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I — A “Essência” do Pai 27 acusadores, do seu pôr-se num patamar que, de certa maneira, era o patamar do próprio Deus, não somente pela sua autoconsciência, mas também pela sua prática, pela autoridade com a qual falava e agia. Portanto, a novidade é a revelação de Deus não somente como Pai, mas também como Filho. Ao lado disso, não podemos esquecer a presença e a ação do Espírito Santo. No Antigo Testamento, via-se o Espírito como a força e a luz de Deus que é comunicada aos homens. No Novo Testamento, o Espírito torna-se “Santo”, isto é, também ele adquire progressivamente os traços de uma realidade pessoal e distinta, a ponto de, no Evangelho de João, ele ser chamado de o outro enviado por Deus — junto com Jesus —, o “consolador”, o “paráclito”. Em síntese, quanto à terminologia, toda essa novidade é expressa — com uma denominação que mais tarde se tornará progressivamente a da tradição da Igreja — como Deus “uni-trino” ou “tri-único”, ou seja, um Deus que é o único verdadeiro Deus e que é, ao mesmo tempo, PaiFilho-Espírito Santo. Três ao preço de Um “Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso”, reza o credo católico. Nessas poucas palavras são focalizados dois aspectos-chaves do cristianismo: a escolha do único Deus verdadeiro e a plena familiaridade com ele. Por que devemos e podemos chamá-lo, antes de mais nada, de Pai, com uma denominação que somente o cristianismo aplica em sentido próprio e pessoal, e não como simples maneira de dizer? Podemos encontrar o atributo da paternidade, em sentido lato, praticamente em todas as tradições religiosas mais maduras da humanidade, porém muitas vezes expresso de maneira muito vaga e genérica. Também no