Quem é Quem Brasil - Argentina | Seite 30

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo para o nosso amigo. Eu também necessito de algumas ferramentas e estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece? O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse: – É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola. de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e – A honra seria minha – disse o homem. – foi embora. E nosso amigo guardou as palavras Seria a coisa que mais me daria prazer: assinar que escutara: “não disponho de tempo para viajar o livro. Mas eu não sei ler nem escrever, sou para fazer compras”. analfabeto. Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. – O senhor? – disse, incrédulo, o prefeito. – O senhor construiu um império industrial sem Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu per- de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as gunto: o que teria sido do senhor se soubesse ler que já havia vendido. De fato, poderia economi- e escrever? zar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, – Isso eu posso responder – disse o homem, com toda a calma. – se eu soubesse ler e escrever, ainda seria o PORTEIRO DO PROSTÍBULO. faziam encomendas. Agora, como vendedor de ferramentas, uma ••• vez por semana viajava e trazia o que seus clientes precisavam. Com o tempo, alugou um galpão para estocar de industrial chamado Valentin Tramontina, o as ferramentas e, alguns meses depois, comprou fundador das Indústrias Tramontina, que hoje uma vitrine e um balcão, transformando o galpão tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24 na primeira loja de ferragens do povoado. Todos milhões de produtos variados por mês e exporta estavam contentes e compravam dele. com marca própria para mais de 120 países. É a Já não viajava. Os fabricantes lhe enviavam única empresa genuinamente brasileira nessa os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tem- condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa, po, as pessoas dos povoados próximos também localizada no interior do Rio Grande do Sul. preferiram comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagem. Um dia, ele se lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras etc. Pouco depois, foram os pregos e os parafusos. 30 Essa história é verídica e refere-se a um gran- Geralmente, as mudanças são vistas como adversidades. No entanto, as adversidades podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto; procure as janelas. Lembre-se da sabedoria da água, que “nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna”. Em poucos anos, ele se transformou, com seu Que a sua vida seja cheia de vitórias, não im- traba