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26 Na Luz do Pai Há, portanto, uma evolução significativa da imagem de Deus apresentada no Antigo Testamento para aquela proposta pelo Novo. É possível sintetizar seus principais aspectos? Há, sem dúvida, uma profunda continuidade entre a revelação de Deus no Antigo e no Novo Testamento. A Igreja Católica tem sido firme ao sustentar essa certeza, a ponto de sempre confirmar no cânone bíblico os livros do Antigo Testamento, apesar da posição de alguns, nos primeiros séculos do cristianismo, que queriam eliminar da Sagrada Escritura todos os textos do Antigo Testamento que aparentemente conflitavam com o Novo. Nisso manifesta-se uma lei típica da história da salvação, isto é, da história de Deus que se comunica aos homens: cada etapa da revelação de Deus tem algo de novo e, ao mesmo tempo, pressupõe o que havia antes e o faz avançar de maneira inédita. É uma nova lei na continuidade, uma lei de progresso. Por isso, o Deus de Moisés é o Deus de Abraão, e o Deus dos profetas é o Deus de Moisés, e assim por diante, até o Deus de Jesus, que é o Deus do Antigo Testamento. No Novo Testamento, o aspecto principal é que Deus se torna pessoalmente presente em Cristo e fala por meio dele; tanto que poderíamos definir Jesus como aquele que é voz e presença de Deus na história. É principalmente o Evangelho de João que torna evidente essa profunda autoconsciência de Jesus, empregando uma expressão que, no contexto da tradução judaica, é profundamente significativa: o “Eu sou”, com o qual Jesus, às vezes, se define de maneira absoluta. É difícil não reconhecer nessa afirmação o eco do Antigo Testamento, da revelação de Deus feita a Moisés. Afinal, o motivo mais verdadeiro pelo qual Jesus foi preso e condenado foi a percepção, por parte de seus