– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo para
o nosso amigo. Eu também necessito de algumas ferramentas e estou disposto a pagar-lhe
seus dias de viagem, mais um pequeno lucro
para que você as compre para mim, pois não
disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece?
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas
e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave
Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.
Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.
No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe
entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:
– É com grande orgulho e gratidão que lhe
pedimos que nos conceda a honra de colocar a
sua assinatura na primeira página do livro de atas
desta nova escola.
de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e
– A honra seria minha – disse o homem. –
foi embora. E nosso amigo guardou as palavras
Seria a coisa que mais me daria prazer: assinar
que escutara: “não disponho de tempo para viajar
o livro. Mas eu não sei ler nem escrever, sou
para fazer compras”.
analfabeto.
Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.
– O senhor? – disse, incrédulo, o prefeito. –
O senhor construiu um império industrial sem
Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais
saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu per-
de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as
gunto: o que teria sido do senhor se soubesse ler
que já havia vendido. De fato, poderia economi-
e escrever?
zar algum tempo em viagens.
A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem,
– Isso eu posso responder – disse o homem,
com toda a calma. – se eu soubesse ler e escrever, ainda seria o PORTEIRO DO PROSTÍBULO.
faziam encomendas.
Agora, como vendedor de ferramentas, uma
•••
vez por semana viajava e trazia o que seus clientes precisavam.
Com o tempo, alugou um galpão para estocar
de industrial chamado Valentin Tramontina, o
as ferramentas e, alguns meses depois, comprou
fundador das Indústrias Tramontina, que hoje
uma vitrine e um balcão, transformando o galpão
tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24
na primeira loja de ferragens do povoado. Todos
milhões de produtos variados por mês e exporta
estavam contentes e compravam dele.
com marca própria para mais de 120 países. É a
Já não viajava. Os fabricantes lhe enviavam
única empresa genuinamente brasileira nessa
os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tem-
condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa,
po, as pessoas dos povoados próximos também
localizada no interior do Rio Grande do Sul.
preferiram comprar na sua loja de ferragens, a
ter de gastar dias em viagem.
Um dia, ele se lembrou de um amigo seu
que era torneiro e ferreiro e pensou que este
poderia fabricar as cabeças dos martelos. E
logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras etc. Pouco depois, foram
os pregos e os parafusos.
30
Essa história é verídica e refere-se a um gran-
Geralmente, as mudanças são vistas como
adversidades. No entanto, as adversidades podem ser bênçãos.
As crises estão cheias de oportunidades.
Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste
energia com o confronto; procure as janelas.
Lembre-se da sabedoria da água, que “nunca
discute com seus obstáculos, mas os contorna”.
Em poucos anos, ele se transformou, com seu
Que a sua vida seja cheia de vitórias, não im-
traba