Quem é Quem Brasil - Argentina | Page 24

em frente a este, o edifício da Promotoria, são da colônia mas que, na verdade, é fruto de uma bons exemplos. Há também outros prédios que intervenção recente. desabaram ou pegaram fogo e que foram re- No entanto, para o bem do turismo e da be- construídos ao estilo colonial. O antigo Fórum leza que impera na famosa Ouro Preto – que os e o Hotel do Pilão, ambos na Praça Tiradentes, sites oficiais bem resumem como “o maior con- foram totalmente reedificados ao estilo colo- junto barroco do mundo” – tais prescrições não nial, após incêndio em que deles quase nada são seguidas com tanto afinco. O que importa sobrou. Outro exemplo é a parte dos fundos da para todos nós realmente é conseguir “voltar“ igreja do Pilar que, após o seu desabamento em a um passado em que se possa desfrutar de 1961, foi reconstruída exatamente como era, uma ambiência idealizada, com comidas típicas para que o turista não percebesse a diferença. criadas pelos escravos e pelos tropeiros com in- De modo semelhante, inúmeras casas no cen- gredientes simples e baratos, a famosa comida tro da cidade foram erguidas nos últimos anos, mineira. Tudo isso é parte de Ouro Preto, parte mas, por imposição do IPHAN, assumem uma do Brasil. E mesmo que não seja completa e aparência “coloniosa”. Mesmo a quase bicen- verdadeiramente colonial, parece ser, e isso é o tenária Escola de Farmácia teve, ao longo dos que importa. anos, diversos acréscimos que a fizeram cada vez mais parecer uma construção antiga. A Carta de Veneza – que, desde 1964, orienta acerca da preservação do patrimônio – proíbe que tais intervenções sejam realizadas desse modo, pois criariam “falsos históricos”, ou seja, uma arquitetura que parece edificada na época 24 Revista CECBARIO MARCELO DA ROCHA SILVEIRA é atualmente professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, foi professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Ouro Preto entre 2008 e 2013. É mestre em Filosofia e Doutor em Teoria, História e Crítica da Arquitetura ambos pela UFRJ. Coordenou em Ouro Preto todos os Seminários Internacionais de Urbanismo e Patrimônio entre os anos de 2009 e 2011. É autor de vários livros e artigos publicados no Brasil e na Europa.