QueenHill - O Close Certo Para Toda Drag Queen BOOK TCC SE7E INTERATIVO | 页面 36

tinham oralidade ligada direta com a classe média mento gay e feminista abrindo espaço para novas e trabalhadora deste século, onde se lamentavam personalidades para essas drags, já que a dama em seus monólogos que ocasionava aproximação pantomímica não sobreviveu aos anos 70, com o da plateia que se identificava imediatamente com esquecimento dos stand ups por causa da tele- os fatos relatados. Os atores incorporavam senho- visão como nova forma de se entreter. ras por volta dos quarenta anos que estendiam problemáticas pertinentes as mulheres da época, década de 20, com uma nova personalidade inde- a mulher que nunca arrumava marido por ser pende, dirigindo, saindo de casa para trabalhar re- considerada feia de acordo com o padrão de bele- criando um novo estimulo para vida. O cinema es- za imposto na época, que ficava presa a casa da tadunidense teve grande base para essa libertação família, a vizinha fofoqueira, a enfermeira, á viúva das mulheres, mostrando uma nova perspectiva Mundo da revista eletrônica Folha Online, os anos e donas de casa, com discursos que não atingiam de beleza levando-as, por exemplo, a diminuir o 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, apenas elas, mas seus maridos burlescos, as per- cumprimento de suas saias e modificando o corte filhos do chamado “baby boom”, que vivia no auge sonagens exageradas das dama pantomímicas, de cabelo afetando diretamente o ator drag, que da prosperidade financeira, em um clima de eu- tonava-se ainda amais comido e engraçado por como visto acima sempre se preocupou em seguir foria consumista gerada nos anos do pós-guerra ser representado pela dúbia figura da caricatura a moda e o glamour em show p ara entreter não nos EUA. Na virada da década de 50 para 60 nos da imagem feminina personificada pelo homem. bastante apenas cantar, dançar e improvisar, mas Estados Unidos e, em especial, em Nova Iorque, ar- Que logo começaram a tomar o lugar dos homens vestir as mulheres da vida real. tistas de todas as vertentes uniam-se em busca de que cantavam e encenação comicidades em Já nos anos 50 os teatros na Inglaterra perderam a uma nova arte efêmera ou não, uma manifestação bares chamados de Music Hall, encenando can- força em todo os territórios e a população agora vi- artística que se localizava no “entre”, no “ser” e “não ções satíricas fazendo parte da cena e da história ravam os olhares para a televisão. Baker aponta em ser”, dando caráter do novo acontecimento artísti- das personagens que por quarenta ou cinquenta seu livro, que nesse mesmo período começa a apa- co. Escrito por Rauschenberg em 1966 no livro Esti- anos dentro do século XX foi a única forma de drag recer os movimentos anti-homossesuais queteve los, escolas e movimentos. queen existente, contudo considerada uma forma notoriedade entre a imprensa que colocou as de expressão artística respeitada e aceita. Com Drags em posições anônimas por mais de 15 anos. para expressar corretamente nosso relacionamen- da música, Marilyn Monroe no cinema norte- a chegada das duas grandes guerras mundiais a Baker (1994, p.198) fala sobre: “Um artigo no Sunday to com o teatro tradicional (clássico e contemporâ- americano e Andy Warhol nas belas artes, levando sociedade foi reformada, resinificando esses perso- Pictorial chamado ‘Homens do Mal’ observou, jun- neo). Nossas influências são questionáveis e nosso os críticos da época a definirem os artistas dessa nagens, de acordo com a moda feminina e o pens- to a outras coisas que, ‘Homossexualidade é abun- pedigree é impuro. Nossa estética bastarda nos nova onda como “novos vulgares”, rebaixando a amento da mulher. dante na profissão teatral... eles possuem manei- permite máxima liberdade e flexibilidade de traba- pop art ao nível de não-arte. A comunidade gay Nessa turbulência de mudanças, surgi- ras delicadas... chamam uns aos outros de nomes lho. Nossos caprichos são sustentados por uma começou a ser vista de outra forma e, assim, como ram as televisões, cinemas, a cultura pop do movi- femininos abertamente... usam roupas de mulher”. constante recusa em servir a qualquer significado, os adolescentes heterossexuais buscavam um es- método ou mídia. Não temos um sobrenome e tilo, os jovens homossexuais também buscaram gostamos disso (DEMPSEY, 2010, p.223). uma identidade cultural própria através da música, De acordo com a revista eletrônica Toda da moda e das gírias. Apesar de uma maior abertu- Materia, a década de 1960 representou o fortaleci- ra da sociedade perante os homossexuais, os novos mento dos movimentos de esquerda nos países do bares gays foram, a princípio, construídos nas áreas Ocidente, tanto no plano político, quanto no ide- periféricas, longe das famílias de bons costumes e ológico. Nesta mesma década caracteriza-se pela dentro desses bares que a drag queen, mais uma diminuição da censura, a larga circulação da pílula vez, ressurge. anticoncepcional, diminuição das restrições im- postas sobre a homossexualidade e novas o apare- massiva e potecial cultural apresentado pela era cimento de uma nova expressão de arte, a cultura dourada dos anos 60, se apropriavam e mantiam pop. um repertório rico de elementos sócio culturais Uma nova mulher Ocidental surge na “NÓS SABEMOS O QUE SOMOS, MAS NÃO O QUE PODEMOS SER.” William Shakespeare 36 AGÊNCIA SE7E ERA DOURADA E ATUALIDADE Mediante a matéria A Época que Mudou o Nós nos denominamos Teatro Bastardo Os artistas drag queen mediante essa Os anos 60, acima de tudo, viveram uma para entreter seu público e se afastando de temas explosão de juventude em todos os aspectos, políticos, uma vez que estar em drag era significa- caracterizando uma nova classe social, onde pos- do de diversão. Judy Garland, Marilyn Monroe, suíam dinheiro e precisavam de entretenimento. Betty Davis, Barbra Streisand, Cher, Diana Ross, Também é caracterizada pela era Beatles no ramo Etta James e tantas outras grandes divas hollywoo- AGÊNCIA SE7E 37