RelatórioFinal_PSSA | Page 113

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// Considera que está numa situação económica boa , consegue garantir as condições básicas de vida , já conseguiu pagar a dívida no país de origem , ajuda a família a construir uma casa em Timor e o irmão na escola ( E6 )
// Considera que é boa , consegue pagar as despesas e ainda enviar algum dinheiro para ajudar a família ( E8 , E9 )
// Considera que a situação económica é boa comparada com o que tinha antes , mas gostavas que fosse melhor para ajudar mais a família no PO ( E7 )
// Consigo viver de forma autónoma , sem depender de apoios sociais do estado ou da Cáritas de Beja ( E13 )
// Tenho trabalho e casa e sou autónomo no pagamento das minhas despesas ( E17 , E19 , E20 )
Nestes casos , observa-se que a possibilidade de trabalharem e auferirem um rendimento , ( re ) põe o sentido e o sucesso ao percurso migratório que tinha sido interrompido . E isso acontece numa dupla intencionalidade : melhoria das suas condições de vida com extensão à sua capacidade de apoiar , ajudar e enviar recursos para qualificar a vida dos familiares que ficam no seu país de origem . Em alguns casos serve , igualmente , para pagar a dívida a quem mediou o processo de imigração .
Todas as situações profissionais descritas pela população imigrante referem a existência de formalização de um contrato de trabalho mudando o tipo de contratualização-a termo certo ( normalmente de 12 meses ) e a termo incerto / sem termo . Encontram-se , na sua maioria ( com exceção de dois casos ), há mais de cinco meses , sendo os tempos mais longos de nove meses , a trabalhar na mesma entidade empregadora , o que pode indiciar alguma estabilidade profissional . Trata-se de trabalhos algo indiferenciados no setor agrícola , na construção civil , serviços de limpeza e manutenção , entre outros .
A capacidade para autonomia e sustentabilidade é , em grande medida , garantida pela obtenção de um emprego . Existem , no entanto , alguns constrangimentos decorrentes que podem advir de uma grande dependência em relação às condições disponibilizadas pelo empregador que , ao deixarem de ser garantidas , contrariam e infletem esse percurso de autonomização da pessoa . Dois depoimentos remetem para uma situação vivenciada onde facilmente a pessoa pode ser colocada numa situação Em Risco :
// « A situação é má , só dá para pagar alguma comida e tenho de sair da casa do patrão porque vou trabalhar para outro patrão , sem casa » ( E10 )
// « Não , atualmente encontro-me desempregado e o dinheiro que tenho são apenas para despesas básicas » ( E15 )
Esta condição de dependência de habitação é comum a praticamente todos os entrevistados / as imigrantes que vivem em casas asseguradas pela empresa ou pela entidade empregadora . Tratam-se na maioria de casas térreas , na generalidade dos casos partilhadas com colegas de trabalho que os acompanharam de Beja ( doze casos ) e , somente numa minoria , habitam sozinhos ( dois casos ).
Caracterização do perfil das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo apoiadas pelo projeto " Estou tão perto que não me vês " e dos efeitos gerados pelo projeto nos seus percursos de vida - ALT20-06-4230-FSE-000039 – PROC 007 / 2022