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I — A “Essência” do Pai 23 diz respeito a um Deus “de homens”, quer dizer, que se relaciona profundissimamente com os seres criados semelhantes a ele. Na tradição bíblico-cristã, o conhecimento do mistério de Deus passa sempre pelas etapas da experiência vivida por pessoas às quais Deus se manifestou, pessoas que Deus chamou e conduziu a um conhecimento de si sempre mais profundo, para que elas, em seguida, possam comunicá-lo aos outros. E o homem que “experimenta” esse Deus — disse acertadamente o cardeal Joseph Ratzinger — penetra, de certa maneira, até mesmo na definição que o próprio Deus dá de si. Ao chamarmos Deus de Deus “de Abraão”, expressamos realmente a convicção de que não podemos conhecê-lo senão passando pela experiência da qual nasceu Israel e que o grande patriarca bíblico testemunhou depois a seus sucessores. No final do percurso, compreendemos em que sentido Jesus é representado no Novo Testamento como “o nome definitivo” de Deus, pois ele é justamente a pessoa que faz e transmite a experiência única e definitiva do próprio Deus, sendo ele o seu Filho unigênito. O Antigo Testamento fala fundamentalmente de três grandes etapas — para sermos esquemáticos — do conhecimento de Deus. Na primeira — a dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó — manifesta-se um Deus que chama, que promete, que se mostra como amigo do homem. É um Deus que, para empregar a linguagem bíblica, mostra a própria santidade, isto é, a transcendência absoluta, e, ao mesmo tempo, a própria proximidade com o homem. A segunda etapa, de enorme importância não apenas na história de Israel, mas também na história religiosa de toda a humanidade, é representada pelo chamado de Moisés e pela revelação que Deus faz de seu nome. Nome este, extraordinário e misterioso, que Deus negara, por exemplo, a Jacó e que conseguimos traduzir para