pés no chão: o São Dimas que vivemos
A ida para casa
por Luan Vitor de Souza
Q
uando bate o sinal, encerram as aulas do período
da manhã do Colégio João Gueno. Quem chegar
primeiro na rua espera o outro. Às vezes, o Leandro espera
o Luan. Às vezes, acontece o contrário. Mas a companhia
para voltar para casa, pela rua Valmira de Souza Lunardon,
é certa.
Antes de entrar em sua casa, Leandro já deixa
combinado “desce aí depois para jogarmos bola”. E o
combinado é sempre cumprido.
Em uma dessas tardes, nós estávamos indo para
casa, conversando sobre o que faríamos. Se iríamos jogar
bola, ou soltar pipa. Estávamos conversando tranquilo,
mas escutamos latidos e mais latidos. Quando olhamos
para trás, vimos um cachorro correndo em nossa direção.
Reparei que ele tinha coleira e pensei “deve estar
latindo porque está brincando”, mas ele vinha rápido. Acho
que me enganei, ele não estava brincando. Chegou perto de
nós e quase nos mordeu, só não conseguiu porque corremos
e pegamos pedras da rua, que não é asfaltada.
Ficamos jogando pedras para espantar o cachorro.
100