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I — A “Essência” do Pai 33 forma, presente, nesse ato de louvor e de amor, toda a nossa existência vivida no dia-a-dia como filhos. Uma segunda característica fundamental é que se trata de uma oração que, embora possa ser pessoal e feita na solidão, ela é constitutivamente comunitária. Não é casual o plural “nosso”, porque reconhecer Deus como Pai e reconhecer-se como filhos significa também reconhecer os outros como irmãos e irmãs, comprometidos em viver a fraternidade na comunidade cristã e com todos. É igualmente importante o destaque “que estais nos céus”. Evidentemente, não se refere a um lugar, mas indica a realidade de santidade em que Deus está presente. Trata-se de uma santidade inacessível, porque é o sacrário onde Deus mora e o seu próprio ser, mas na qual somos gratuitamente introduzidos por meio de Jesus e pelo dom do Espírito. Nos pedidos que se seguem, recolhidos pela tradição cristã em dois grupos — os primeiros três, com uma referência mais direta a Deus, e os outros quatro, com uma referência explícita à vida concreta do homem — está resumido, de maneira extraordinária, todo o sentido da mensagem trazida por Jesus. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como o céu”: a glória de Deus, dizia Ireneu de Lião, “é o homem vivo”, e a vida do homem “é a visão de Deus”. É esta a consciência cristã: reconhecer que Deus é Pai significa pedir, com absoluta confiança, que seja ele mesmo a mostrar sua santidade e fazer vir o seu Reino, não de forma abstrata, mas concreta, na história. Isto é, fazendo toda a nossa parte para que o Reino de Deus possa acontecer concretamente em nosso coração e no mundo onde vivemos, de forma que se realize seu desígnio de amor para cada um e para a humanidade como um todo. Seguem-se os outros quatro pedidos que tocam de perto a existência cotidiana em toda sua concretude. Primeiramente o destaque do “pão de cada dia”, que