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30 Na Luz do Pai todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). O que não significa que a masculinidade e a feminilidade sejam eliminadas, mas sim que encontram sua raiz em Cristo, vivendo nele, na relação de reciprocidade e adquirindo, de certa forma, um a característica do outro. Sem dúvida, portanto, é importante deixar de lado a projeção dos traços machistas ou patriarcais na imagem de Deus, que teve muito peso no decorrer dos séculos. Contudo, o caminho não é contrapor a isso a idéia de uma deusa mãe, com uma visão feminina antagônica. O desafio consiste precisamente em ir à origem da oposição essencial que experimentamos na existência humana, vendo em Deus a presença dos aspectos mais profundos — e recíprocos — do masculino e do feminino. Um “mistério” caracteriza a relação entre Pai e Filho, corroborado pela intervenção do Espírito Santo: o mistério do Deus “uno e trino”. O que se pode propor como explicação para ser possível a aproximação máxima do cerne desse diálogo de amor? Para descrever o mistério de Deus como Trindade — que é o nome dado pela tradição cristã para explicitar o ágape, ou seja, o amor divino, mencionado pelo Novo Testamento — é preciso fazer referência aos fatos bíblicos que tratam da relação de unidade e distinção que existe entre o Pai e o Filho. Se quisermos penetrar no íntimo desse diálogo amoroso não apenas com o conhecimento teórico, mas também com a experiência existencial, é preciso, de alguma forma — por meio de Jesus e do dom do Espírito que nos é dado no batismo e que nos é doado em plenitude na Eucaristia — participar concretamente dele. Uso sempre um axioma: não se pode conhecer Deus como Trindade se não de maneira trinitária, ou seja, participando intimamente da vida desse mistério.