truque. Assim que se começa com um pouco de respeito. Depois que ele comeu, Reynaldo correu até minha manga e depois se pendurou no meu pescoço por um segundo. Eu podia sentir os bigodes se contraindo contra a minha pele, era uma espécie de coisa legal, mas também era nojenta para caralho.
Eu contei a ela sobre Flipper. Carla parecia realmente triste sobre Flipper ter que voltar para aquele saco de merda abusivo. Eu acho que Carla pode se relacionar com essa situação. Eu perguntei a ela sobre Santos. Ela me deu os ombros e disse que me colocando com os caras que vem com o território é um mal necessário para a sobrevivência. Ela diz que é melhor não causar muitos problemas com isso. Já ouvi esse tipo de pensamento antes, e enquanto eu quero ajudar, eu sei como isso acaba também. Ela, assim como Shayla, não está pedindo por um herói. E você e eu sabemos que eu não sou nenhum herói.
25 de maio – 23h43 Carla e Reynaldo me fizeram lembrar daquela época em que Darlene e eu erámos crianças. Minha mãe nunca nos deixou ter um animal de estimação, não importa o quanto pedíamos – Darlene era obcecada por animais – eu nem tanto. Mas eu gostava muito deles, eu já sabia que não iriamos ter e por isso tirei a ideia da minha cabeça. Já ela não iria deixar ir, ela tinha muita inveja porque todos os seus amigos tinham animais de estimação. Bem, um dia Darlene tinha 10 anos, essa amiga dela – Meghan, eu acho que era esse o nome – tinha um gato que teve gatinhos. Sem contar a minha mãe, Darlene pegou um. Tinha olhos frios que eram verdes com linhas e tudo mais dentro deles. Pereciam mapas. Darlene nomeou ele de Torta de Lua que era seu bolinho favorito, já que a gata era preta, branca e marrom. Essas tortas de lua, aliás, eram boas para caralho. Então por um tempo, ela manteve Torta de Lua escondida em seu quarto, mas ela sabia que não ia durar por muito tempo sem que nossa mãe ficasse sabendo. Depois de um tempo, ela fez uma pequena casa do lado de fora, por trás de nosso quintal e manteve seu redor como um gato ao ar livre. Ele parecia estar indo bem, até que um dia, nós estávamos dirigindo para ir para a escola e nossa mãe levou esse desvio estranho até Schlegel Lake. Ela puxou um saco debaixo da cadeira e deu para Darlene segurar. Havia algo dentro. Ele estava se movendo e então... saiu um meow. Darlene instantaneamente começou a chorar e suplicou para sua mãe a deixar manter a Torta de Lua. Ela abriu a bolsa e a Torta de Lua enfiou a cabeça para fora, olhando aterrorizada. Minha mãe parou a direita do lago e disse a Darlene para tirá-la do saco e jogar Torta de Lua para fora. Darlene recusou e manteve Torta de Lua por perto. Ela então saltou para fora do carro e correu. Minha mãe saiu, gritando para ela voltar, mas Darlene apenas continuou. Eu estava tão feliz e esperava que ela apenas corresse para sempre e nunca mais virasse. Bem, ela correu um longo tempo. Ela tinha ido embora por três dias. Minha mãe a procurou em torno de algumas casas das amigas de Darlene, mas ela estava muito preocupada com o que todo mundo iria pensar de nós. Eu gostaria de poder dizer que eu não podia acreditar, mas eu não estava surpreso. Eu fui ao redor para vários esconderijos que tínhamos. Eu verifiquei cinemas, fui para o jardim do zoológico e perguntei as suas amigas. Não foi possível encontrá-la em qualquer lugar. Então nesse terceiro dia, quando eu estava chegando na escola, eu saí para uma pilha de pedras.