Pés no Chão Pés no Chão | Page 122

pés no chão: o São Dimas que vivemos De repente, o portão da casa se abriu. Era Beníncio chegando em casa. Manco, devido a um acidente quando jovem, ele topou com o ladrão que segurava um porta retrato de sua filha que morava fora do país - a única parente da família que sobrou. O objeto foi o motivo da discussão. O bem lutava contra o mal, mas o bem não contava com a posse de uma arma pelo mal. Sem piedade, o homem atirou em Beníncio, que caiu no chão com o porta retrato na mão e com uma feição serena, pedindo a Deus misericórdia pelo homem que o ferira. O rosto sereno de Beníncio depois de morto certamente era por reencontrar o amor de sua vida, sua esposa Cleuza. O dia amanheceu chuvoso, o céu chorava. O velório foi foi todo bancado pelos vizinhos e aconteceu em uma capela no bairro São Gabriel, em Colombo. A capela se tornou pequena para tanto amor dedicado a Beníncio. A semana passou e a revolta do povo também. A a tristeza era a nova moradora da Rua Marcos Cardoso. Dona Branca, herdeira da rigidez do pai, teve seu coração tomado por tristeza. Passado um tempo, padeceu e morreu de culpa pela morte de Beníncio, sua saúde já fragilizada acelerou seu falecimento. Agora já deve ter se desculpado. 122