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I — A “Essência” do Pai 29 como, entre outros, afirmou João Paulo I, em seu famoso discurso nos primeiros dias de seu breve pontificado. O que significa essa duplicidade intrínseca e essencial? Quando tratamos da relação de Deus com a masculinidade e a feminilidade, é necessário abordar a questão com muita clareza, partindo da “reviravolta” que é típica e proposital na revelação judaico-cristã. De fato, na experiência que o homem faz de Deus e que é expressa nas diferentes religiões tradicionais, acontece sempre o seguinte fenômeno: Deus é representado à imagem e semelhança do homem. Assim, em todas as tradições mais antigas, encontramos um deus, pai no sentido naturalista do termo, e uma deusa, mãe e esposa. Na revelação bíblica judaico-cristã, temos uma mudança radical, pois a figura de Deus não é representada a partir da projeção da experiência humana sobre a sua fisionomia. Ao contrário, o homem e a mulher são representados como “imagem e semelhança de Deus”, com sua originalidade e ao mesmo tempo semelhança. Significa que o homem e a mulher, em sua masculinidade e feminilidade, são o reflexo do mistério insondável de Deus que, por isso mesmo, transcende as categorias de masculino e feminino, mas é, simultaneamente, a raiz e o modelo mais antigo de ambos. Daí a possibilidade de exprimir o amor de Deus pelo homem com os traços da paternidade — como a experimentamos na natureza humana — e igualmente com os traços da maternidade. É evidente que o condicionamento histórico-cultural fez com que o traço masculino — pela constituição tipicamente patriarcal da sociedade antiga — fosse maior que o feminino e, de alguma forma, o sobrepujasse. Por isso, poderíamos afirmar que, na visão bíblico-cristã, Deus não é do sexo masculino nem feminino, mas é a origem de ambos. Isso é plenamente revelado em Jesus. Como diz são Paulo: “Não há homem nem mulher; pois