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32 Na Luz do Pai Enfim, poderíamos dizer que a frase do Gênesis “à imagem e semelhança de Deus” chega à plenitude exatamente no momento em que — por meio de Cristo e do dom do Espírito Santo — a pessoa humana descobre e vive o amor. Porque, vivendo o amor recíproco com o próximo, entre irmãos e irmãs, a humanidade torna-se plenamente a imagem da vida trinitária, que é a essência de Deus. Tanto assim que a Primeira Carta de João, de maneira sintética e concreta, pode afirmar: “E todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor” (1Jo 4,7-8). A oração com a qual nos dirigimos a Deus nos foi ensinada diretamente por Jesus Cristo e começa com a invocação “Pai nosso”. É possível explicar brevemente suas várias conotações? Antes de mais nada, é muito significativo que, atendendo ao pedido dos discípulos de que lhes ensinasse a rezar, Jesus tenha proposto aquela que se tornou a oração por excelência do cristão, uma oração que começa justamente com a invocação e o louvor a Deus pelo nome que Jesus revelou em sua existência, ou seja, “Pai”. A primeira característica que se destaca nessa oração é, portanto, a relação direta e filial que ela instaura com Deus; em outras palavras, a participação em Jesus da experiência mais radical e mais profunda do ser humano que se torna, por obra do Espírito Santo, filho no Filho. Aqui temos um reconhecimento de Deus — na qualidade de Pai — feito de admiração, de adoração, de glorificação e de gratidão. Mas, ao mesmo tempo, é um reconhecimento daquilo que é o nosso ser: declarando a Deus que ele é Pai, nós nos reconhecemos filhos e doamos de volta nossa existência a ele, tornando, de alguma