pés no chão: o São Dimas que vivemos
De repente, o portão da casa se abriu. Era Beníncio
chegando em casa. Manco, devido a um acidente quando
jovem, ele topou com o ladrão que segurava um porta
retrato de sua filha que morava fora do país - a única parente
da família que sobrou. O objeto foi o motivo da discussão.
O bem lutava contra o mal, mas o bem não contava com a
posse de uma arma pelo mal. Sem piedade, o homem atirou
em Beníncio, que caiu no chão com o porta retrato na mão
e com uma feição serena, pedindo a Deus misericórdia pelo
homem que o ferira.
O rosto sereno de Beníncio depois de morto
certamente era por reencontrar o amor de sua vida, sua
esposa Cleuza. O dia amanheceu chuvoso, o céu chorava. O
velório foi foi todo bancado pelos vizinhos e aconteceu em
uma capela no bairro São Gabriel, em Colombo. A capela se
tornou pequena para tanto amor dedicado a Beníncio.
A semana passou e a revolta do povo também. A
a tristeza era a nova moradora da Rua Marcos Cardoso.
Dona Branca, herdeira da rigidez do pai, teve seu coração
tomado por tristeza. Passado um tempo, padeceu e morreu
de culpa pela morte de Beníncio, sua saúde já fragilizada
acelerou seu falecimento. Agora já deve ter se desculpado.
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