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24 Na Luz do Pai nossas línguas de modo apenas parcial e inadequado. Não é sem motivo que, na tradição cristã e dos Padres da Igreja, Moisés é considerado o grande modelo do conhecimento de Deus, porque pôde falar-lhe como a um amigo e vê-lo, ainda que de costas. Hoje, o impronunciável nome JHWH é traduzido normalmente como “Eu sou aquele que sou”, evidenciando sobretudo o ser absoluto, transcendente, santo de Deus. Mas, na verdade, na linguagem comum significa também “Eu sou aquele que está a teu lado”, “Eu sou aquele que te liberta” (estamos de fato no contexto do êxodo e da libertação da escravidão no Egito). E significa também “Eu sou aquele que estará contigo”, com uma promessa de companhia cada vez mais plena. Um terceiro momento, enfim, é o dos profetas e da fase apocalíptica — de Isaías a Daniel —, quando o Deus de Moisés foi sendo reconhecido mais profundamente como o senhor e o criador de todo o universo, como aquele que conduz a história de todos os povos rumo a um desígnio de salvação e que, misteriosamente, quer intervir para instaurar seu próprio reino, como reino de justiça e de paz, no meio dos homens. Que novidade acrescentou a essa “fotografia” o testemunho de Jesus Cristo dado pelos Evangelhos? A relação que Jesus tem com a revelação de Deus no Antigo Testamento é, evidentemente, muito estreita. A novidade é que Jesus se apresenta concretamente, não só com palavras mas também com gestos de salvação, como aquele por meio do qual se realiza a vinda do Reino de Deus. E isso pode acontecer porque Cristo vive e comunica uma experiência de extraordinária comunhão com Deus, testemunhada intensamente pelos numerosos momentos de oração — que marcam profundamente a