tenha passado a vida a desenvolver uma personagem única, Karl Lagerfeld dedicou muito menos atenção à sua própria marca. "Sou uma arma de aluguel", disse frequentemente. O seu calcanhar de Aquiles acabou por ser a sua própria marca, comprada e vendida cinco vezes em cinco décadas, registrando perdas na maioria dos anos. No entanto, a sua fama mundial na era digital era tal, que a sua marca, entretanto rebatizada K Karl Lagerfeld, finalmente se tornou lucrativa no século XXI. Embora com prateleiras cheias de artigos que horrorizavam a maioria dos fashionistas, como uma série de bonecos Karl. Reconhecendo isso, comentou: "Quando eu era mais novo, queria ser caricaturista. Afinal, tornei-me uma caricatura". Com a sua mão esquerda, escreveu e dirigiu uma excêntrica série de curtas-metragens de ficção sobre a vida de Coco Chanel, misturando fatos, ficção e mito. Estas foram protagonizadas por estrelas cuidadosamente selecionadas: Keira Knightley, Diane Kruger, Vanessa Paradis, Kristen Stewart, Anna Mouglalis, Astrid Berges-Frisbey, Rooney Mara, Julianne Moore e Cara Delevingne, cada nome mais brilhante que o anterior. Sob o seu comando, o atelier da Chanel tornou- se o laboratório mais inovador da moda. Prova disso, o vestido branco usado por Julianne Moore no Oscar de 201 5, coberto por 80 mil lantejoulas pintadas à mão, no qual 27 funcionários trabalharam durante 987 horas. Ou o lendário vestido de chiffon cor de rosa usado por Nicole Kidman na mesma cerimônia. No seu primeiro emprego como assistente na Pierre Balmain, na década de 1 950, trabalhou servilmente, mas aprendeu as técnicas e os conhecimentos que usaria para liderar o atelier da Chanel. Apesar de receber uma ninharia, uma Karl Lagerfeld em Paris, 1954 MARÇO 2019 - REVISTA AMOORENO - 17