Revista Advocacia Edição nº 01, ano I | Page 46

MAIS DO QUE SÓ FISCALIZAR Veio em tom justificadamente grave a avaliação feita pela Comissão de Direitos Humanos da 2ª Subseção da OAB-ES das condições de superlotação constatadas no Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro de Itapemi- rim (CDPCI) em visita realizada ao local no último mês de maio. Pelos dados apurados a unidade opera com quase três vezes mais que sua capacidade máxima. A inspeção ocorreu menos de dois meses depois de outra realizada pelo grupo na Penitenciária Regional de Cachoeiro de Itapemirim (PRCI). Participaram não so- mente membros da OAB Cachoeiro, mas também repre- sentantes das Comissões de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB- -ES) e da 7ª Subseção de Alegre. Para a advogada Juliana Veronez Passabom, coorde- nadora adjunta da Comissão de Direitos Humanos da 2ª Subseção, no que diz respeito especificamente ao CDP de Cachoeiro os dados dão conta de que se trata de um problema crônico cuja solução parece estar a cada dia mais distante. “A OAB encara a superlotação no sistema prisional com grande preocupação e atenção, já que seus desdobra- mentos trazem graves consequências não só aos deten- tos, como a sociedade em geral”, adverte. Juliana justifica seu argumento explicando que “viola- ções aos direitos garantidos dificultam a ressocialização do preso, que é um dos objetivos da pena”. Como explica, quando o preso não é ressocializado as consequências são colhidas por toda a sociedade com o aumento, por exemplo, da violência urbana. ADVOCACIA 46 Comissão de DH cobra do Estado instauração de procedimento para acompanhamento de presídio e centro de detenção provisória Dentre outros objetivos, a inspeção permitiu aos representantes da 2ª Subseção conhecer de perto as estruturas física e operacional do CDP. “Foi possível observar diversos pontos negativos na unidade, den- tre os quais se destacou a estrutura deficitária, com celas superlotadas e até falta de água em determi- nados períodos, bem como outros tantos problemas correlacionados à superlotação”, esclarece. A visita revelou também, em contrapartida, ações positivas como a implementação de grupos de estu- dos, aulas de ensino fundamental e médio, de violão e canto, acesso à biblioteca e os esforços despren- didos pelos agentes e diretor, em busca de um am- biente mais humano para se chegar ao objetivo de ressocialização. Entre as providências sugeridas pela 2ª Subseção da OAB-ES aos órgãos responsáveis depois da visi- ta destacam-se a retirada de cópia dos processos administrativos instaurados para apuração de epi- sódios de violação de direitos humanos; o envio de ofício à Secretaria de Estado de Direitos Humanos solicitando a instauração de procedimento adminis- trativo para acompanhamento dos presídios; bem como o envio dos relatórios gerados pelos estudos que a Comissão de Direitos Humanos realiza quanto à possibilidade de acionar os organismos interna- cionais de defesa dos Direitos Humanos para que tomem conhecimento e providências da situação do Espírito Santo.